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26 de abril de 2026

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Transformação digital não é só sobre tecnologia, mas também sobre pessoas

Crédito: Freepik

Especialista na área de tecnologia, que liderou mudanças em três continentes, revela porque projetos tecnológicos bilionários falham quando ignoram o fator humano

Apesar do avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos dados em tempo real, até 84% dos projetos de transformação digital falham. O motivo, segundo o especialista na área de tecnologia, William de Paiva Bella, não está na tecnologia, mas nas pessoas. Com mais de uma década de experiência liderando transformações digitais na Europa, África e América Latina, Paiva afirma que “Tecnologia é a parte fácil. O desafio real é entender e preparar pessoas para a mudança”.

O executivo explica que, sistemas modernos e eficientes foram rejeitados em diversos projetos por funcionários que não participaram do processo. “Presenciei sistemas brilhantes serem sabotados, não por má vontade, mas por resistência natural de quem não foi consultado sobre mudanças que afetariam seu trabalho”, explica. Um dos casos mais emblemáticos foi o de uma rede corporativa que implementou uma plataforma de IA, e após meses de investimento, a taxa de uso não passava de 40%.

O diferencial foi quando a equipe passou a ouvir os funcionários, recepcionistas e operadores, e adaptou o sistema às suas rotinas. Em seis meses, o índice de utilização ultrapassou 85%, sem grandes mudanças técnicas, apenas com envolvimento genuíno das pessoas.

Outro ponto preocupante para a recusa é o medo da perda de empregos. Segundo o empreendedor, ao anunciar automação ou IA, muitas empresas ignoram o impacto emocional nos colaboradores. Ele cita o exemplo de um chatbot que automatiza tarefas repetitivas no RH. “Fomos transparentes ao dizer que algumas funções seriam automatizadas, mas as pessoas seriam redirecionadas para áreas de maior valor e que estavam sendo negligenciadas, como recrutamento e cultura”, relata. O resultado foi aumento da satisfação e mais produtividade.

Para Paiva, liderar a transformação digital é entender pessoas. Coordenar equipes diversas exige compreender motivações individuais e diferenças culturais. “Não existe fórmula única. O que funciona em um banco europeu pode falhar em uma startup brasileira, não por causa da tecnologia, mas pelo modo de trabalho de cada pessoa”, destaca.

O executivo também pontua a pressa por resultados. “Empresas gastam milhões em sistemas e oferecem dois dias de treinamento. É como comprar um carro de Fórmula 1 e esperar que alguém o dirija após 20 minutos de instrução”, compara.
Paiva defende que transformar mentalidades é uma maratona, não um sprint.

Segundo o profissional, existe o alerta para o perigo de subestimar profissionais experientes ou idealizar a ideia da juventude digital. Para ele, o sucesso está em combinar fluência tecnológica com sabedoria institucional, criando equipes intergeracionais.

“A pergunta certa não é ‘qual tecnologia implementar’, mas ‘como preparar nossas pessoas para prosperarem em um ambiente transformado’. Quando acertamos essa resposta, a tecnologia se encaixa naturalmente”, afirma.

O especialista ainda afirma que a transformação digital bem-sucedida não acontece porque a tecnologia é boa, mas sim porque as pessoas decidem abraçá-la. Mas só abraçam essas mudanças ao sentirem que estão seguras, capacitadas, sendo ouvidas e vendo um propósito claro no que está sendo pedido.

E a sua empresa, como tem se preparado para a transformação digital?

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