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26 de abril de 2026

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Estudantes negros recebem apoio para acessar o ensino superior 

Crédito: Freepik

Segunda edição do Programa Já É, do Fundo Baobá para Equidade Racial, selecionou 30 jovens de todo o Brasil

O Programa Já É, do Fundo Baobá, reuniu em São Paulo bolsistas do Brasil inteiro para um encontro de boas vindas. A iniciativa foi criada para enfrentar a desigualdade racial no ensino superior: embora a presença de pretos e pardos com ensino superior tenha quintuplicado em 22 anos, passando de 2,1% para 11,7%, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o índice ainda é menos da metade do registrado entre brancos (25,8%). Esta é a segunda edição do Programa, que selecionou 30 jovens, de 20 a 25 anos, oferecendo bolsas de R$ 700 mensais, durante 17 meses, para apoiar a preparação em cursinhos pré-vestibular para o ingresso em faculdades públicas ou privadas. Na primeira edição, realizada em 2021 durante a pandemia da Covid19, 32 participantes foram aprovados em vestibulares.
 

Com objetivo de celebrar a chegada da nova turma e compartilhar as orientações iniciais, o Fundo Baobá promoveu um encontro de três dias em São Paulo com os 30 estudantes selecionados. Durante a programação, eles compartilharam suas expectativas: acesso a recursos, apoio emocional, superar a defasagem do ensino médio e o desejo de inspirar outros jovens. Eles vêm de territórios diversos, como periferias, zonas rurais ou comunidades quilombolas, e enfrentam desafios como escassez de recursos financeiros, fragilidades da educação básica e a necessidade de conciliar estudos com trabalho para complementar a renda de suas famílias, fatores que interferem na continuidade dos estudos.
 

Fernanda Lopes, diretora de Programa do Fundo Baobá, destacou: “Nesses meses que vocês estarão conosco, cada vitória de vocês será também nossa. È muito importante para o Baobá esse apanhado das cidades que vocês vêm, pois isso mostra que estamos chegando nos interiores dos estados.”
 

O Baobá investiu R$ 824 mil, 19 mil por estudante, na primeira turma do Já É e investiu R$ 1.950 mil nesta segunda turma. A professora Martha Rosa, do Conselho Deliberativo do Baobá, lembrou: “no início dos anos 2000, os negros representavam apenas 2% do público universitário, hoje são 12%, e é preciso continuar ampliando essa presença com uma perspectiva interétnica”.
 

Para Giovanni Harvey, diretor executivo do Fundo Baobá, “a universidade não é um fim em si mesma. Temos tarefas cada vez mais complexas para enfrentar, e precisamos de pessoas com massa crítica para isso”. Nesse sentido, a segunda turma selecionada para o Já É mostra-se promissora: os jovens presentes demonstraram potencial para contribuir com conhecimento, inovação e transformação social.
 

Além do apoio financeiro, os estudantes vão receber mentoria coletiva e individual, acompanhamento psicológico e atividades formativas. Tudo isso para garantir que as barreiras ao acesso e permanência na universidade sejam reduzidas, levando em conta as diferentes realidades e características de cada um dos futuros vestibulandos.
 

Esta segunda edição do Já É ampliou o alcance do Programa, apoiando estudantes de 13 estados brasileiros, entre eles Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão e Rio Grande do Sul. A primeira turma do Já É, formada por jovens de São Paulo e região metropolitana, já havia mostrado a força desse apoio: 32 foram aprovados em vestibulares, sendo 10 em universidades públicas, entre elas USP (Universidade de São Paulo), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
  Estudante que fez parte da primeira edição do Já É, em 2021, Thauany Christina Aniceto, está cursando Enfermagem. O período de preparação para o vestibular foi difícil, segundo ela, mas compensador, pois atingiu seu objetivo. “Eu me esforcei muito. “Moro em Interlagos (zona sul) e trabalhava na Casa Verde (zona norte). Acordava às 3h30 da madrugada para entrar às 6h da manhã. Depois do trabalho, ia estudar. Retornava pra casa perto da meia noite. Tinha que decidir entre comer ou dormir. Mas eu consegui. O pessoal dessa turma vai conseguir também”, disse. A fala de Thauany inspirou o mineiro Rhyan Santos. “Estar aqui com todo esse pessoal já é um prêmio. O depoimento da Thauany dá mais vontade na gente. Ela é mãe solo, lutou e conseguiu. Nós vamos conseguir também. Só depende da gente”, afirmou.

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