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Guia “No Clima Certo” propõe estratégias para professores da região integrarem educação midiática e climática no currículo escolar
Com a COP30 em andamento em Belém (PA), a discussão sobre a crise climática também chega às salas de aula. Em meio à avalanche de informações falsas sobre o clima e seus impactos, o guia “No Clima Certo: combatendo a desinformação climática nas escolas”, lançado pelo Redes Cordiais em parceria com a Embaixada do Reino Unido, propõe caminhos concretos para que professores atuem como agentes de enfrentamento à desinformação e promotores de pensamento crítico.
Conteúdos falsos circulam 70% mais rápido que as informações verificadas, de acordo com estudos do MIT. Essa dinâmica tem impacto direto em todo o país, onde eventos extremos, como secas e enchentes, tornam o tema climático uma questão cotidiana. O Brasil enfrenta 14 ameaças climáticas distribuídas por todas as regiões, e os estados do Norte estão entre os mais expostos a desastres e à desinformação, de acordo com os dados do Relatório Bienal de Transparência do Brasil.
“A escola é um ambiente estratégico para o combate à desinformação climática. É nela que se forma o olhar crítico, a confiança na ciência e a capacidade de distinguir fatos de manipulações. A desinformação climática é hoje uma das maiores ameaças à ação ambiental. Criada para manipular, gerar medo e proteger interesses econômicos, ela se espalha nas redes sociais com velocidade superior à dos fatos”, destaca Clara Becker, diretora executiva do Redes Cordiais.
Abaixo, algumas dicas para combater a desinformação nas escolas.
1. Ensinar a checar fontes
Um dos primeiros passos, segundo o guia, é formar leitores críticos. Professores devem ensinar os alunos a identificar quem produz uma informação, quando foi publicada e se apresenta dados verificáveis. Falsos especialistas, textos sem fontes e conteúdos patrocinados por grupos de interesse são os principais sinais de alerta. A recomendação é que educadores promovam o uso de ferramentas de checagem e incentivem o hábito de desconfiar antes de compartilhar.
2. Trabalhar o tema de forma transversal
O guia defende que o combate à desinformação não deve ser tratado como uma disciplina isolada. A proposta é abordar o tema em projetos interdisciplinares, ligando ciências, geografia, português e artes. Professores podem propor que os estudantes analisem boatos sobre o clima local, pesquisem as origens das mensagens e criem seus próprios conteúdos informativos, fortalecendo o senso de responsabilidade digital e ambiental.
3. Integrar educação midiática e climática
A alfabetização midiática, afirma o guia, é parte da formação cidadã. Compreender como funcionam os algoritmos e as “bolhas informacionais” das redes sociais ajuda os jovens a perceber como o ambiente digital molda sua visão sobre o meio ambiente. O documento defende que a escola deve preparar os alunos para atuar nesse cenário com ética, empatia e base científica, especialmente nas regiões onde a desinformação influencia a percepção sobre a Amazônia.
4. Dar voz aos estudantes
O guia também destaca a importância de ampliar o protagonismo juvenil por meio de projetos de comunicação. Produzir podcasts, vídeos e campanhas digitais permite que os estudantes expressem como vivem os efeitos da crise climática e se engajem na busca por soluções. Essa abordagem, afirma o material, é essencial para lidar com a chamada “ansiedade climática”, um fenômeno crescente entre jovens que se sentem impotentes diante das mudanças ambientais.
5. Tornar a escola um espaço resiliente
Por fim, o guia propõe que as escolas se tornem “resilientes”, ou seja, capazes de continuar funcionando mesmo diante de eventos extremos, como enchentes e ondas de calor. Isso envolve tanto adaptações na infraestrutura quanto a inclusão da educação climática no currículo, conectando o aprendizado à realidade local. Projetos de hortas, monitoramento do uso de água e energia e debates sobre desastres ambientais da região são exemplos práticos.
O guia “No Clima Certo” é resultado de uma de um estudo do Redes Cordiais e teve parceria da Embaixada do Reino Unido. O guia foi construído a partir de fontes reconhecidas como Observatório do Clima, INPE, Climainfo, Instituto Fala. A publicação integra o legado educacional da COP30, reforçando que o enfrentamento à crise climática começa pela informação.
Sobre o Redes Cordiais – Criado em 2018, o Redes Cordiais tem a missão de construir um ambiente digital mais saudável e confiável, estimulando comunidades comprometidas com diálogos democráticos em uma internet livre. A iniciativa aposta na educação midiática e nas habilidades necessárias para lidar de forma crítica e responsável com diferentes mídias, do jornal impresso aos aplicativos digitais, sempre valorizando o jornalismo de qualidade, o diálogo e a tolerância. Em sete anos de atuação, o projeto já engajou mais de 300 influenciadores, que somam 140 milhões de seguidores, publicou guias e e-books sobre desinformação e segurança digital e treinou milhares de jornalistas em temas como IA e saúde mental. O reconhecimento internacional veio com a citação no mapa da Unesco sobre educação midiática, que destacou o Redes Cordiais como uma das principais iniciativas brasileiras na área. Saiba mais em: www.redescordiais.org.br



