04 de abril de 2025

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Nordeste tem 50 hospitais com UTIs de alto desempenho

Foto: Freepik

Selo de qualidade é emitido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). A Bahia é o estado com maior número de hospitais certificados, 16

A região Nordeste, a segunda mais populosa do país, possui 50 hospitais com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de alto desempenho de acordo com parâmetros de certificação da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e Epimed Solutions. O número de unidades hospitalares certificadas entre os estados do Nordeste corresponde a 16% do total nacional, que nesta edição certificou 304 hospitais.

Na região Nordeste, dos 50 hospitais premiados, dez são públicos e a maioria está localizada nas capitais e regiões metropolitanas. Situação similar a outras regiões brasileiras. Os selos são entregues a instituições que se destacaram pela segurança do paciente, eficiência no uso de recursos e qualidade assistencial.

A Bahia é o estado do Nordeste com maior número de instituições hospitalares premiadas,16, sendo cinco públicas. Os hospitais públicos premiados são: Hospital Ana Nery, Salvador; Hospital Calixto Midlej Filho, Itabuna; Hospital Roberto Santos, Salvador; Hospital Regional Dr. Mario Dourado Sobrinho, Irecê; Maternidade Professor José Maria de Magalhães Netto, Salvador.

Das unidades premiadas no estado, nove foram certificadas na categoria Top Performer e 7, Eficiência. Dos 16 hospitais certificados, nove estão localizados na capital baiana.

O Ceará é o segundo estado da região Nordeste com mais hospitais premiados. São dez unidades hospitalares, sendo uma pública, localizado em Juazeiro do Norte – Hospital Regional do Cariri (eficiência). Oito receberam o prêmio Top Performer e duas, Eficiência.

Em terceiro lugar aparece Pernambuco com oito hospitais certificados, sendo um público – Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco HC – UFPE (Eficiência). Seis hospitais receberam o selo Top Performer e um, Eficiência. Todas as unidades premiadas estão localizadas em Recife e Olinda.

Maranhão e Paraíba obtiveram quatro certificações cada. No Maranhão, dois hospitais públicos (Hospital Dr. Carlos Macieira e Hospital Municipal Djalma Marques) e dois privados foram certificados. Na Paraíba, um público, o Hospital Universitário Lauro Wanderley.

Piauí e Rio Grande do Norte aparecem com três certificações cada, ambos privados e localizados nas respectivas capitais. Já Sergipe e Alagoas aparecem com uma certificação cada. Os hospitais são privados e estão localizados nas capitais. A região com maior número de UTIs de alto desempenho é a Sudeste com 162 unidades, seguida da Nordeste (50), Centro-Oeste (49), Sul (27) e Norte (16).

CERTIFICAÇÃO – A certificação avaliou dados de 2024, em todo território nacional, de 800 hospitais monitorados pelo Projeto UTIS Brasileiras, projeto desenvolvido pela AMIB. Deste total, 352 são hospitais públicos e 448 privados, que juntos ofertam mais de 20 mil leitos de UTI no Brasil.

Os selos Top Performer e Eficiente são concedidos pela AMIB e a Epimed Solutions a instituições que se destacaram pela segurança do paciente, eficiência no uso de recursos e qualidade assistencial no atendimento a pacientes críticos. Dos 304 hospitais premiados, 164 unidades privadas receberam o selo Top Performer e 82, o de Eficiência. No setor público, 25 hospitais foram certificados como Top Performer e 33 como Eficientes.

Embora representem uma proporção menor, os hospitais públicos premiados apresentaram avanços nos últimos anos, segundo a AMIB. Em relação à edição anterior, o número total de hospitais certificados cresceu 25%, com destaque para o setor público, onde o aumento foi de 45%, frente a 21% no setor privado.

“Esses hospitais representam o que há de mais avançado em terapia intensiva no Brasil. São unidades que priorizam o cuidado seguro, medem resultados e buscam excelência clínica mesmo em contextos desafiadores”, explica Patrícia Mello, presidente da AMIB.

Na avaliação da AMIB, o crescimento do número de unidades públicas certificadas reflete o esforço de gestores e equipes do SUS em qualificar a assistência crítica por meio de práticas baseadas em evidências e indicadores, mesmo diante de limitações orçamentárias e estruturais.

“A evolução dos hospitais públicos mostra que é possível avançar, mesmo diante de limitações orçamentárias e estruturais. Mas ainda há um desequilíbrio importante: a maioria dos reconhecimentos segue concentrada no setor privado, o que reforça a necessidade de mais investimentos e gestão orientada por dados no SUS”, avalia o médico intensivista Ederlon Rezende, presidente do Conselho Consultivo da AMIB.

CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE E EXCELÊNCIA DAS UTIS

Criada em 2016, a certificação visa reconhecer anualmente a qualidade e a excelência do atendimento prestado por essas unidades, refletindo o compromisso com a melhoria contínua e a promoção de um cuidado seguro, sustentável e eficiente para pacientes em estado crítico. A avaliação incluiu mais de 1.800 UTIs Adulto de hospitais públicos e privados do Brasil, resultando em 530 unidades que atendem aos critérios de certificação. Destas, 301 foram designadas como UTI Top Performer e 229 como UTI Eficiente.

A LISTA COMPLETA ESTÁ DISPONÍVEL EM https://amib.org.br/utis-certificacao/

CRITÉRIOS – A certificação leva em conta uma série de indicadores que medem o desempenho real das UTIs, ajustado ao perfil dos pacientes atendidos. Para isso, são utilizados dois parâmetros principais: a Taxa de Mortalidade Padronizada (TMP), que compara o número de mortes esperadas com o número de mortes reais, levando em conta a gravidade dos pacientes; e a Taxa de Utilização de Recursos Padronizada (TURP), que avalia se a UTI faz um uso adequado dos recursos disponíveis — nem em excesso, nem de forma insuficiente.

Esses dois indicadores são calculados a partir de escores reconhecidos internacionalmente, como o SAPS 3, que estima o risco de morte logo na admissão do paciente na UTI. Para receber o selo Top Performer, a unidade precisa estar entre as 33% melhores UTIs do país nesses dois indicadores. Já o selo de UTI Eficiente é concedido às unidades que estão acima da média, mas não entre as melhores — entre o 33º e o 50º percentil.

Além disso, só são avaliadas UTIs que usam o sistema de monitoramento da Epimed durante todo o ano de análise, com volume mínimo de internações e preenchimento confiável dos dados clínicos. As UTIs ainda são avaliadas de acordo com o perfil dos pacientes que atendem. Por isso, há distinção entre UTIs cardiológicas (com maioria de pacientes com problemas do coração) e UTIs gerais (com pacientes de diferentes perfis clínicos ou cirúrgicos).

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