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Em meio a um cenário de desinformação e influência crescente da inteligência artificial, o pensamento crítico voltou ao centro das discussões sobre educação e cidadania no Brasil. Um levantamento realizado pela Arco Educação e Beyond Education com 80 mil alunos de 878 escolas particulares apontou que apenas 30% dos estudantes atingem níveis “avançado” ou “expert” em pensamento crítico.
Pesquisadores destacam que a capacidade de analisar informações, questionar narrativas e tomar decisões fundamentadas é um dos pilares da educação contemporânea. Um estudo publicado na Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA (2024) indica que fatores fisiológicos, psicológicos, socioculturais e educacionais influenciam diretamente o desenvolvimento do pensamento crítico. Isso significa que não basta investir em metodologias inovadoras: é preciso considerar também desigualdades sociais e condições estruturais para que a análise crítica floresça.
Na prática, educadores têm apostado em estratégias baseadas em problemas reais e diálogos abertos. Meta-análises internacionais já comprovaram que essas abordagens aumentam a autonomia e a capacidade de raciocínio dos estudantes. Além disso, empresas também começam a valorizar cada vez mais essa habilidade. Segundo pesquisa citada pelo MIT/Harvard, o pensamento crítico aparece entre as competências mais buscadas no século 21, ao lado da resolução de problemas complexos e da comunicação eficaz, frequentemente acima de habilidades tradicionais como cálculo e escrita.
O avanço da IA, por sua vez, levanta um alerta e, de acordo com um estudo do MIT Media Lab (2024), estudantes que usaram ferramentas como o ChatGPT para escrever ensaios tiveram menor ativação cerebral, menos memória e menor originalidade em comparação com colegas que não recorreram à IA. O dado acende um debate sobre o risco de que a tecnologia, quando usada sem reflexão, substitua a análise crítica em vez de estimulá-la.
Para a co-fundadora da Página 3 e especialista em comportamento e tendências, Georgia Reinés, desenvolver pensamento crítico é mais do que uma demanda escolar: é um desafio social. “Em um contexto em que a informação circula com velocidade e volume impressionantes, o pensamento crítico é cada vez menos estimulado, ao mesmo tempo que se torna ainda mais necessário. Somente por meio da análise cuidadosa e da disposição em questionar conseguimos formar cidadãos conscientes e sociedades mais democráticas”, afirma.
Com a ascensão de novas tecnologias e a constante disputa por atenção, o Brasil se vê diante de um dilema: como garantir que a próxima geração aprenda a pensar de forma crítica e independente? Os dados mostram avanços no desempenho dos estudantes, especialmente em competências socioemocionais, como colaboração (44%) e pensamento crítico (30%). O cenário reforça a urgência de políticas públicas, práticas pedagógicas inovadoras e investimento em literacia midiática para transformar o senso crítico em prática cotidiana.
Caso tenha interesse na pauta, basta me avisar que faço a ponte com a executiva.
A Página 3 é uma consultoria que atua no campo da estratégia, combinando análise crítica e metodologias próprias para apoiar líderes e organizações na tomada de decisões. Com entregas que vão de artigos, relatórios e filmes a experiências presenciais e imersivas, a empresa busca equilibrar profundidade analítica e agilidade, oferecendo soluções que resolvem desafios e inspiram transformações duradouras.
Georgia é cofundadora da Página 3 e especialista em inovação, comportamento e tendências, com foco em transformar insights culturais em novos negócios e estratégias de crescimento. Empreendedora em sua segunda jornada, reúne mais de 10 anos de experiência em pesquisa e desenvolvimento de soluções estratégicas. Fundadora da KOGA, área de negócios da DOJO, onde atuou junto a clientes como Amazon, Itaú e Havaianas, e também integrou equipes da Box1824 e co-fundou Sharp Inteligência Cultural.



