Crédito da foto: Nailana Thiely
Com contribuições a partir de R$ 25, a campanha marca a programação de aniversário de 1 ano de atuação do Instituto, o primeiro do Brasil dedicado à cultura ribeirinha da Amazônia
Está no ar a campanha de financiamento coletivo do Instituto Letras que Flutuam (ILQF), um chamado à ação para quem acredita na potência das águas, das palavras e dos saberes amazônicos. Com contribuições a partir de R$ 25, o público pode apoiar diretamente a primeira instituição do Brasil dedicada à cultura ribeirinha da Amazônia — e se tornar parte de um movimento de valorização da arte gráfica popular que há décadas colore os rios com palavras.
A campanha marca o primeiro aniversário do Instituto e objetiva garantir seu funcionamento contínuo e sustentável. Diante dos desafios territoriais enfrentados — como grandes distâncias na Amazônia colossal, dificuldades de comunicação e de deslocamento —, a campanha busca reunir recursos para estruturar um núcleo profissional de trabalho, superando o atual modelo baseado no voluntariado. A proposta é simples e urgente: transformar o Instituto em uma organização com capacidade operacional estável, com equipe remunerada e foco total no desenvolvimento dos projetos.
Mais do que celebrar um ano de existência, a campanha abre caminho para o futuro. “O futuro dessa tradição depende de políticas de valorização, mas também de engajamento popular. A campanha é uma forma concreta de participação: com R$25 por mês, é possível colaborar nos esforços do ILQF para a transformação da realidade de mestres que mantêm viva essa arte centenária”, destaca Fernanda Martins, presidenta e idealizadora do Instituto.
Os recursos arrecadados irão garantir o funcionamento básico do ILQF — como contabilidade, gestão, equipe e ações educativas — permitindo que o trabalho que começou como uma rede de afetos, pesquisa e resistência se transforme em uma organização sólida e duradoura.
Um porto digital para a arte que flutua
Um dos marcos desta nova fase é o lançamento do maior portal já criado sobre arte gráfica ribeirinha. O site do Instituto Letras que Flutuam reúne mais de 15 anos de pesquisa sobre os abridores de letras, com centenas de imagens, entrevistas, vídeos e perfis dedicados a cada artista integrante do Instituto.
“Mais do que uma vitrine, o site é um espaço de reconhecimento direto aos mestres e mestras, com perfis próprios e conexão com o público. Ele representa o que o Instituto se tornou: um lugar de encontro, preservação e projeção de saberes coletivos”, afirma Fernanda.
A campanha está no ar. O Instituto também. O que falta agora é o sopro coletivo de quem acredita que cultura é coisa viva — e precisa de cuidado, compromisso e financiamento. Porque há letras que flutuam, mas só com o apoio de muitos braços elas continuam a navegar.
Legado centenário
A prática dos abridores de letras surgiu por volta de 1930, quando passou a ser exigida a identificação de embarcações no Brasil. O ofício se consolidou nas décadas seguintes, com uma estética própria de letras desenhadas à mão e paisagens que retratam o imaginário ribeirinho. Hoje, estima-se que mais de 100 mil embarcações naveguem pela região Amazônica, sendo as pequenas e artesanais as principais guardiãs dessa tradição.
“A cultura visual, e dentro dela a representação gráfica, tem tanta importância para a Amazônia quanto a música, a dança, a comida, pois reflete saberes que são exclusivamente locais”, destaca Fernanda Martins.
Desde sua formalização em 2024 como organização sem fins lucrativos, o ILQF tem atuado em três frentes principais:
- Mapeamento e articulação de mestres abridores de letras;
- Formação e profissionalização dos artistas populares, com foco em relações comerciais justas e valorização de mercado;
- Defesa e proteção contra plágios e uso indevido das letras amazônicas.
No primeiro ano de atuação, o Instituto promoveu dois encontros presenciais inéditos entre abridores de letras de diferentes municípios amazônicos, com apoio de instituições parceiras como Instituto Peabiru, Fundação Escola Bosque (Funbosque), Mapinguari Design e Bienal das Amazônias.
“A criação do Instituto representa um avanço histórico na luta por reconhecimento e valorização desse ofício. É um passo decisivo contra o apagamento cultural e as ameaças de apropriação comercial”, conclui Fernanda Martins.SERVIÇO:
Campanha de financiamento coletivo – Apoie o ILQF a partir de R$25/mês
Link disponível na bio do Instagram https://www.letrasqflutuam.com.br/ e no site oficial https://www.letrasqflutuam.com.br/



