Especialista da Astronomia da USP indica os melhores fenômenos astronômicos visíveis no Brasil até o final do ano
Os próximos meses reservam boas oportunidades para quem gosta de observar o céu, mesmo em meio à poluição luminosa das grandes cidades. De acordo com o professor Roberto Costa, do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), o principal destaque de agosto será a chuva de meteoros Perseidas, que atinge o pico entre os dias 12 e 13. Chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra atravessa rastros deixados por cometas, o que provoca os tradicionais riscos luminosos no céu noturno, as chamadas “estrelas cadentes”.
“Essa chuva parece vir da direção da constelação de Perseus, mas como essa é uma constelação do Hemisfério Norte, aqui em São Paulo ela só será visível depois das três da manhã, na direção norte”, explicou o professor. Em condições ideais, podem ser observados até 60 meteoros por hora.
Mercúrio visível na madrugada
Outro evento raro para astrônomos amadores será no dia 19 de agosto, quando Mercúrio estará em sua máxima elongação oeste, o ponto mais distante do Sol em sua trajetória aparente no céu. “É uma oportunidade rara, porque Mercúrio está sempre muito próximo do Sol e, por isso, é difícil de ver. Nesse dia, ele poderá ser observado pouco antes do amanhecer, na direção leste”, disse Costa. Apesar de discreto, o planeta poderá ser visto como um ponto semelhante a uma estrela fraca.
Saturno em destaque em setembro
No dia 21 de setembro, Saturno estará em oposição ao Sol, o que significa que estará no lado oposto da Terra em relação à estrela. Isso o torna mais visível no céu noturno. “Ele vai ser bem fácil de ver. A olho nu, tem o brilho parecido com o das Três Marias”, afirmou o professor. Netuno também estará em oposição em setembro, mas não pode ser visto sem uso de telescópio.
Já os eclipses lunar, em 7 de setembro e solar, em 21 de setembro não serão visíveis do Brasil neste ano, mas sim em regiões como o Oceano Índico, Antártica e partes da Ásia e Oceania.
Superluas e novas chuvas de meteoros
Outros fenômenos esperados incluem duas superluas (quando a Lua cheia ocorre enquanto o satélite está mais próximo da Terra. Elas acontecerão em 7 de outubro, 5 de novembro e 4 de dezembro. “A Lua fica um pouco mais brilhante e maior no céu. Antigamente ninguém falava disso. Agora, todo mundo quer ver”, comentou Costa.
Outras chuvas de meteoros também estão no radar: a Draconídeas, em 7 de outubro, com taxa de apenas 10 meteoros por hora (e visibilidade limitada no hemisfério Sul), e a mais promissora, a Geminídeas, nos dias 13 e 14 de dezembro, que pode atingir até 120 meteoros por hora.
Onde observar melhor?
Para driblar a poluição luminosa de cidades como São Paulo, o professor recomenda buscar regiões afastadas. “A metrópole é uma mancha brilhante no céu. É preciso se afastar pelo menos 100 quilômetros para conseguir um céu mais escuro”, afirmou. Locais como Cananéia, Iguape e a região de Ibiúna são boas opções para os paulistas.
Além disso, quem quiser se orientar melhor pode recorrer a aplicativos e softwares como o gratuito Stellarium, que simula o céu visível de qualquer localidade em tempo real.
Fenômenos imprevisíveis
E mesmo com o calendário astronômico em mãos, o inesperado sempre pode surpreender. “Sempre pode aparecer um cometa. Alguns são descobertos de repente e exibem caudas muito extensas no céu. Foi o caso do cometa McNaught, em 2007, que pôde ser observado a olho nu em ambos os hemisférios da Terra”, lembrou o professor.
Sobre o IAG/USP – O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo é um dos principais polos de pesquisa do Brasil nas áreas de Ciências Exatas e da Terra. A missão é contribuir para o desenvolvimento do país, promovendo o ensino, a pesquisa e a difusão de conhecimentos sobre as ciências da Terra e do Universo e aspirando reconhecimento e liderança pela qualidade dos profissionais formados e pelo impacto da atuação científica e acadêmica. Na graduação, o IAG recebe em seus três cursos 80 novos alunos todos os anos. Já são mais de 700 profissionais formados pelo IAG, entre geofísicos, meteorologistas e astrônomos. Os quatro programas de pós-graduação do IAG já formaram mais de 870 mestres e 450 doutores desde a década de 1970. O corpo docente também tem posição de destaque em grandes colaborações científicas nacionais e internacionais.



