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25 de abril de 2026

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Evento promove intercâmbio de experiências entre Brasil e Índia para ampliar escala e impacto na educação pública

Crédito: Freepik

Organizado pela Fundação Lemann e Central Square Foundation, o evento ocorreu em São Paulo e reuniu líderes filantrópicos e representantes de organizações da sociedade civil para discutir soluções à educação e para fortalecer liderança colaborativa entre os países do Sul Global

São Paulo (SP), 12 de setembro de 2025 – A Fundação Lemann e a Central Square Foundation (CSF), organização que atua na transformação da educação na Índia, reuniram diversos líderes filantrópicos, representantes do terceiro setor e especialistas do Brasil e da Índia entre os dias 9 e 11 de setembro, em São Paulo (SP), para o evento “Bridges to Change”. A troca de experiências e boas práticas no ensino público brasileiro e indiano foi o foco do evento, assim como a importância da colaboração entre os países do Sul Global para acelerar mudanças em larga escala e com qualidade na educação. Participaram representantes de fundações filantrópicas indianas, como ShikshaLokam, Mantra4Change, Pratham, Central Square Foundation e Transform School, além das organizações brasileiras Associação Bem Comum, Instituto Reúna e Motriz.

Brasil e Índia são líderes no Sul Global (bloco de países em desenvolvimento), que têm em comum a extensão territorial e grandes populações. Juntos, eles reúnem mais de 1,6 milhão de escolas e 10 milhões de professores. No evento, os especialistas destacaram a importância das parcerias entre governos, organizações filantrópicas e sociedade civil como oportunidades estratégicas para melhorar a educação e a aprendizagem de todos os estudantes.

O CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, destacou durante o encontro os desafios de implementar políticas públicas eficazes na educação e o quanto o intercâmbio de ideias e iniciativas educacionais pode ser inspirador. “Acreditamos que o Brasil será um país mais justo e desenvolvido quando todas as pessoas puderem atingir seu potencial e a educação pública de qualidade é essencial para isso. Esse desafio não depende apenas de boas ideias, mas colocá-las em escala e sustentá-las ao longo do tempo”, afirmou. “Os dois países (Brasil e Índia) têm enormes desigualdades e, ao mesmo tempo, têm seu maior potencial nas suas pessoas. Se a gente garantir que toda criança brasileira e indiana consiga atingir o seu pleno potencial, teremos um mundo muito diferente. É gratificante ter dezenas de organizações desses dois países trabalhando juntas, construindo canais de comunicação e trocando boas práticas para que a gente consiga ser ainda mais bem-sucedido nesse desafio de transformar a educação brasileira”, falou.

O papel da tecnologia na educação foi um dos temas discutidos no evento. Segundo os especialistas, o desafio vai além da infraestrutura digital e envolve também o uso conectado à prática pedagógica para melhorar a aprendizagem dos estudantes e a formação de professores. Na Índia, é uma ferramenta fundamental na gestão educacional, considerando a dimensão territorial.

Neste sentido, Denis Mizne destaca como a colaboração entre os países pode ser produtiva: “Duas áreas se sobressaíram no evento: a formação de lideranças, pois a Índia não tem diretores em muitas de suas escolas, e o uso da tecnologia aplicada à gestão da aprendizagem, algo que a Índia fez muito bem. Tivemos, portanto, vários elementos práticos para trocar e agora abrimos uma agenda de colaboração para o futuro”, destacou Mizne. “Muitas vezes as pessoas dizem que vai levar 20 anos para mudar a educação e penso um pouco diferente. Demora se você não pensa na escala certa, com os parceiros certos”, afirmou.

A filantropia no contexto educacional também foi amplamente debatida durante os três dias de evento. Nos dois países, a atuação das organizações filantrópicas é direcionada à resolução de problemas e à atuação de forma sistêmica, em colaboração com governos. O CEO da Fundação Lemann destacou que a atuação conjunta de sociedade civil, filantropia e governos pode mudar o ponteiro da aprendizagem. “Trabalham juntos, olhando sistemicamente para o que precisa ser feito, acompanhando os resultados, trocando, aprendendo e sustentando isso no tempo. Foi isso que ajudou a Índia a alcançar alguns dos sucessos que eles compartilharam e foi também isso que ajudou o Brasil, por exemplo, a dobrar o número de crianças alfabetizadas nos últimos quatro anos”, comentou Mizne.

