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Dr. Lucas Nacif, membro da ABTO, explica as principais dúvidas que impedem avanço da cultura de doação no Brasil
O Setembro Verde é o mês de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. No Brasil, mais de 78 mil pessoas aguardam por um transplante, mas apenas 30 mil procedimentos foram realizados pelo SUS em 2024. Apesar dos avanços, a doação ainda enfrenta barreiras relacionadas à desinformação.
O Dr. Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), esclarece os principais equívocos que cercam o tema e reforça: “A doação de órgãos é um ato de solidariedade que pode transformar vidas. Para que essa cultura se fortaleça, é fundamental que cada pessoa converse com sua família sobre a decisão de se tornar doador”.
Abaixo, o especialista derruba os principais mitos e esclarece a verdade por trás da doação de órgãos:
“Existe privilégio na fila de transplantes”
Mito: O Sistema Nacional de Transplantes mantém uma lista única e transparente para todos os pacientes brasileiros, independentemente de estarem em hospitais públicos ou privados. “Muitas pessoas acreditam que existe algum tipo de privilégio nos transplantes, mas a realidade é completamente diferente. A lista única nacional é um dos sistemas mais justos que temos na medicina brasileira”, explica Dr. Lucas Nacif.
“A fila de transplantes segue apenas ordem cronológica”
Mito: Segundo o especialista, a prioridade considera múltiplos fatores além da ordem de inscrição. “Pacientes em estado mais grave podem subir na lista, assim como aqueles com maior compatibilidade com o órgão disponível. O sistema também considera a distância entre doador e receptor, já que alguns órgãos, como o coração, têm poucas horas de viabilidade fora do corpo.”
“Idade avançada ou histórico de vícios impedem automaticamente a doação”
Mito: Estes fatores podem ser limitadores, mas não impedem automaticamente a doação. “Fatores como idade avançada, histórico de tabagismo, uso de drogas ou consumo excessivo de álcool podem ser limitadores, mas não impedem automaticamente a doação. A decisão final sempre cabe à equipe médica especializada”, explica o médico transplantador.
“A família é quem autoriza a doação”
Verdade: Mesmo que você tenha o desejo de ser doador, é fundamental comunicar essa decisão à sua família, pois ela é quem autoriza o procedimento no momento do falecimento. E de acordo com o Dr. Nacif: “A necessidade de diálogo sobre doação de órgãos nunca foi tão evidente.”
“Um único doador pode salvar até 10 vidas”
Verdade: Após morte encefálica, é possível doar coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, intestino, córneas e tecidos. Também existe a doação em vida para órgãos duplos como rins, parte do fígado e medula óssea.
“Todo doador passa por avaliação criteriosa”
Verdade: Tanto doadores em vida quanto após morte encefálica passam por rigorosa avaliação médica. “Todo doador em vida passa por uma avaliação completa para garantir que a doação será segura tanto para ele quanto para o receptor. No caso da doação após morte encefálica, a avaliação é feita por equipes especializadas, considerando diversos critérios técnicos”, finaliza Dr. Lucas Nacif.
Saiba mais sobre o Dr. Lucas Nacif: Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral.



