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Seminário “Inteligência Ambiental: Vetor da Competitividade Industrial”, destacou papel estratégico do setor na transição para economia de baixo carbono e sustentável
Às vésperas da COP 30, o Brasil se consolida como protagonista na transição global para uma economia verde e de baixo carbono. E, no centro dessa transformação, está a indústria nacional de máquinas e equipamentos. Esse foi o tom do seminário “Inteligência Ambiental: Vetor da Competitividade Industrial”, promovido pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) na última terça-feira (14), que reuniu representantes do setor, autoridades e especialistas para debater os caminhos da sustentabilidade e da inovação industrial.
Durante a abertura, o diretor conselheiro da ABIMAQ, Daniel Godinho, enfatizou o papel de destaque da indústria nacional dentro do tema. “São as nossas máquinas que permitem produzir com menos, reduzir desperdícios e elevar padrões de qualidade. Eficiência é o novo nome da sustentabilidade”, disse Godinho.
Brasil como potência verde
O ex-ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, foi o palestrante principal do evento com a apresentação “O Setor de Máquinas e Equipamentos como Protagonista da Nova Economia”. Segundo ele, o Brasil vive um momento único para transformar sua vantagem ambiental em liderança econômica global e reúne todas as condições para se consolidar como a maior potência verde do planeta. “Nosso território, a matriz energética limpa e o volume de água renovável, que é o dobro da soma dos Estados Unidos, Índia e China, demonstram nosso diferencial”, afirmou Joaquim Leite, apontando o agronegócio brasileiro como um dos principais motores dessa transformação.
“Temos um agronegócio eficiente, que transforma água, sol e terra em um volume de alimentos impressionante, impulsionado pela energia solar e pela tecnologia. O setor de máquinas e equipamentos é quem viabiliza essas soluções, transformando oportunidades em produtividade, inovação e eficiência energética. Existem trilhões de reais em oportunidades na economia verde até 2030 e quem souber aproveitá-las poderá liderar o mercado global”, completou.
Segundo Joaquim Leite, a transição energética e o saneamento básico, com R$ 700 bilhões previstos até 2033 para tecnologias de tratamento, reuso e automação, representam os principais vetores de oportunidades para a indústria nacional.
Além disso, o Brasil deve mobilizar R$ 450 bilhões em investimentos de hidrogênio verde até o final do ano e receber R$ 200 bilhões em investimentos em energia eólica até 2030.
Outra vantagem citada foi a exploração das terras raras, das quais o Brasil utiliza apenas 1% do seu potencial. “O mercado de máquinas verdes e digitais só tende a crescer. Quem souber capturar valor por meio de financiamentos sustentáveis e parceria estratégicas estará à frente na nova economia de baixo carbono que a COP 30 deve impulsionar”, finalizou.
Posicionamento estratégico da ABIMAQ: Meio Ambiente e Clima
A diretora técnica da Vivens Business School, Adriana Mello, apresentou o novo posicionamento da ABIMAQ frente à agenda ESG, destacando que a sustentabilidade não é mais uma pauta de risco, mas de inovação e geração de negócios.
“Estamos entrando na sexta onda de inovação tecnológica, marcada pela inteligência ambiental e pelas clean techs. Investir em máquinas eficientes gera redução de custos, aumento de produtividade e competitividade global. A competitividade do setor passa por essa agenda”, afirmou Adriana.
Painéis destacam inovação e integração setorial
O primeiro painel, “Máquinas e Equipamentos – Protagonismo na Transição Energética e Economia de Baixo Carbono”, mediado por Marcelo Freire, ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente e executivo da Vivens, reuniu Alberto Machado (ABIMAQ), Daniel Godinho (WEG), Rafael Serpa (Neuman & Esser) e Rodrigo Lauria (VALE).
Para Alberto Machado, Diretor Executivo de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia, Hidrogênio e Petroquímica da Associação, o setor é decisivo na transição verde: “Não há economia verde sem indústria. E não há indústria sem máquinas e equipamentos eficientes, digitais e conectados”. Segundo ele, o desafio é modernizar o parque fabril e ampliar o acesso a financiamentos verdes, especialmente para pequenas e médias empresas.”
O segundo painel, “Inteligência Ambiental como Vetor de Competitividade – o Caso do Agro”, abordou a aplicação de tecnologias avançadas para tornar a produção agrícola mais eficiente, sustentável e segura.
Entre os participantes, Alfredo Miguel (John Deere), Gabriel Moreira (Valmont), Eduardo Bastos (ABAG) e Wanderson Tosta (Jacto) destacaram exemplos de inovação no setor que garantem segurança alimentar e a redução dos impactos ambientais.
“Produzir mais na mesma área, sem desmatar e sem comprometer a qualidade do solo e da água, é o grande desafio”, afirmou Eduardo Bastos diretor do iEAg da ABAG.
Rumo à COP 30
O seminário reforçou o papel da ABIMAQ como articuladora da transformação produtiva e promotora do protagonismo industrial brasileiro. Às portas da COP 30, a entidade destacou que a competitividade da indústria nacional depende de eficiência, inovação e inteligência ambiental, consolidando o setor de máquinas e equipamentos como força motriz da economia verde global.



