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Mais que um distúrbio do sono, a apneia obstrutiva ameaça a saúde e a qualidade de vida, explica a Dra. Juliana Búrigo
A cirurgiã-dentista desmistifica e esclarece mitos e verdades sobre essa condição.
MITOS E VERDADES:
EXISTEM APARELHOS / DISPOSITIVOS QUE TRATAM A APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO DE FORMA DEFINITVA
MITO
Não. Os aparelhos e dispositivos que existem no mercado e tratam a apneia do sono conseguem controlá-la de uma forma temporária e não definitiva. Eles só têm efeito positivo no quadro da síndrome durante a sua utilização. Nos horários e nos períodos nos quais os usuários não conseguem utilizá-los, não haverá efeito algum sobre os episódios de apneia durante o sono. Dentre estes aparelhos disponíveis no mercado encontram-se o CPAP (Pressão Positiva Contínua sobre as Vias Aéreas), o qual é utilizado para aumentar a pressão do fluxo de ar na via aérea durante a sua utilização e o aparelho do ronco, que projeta o osso mandibular para frente durante o sono, promovendo um aumento parcial temporário da via aérea posterior e da passagem do ar para os pulmões durante a sua utilização devido à projeção temporária para anterior dos tecidos moles que envolvem esta região. Há que se comentar aqui que este último precisará ser indicado mediante a avaliação prévia da saúde das articulações do osso mandibular, pois, em articulações degeneradas, deterioradas ou que tenham as suas cartilagens (meniscos) deslocadas, este aparelho tenderá a agravar e piorar os sinais e sintomas destes distúrbios que acometem as articulações, os chamados distúrbios têmporo mandibulares (DTMs).
NÃO EXISTE TRATAMENTO DEFINITIVO PARA A APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO:
MITO
Existe, sim, tratamento definitivo para a apneia obstrutiva do sono. A cirurgia ortognática, ao promover um avanço no sentido horizontal de forma definitiva dos ossos maxilar e mandibular do paciente afetado, aumenta o espaço aéreo posterior de forma considerável a ponto de eliminar por completo a obstrução dos tecidos moles posteriores que compõe a via aérea, pois, estes tecidos avançam conjuntamente aos ossos avançados e posicionam-se para sempre em uma região mais anterior, eliminando na maioria das vezes por completo o bloqueio da via aérea causador da apneia obstrutiva do sono pelo bloqueio da passagem do ar para os pulmões durante o sono.
A CIRURGIA ORTOGNÁTICA PARA TRATAMENTO DA APNEIA DO SONO É SUPER AGRESSIVA E DE ALTA MORBIDADE
MITO
A cirurgia é realizada sob anestesia geral, porém, a modernidade das drogas anestésicas e dos materiais de fixação óssea fazem com que atualmente ela seja um procedimento cirúrgico altamente seguro e com recuperação relativamente rápida.
DEPRESSÃO, LETARGIA, CANSAÇO, TRISTEZA, CEFALÉIAS, CONFUSÃO MENTAL, SONOLÊNCIA DIURNA, FRAQUEZA SÃO SINAIS E SINTOMAS ASSOCIADOS À SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO (SAOS)
VERDADE
Sim, a falta de oxigenação cerebral e, consequentemente, a falta de oxigenação a nível corporal, provocam sinais e sintomas que atrapalham e incapacitam parcialmente ou até totalmente a rotina diária das pessoas atingidas por esta síndrome
PROBLEMAS CARDÍACOS PODEM SER DESENCADEADOS PELA APNEIA DO SONO
VERDADE
Sim, a síndrome aumenta a pressão arterial, pois, faz-se necessário que o coração bombeie o fluxo sanguíneo com mais força para que seja possível que o oxigênio chegue a todas as extremidades do corpo. Portanto, este aumento dos batimentos cardíacos manifesta-se diretamente em um aumento importante das medições da pressão arterial.
O EMAGRECIMENTO RESOLVE A SÍNDROME DA APNÉIA DO SONO
MITO
Não. Pode até resolver parcialmente e de forma temporária, porém, o bloqueio da via aérea posterior não se dá por excesso de peso, mas, sim, por um bloqueio da passagem do ar na via aérea por uma questão anatômica: o retrognatismo esquelético (posicionamento para trás) dos ossos maxilar e mandibular da face do paciente, o qual faz que todos os tecidos moles da região (pele, gordura, músculos etc.) também estejam posicionados para trás.
CIRURGIAS OTORRINOLARINGOLÓGICAS CORRIGEM A SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
MITO
Não. Elas podem promover uma melhora parcial por aumentarem a circulação de ar em alguma porção das vias aéreas, porém, não conseguem resolver nem tratar a síndrome de forma definitiva porque não tem a capacidade de desbloquear o espaço aéreo inferior posterior reduzido e atrofiado causado pelo retro posicionamento dos ossos maxilar e mandibular. Este retro posicionamento ósseo somente poderá ser completamente solucionado através do avanço definitivo destes ossos promovido pela cirurgia ortognática.
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Dra. Juliana Búrigo
A Dra. Juliana Búrigo, cirurgiã-dentista especializada em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, celebra 25 anos de atuação na odontologia — sendo duas décadas dedicadas à cirurgia bucomaxilofacial. Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), sua trajetória profissional é marcada pela excelência clínica, atualização científica constante e um atendimento profundamente humano.
À frente da Clínica Juliana Búrigo, localizada em Criciúma-SC, a profissional oferece serviços que vão desde cirurgias em toda a região maxilofacial até reabilitações orais complexas com implantes, próteses e restaurações estéticas. Também atua com ortodontia voltada à preparação para cirurgias ortognáticas e reabilitações funcionais completas, sempre com foco em casos de alta complexidade.
“Tenho verdadeira paixão por reconstruir sorrisos. Atendo muitos pacientes que chegam em uma situação real de vulnerabilidade, física e emocional, e cada caso é tratado com dedicação total, baseada em evidências científicas recentes e foco na excelência”, destaca.
Entre os procedimentos mais procurados em sua clínica estão as reabilitações bucais complexas, nas quais a dentição é reconstruída praticamente do zero, e as cirurgias maxilofaciais. Para isso, a Dra. Juliana utiliza implantes dentários de tecnologia alemã e materiais de altíssima qualidade. Embora reconheça os avanços dos alinhadores invisíveis no mercado, ela defende o uso dos bráquetes metálicos convencionais em casos clínicos severos, complementados com ancoragens esqueléticas como mini placas de titânio e mini parafusos ortodônticos.
Conhecida por seu estilo calmo, detalhista e empático, a Dra. Juliana acaba criando laços próximos com os pacientes ao longo dos tratamentos, que muitas vezes são longos e transformadores. “Muitos acabam se tornando amigos. Os tratamentos exigem convivência intensa, e estou sempre disposta a ouvir, orientar e acolher cada um com respeito e honestidade.”
Para os próximos anos, seu plano é simples e firme: continuar sendo uma referência em competência e honestidade. “Sei que não agradamos a todos, mesmo dando o nosso melhor. Mas sigo com o compromisso de oferecer o que há de mais completo e eficaz para quem confia em mim.”