Conexão Brasil-Índia

Os desafios dos dois países com a diversidade em cada território e as grandes escalas foi abordado no painel “Como garantir o direito à aprendizagem e engajar lideranças educacionais”. Apesar de terem conseguido avançar nos últimos anos em termos de acesso dos estudantes à escola, Brasil e Índia ainda enfrentam questões com a qualidade da educação, que varia conforme a região. A Índia, por exemplo, possui 22 idiomas oficiais, o que torna o cenário ainda mais complexo.

A cofundadora e diretora de operações da ShikshaLokam, Khushboo Awasthi, organização indiana reconhecida e cuja missão é tornar o tema da liderança educacional uma prioridade nacional, falou sobre a formação dos gestores da educação. “Na Índia, temos um milhão de escolas públicas. Se cada uma fizer uma micro melhoria por dia, teremos mais de 10 milhões de avanços por ano. Não podemos esperar que tudo venha de cima”, explicou ela sobre o papel essencial das lideranças bem preparadas nas escolas.

Na mesma linha de reforçar as lideranças na educação, a presidente do Centro Lemann, Anna Penido, falou da necessidade de preparar líderes políticos comprometidos com o ensino: “Podemos formar coalizões e unir esforços entre governo e sociedade civil para deixar um legado de transformação”.

A conexão entre Brasil e Índia foi tema da conversa entre a conselheira sênior da Central Square Foundation, Dra. Jayshree Oza, e a educadora e ex-secretária executiva do Ministério de Educação Izolda Cela, mediadas pela vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Daniela Caldeirinha. Izolda destacou as muitas pontes possíveis entre os dois países: “A recomposição da aprendizagem é necessária a todo momento, não apenas após a pandemia. Protocolos de observação, acompanhamento e mentoria são bem-vindos para apoiar a evolução”. Jayshree complementou: “O exemplo brasileiro é muito positivo. A preocupação com o clima e as diversidades já estão incorporadas no currículo nacional. São pílulas que levaremos para implementação na Índia”.

No painel “Caminhos para ampliar soluções e garantir políticas de longo prazo em países de grande porte e demografia complexa”, a gestora da diretoria de Coordenação Executiva da Associação Bem Comum, Márcia Campos, o cofundador da Mantra4Change, Santosh More, a diretora executiva do Instituto Reúna, Katia Smole, e o CEO e cofundador da Transform Schools, Pankaj Sharma, discutiram os desafios da escala e da sustentabilidade, moderados pela vice-presidente de Desenvolvimento Institucional da Fundação Lemann, por Camila Anker.

Santosh destacou que a tecnologia permite muitos avanços, mas sozinha não funciona. “Ela precisa ser bem desenhada e escalada. Não adianta colocar a culpa na tecnologia quando algo não funciona. As micro melhorias devem acontecer em todas as áreas na educação, inclusive entres as lideranças, para alcançarmos o aprendizado ideal.” Katia Smole acrescentou que “é preciso ter metas possíveis, paciência e consistência para que, em dez anos, possamos alcançar transformações reais”.

Pankaj Sharma trouxe a perspectiva de acessibilidade à tecnologia, mas sempre com apoio pedagógico: “Na Índia, por conta dos investimentos públicos, a tecnologia é acessível e empoderadora. Mas o excesso de informação exige curadoria. Precisamos oferecer a tecnologia certa ou os alunos a usarão de forma errada. Com dados, podemos responsabilizar e cobrar progresso, inclusive em termos de equidade”, disse. O evento reforçou que a colaboração entre Brasil e Índia pode gerar aprendizados valiosos e soluções escaláveis para os desafios educacionais do Sul Global.

Sobre a Fundação Lemann

A Fundação Lemann é uma organização filantrópica familiar, independente e apartidária, que desde 2002 fortalece a educação pública e apoia o desenvolvimento de lideranças diversas e representativas. Juntos, somamos forças com organizações, especialistas e Centros de Pesquisa, investimos em iniciativas inovadoras e produzimos conhecimento aplicado para impulsionar mudanças sistêmicas. Até 2031, nossas ações estão focadas na alfabetização no tempo adequado, na recomposição das aprendizagens com equidade racial e na conexão de lideranças comprometidas com a transformação do Brasil.

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