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Entidade teve participação destacada na Conferência do Clima, liderando debates sobre mudança climática e firmando parcerias estratégicas
Belém, 24 de novembro – A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) encerra a sua participação da COP30 com diversas entregas relevantes para seus oito países-membros. O Pavilhão da América Latina, Caribe e Amazônia, uma parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), foi palco de cerca de 20 eventos e atraiu centenas de pessoas dispostas a debater assuntos ligados à Amazônia com os especialistas da OTCA e seus convidados. O espaço abrigou discussões de alto nível sobre temas relevantes para a região, como bioeconomia, povos indígenas, saúde e segurança, entre outros, que se conectam à mudança climática e à busca de soluções para evitar o ponto de não retorno.
Um dos destaques do Pavilhão foi a experiência interativa com o Observatório Regional Amazônico (ORA), que apresentou mapas e informações georreferenciadas do bioma amazônico como um exemplo pioneiro de compilação regional de dados científicos. Os visitantes puderam navegar pelo sistema e conhecer mais sobre a interação entre diversas variáveis que impactam o clima, como fogo, desmatamento e água, entre outros.
“A COP30 foi um importante marco para reforçar, cada vez mais, a cooperação entre os países membros para a proteção da Amazônia e de sua população”, afirma Martín Von Hildebrand, secretário-geral da OTCA. “Esse é um trabalho que precisa ser feito em conjunto, pois todos são igualmente afetados pelas mudanças climáticas”, completa.
Além da intensa troca de experiências com cientistas, representantes de governos, entidades multilaterais e bancos de desenvolvimento, durante a COP30 a OTCA firmou importantes compromissos que irão reforçar a sua atuação nos próximos anos. Entre eles, destacam-se:
- Reunião de Ministros de Meio Ambiente dos Países-Membros da OTCA – o evento contou com a presença das ministras Marina Silva, do Brasil; María Susana Muhamad González, da Colômbia; do ministro Ricardo Molina, da Venezuela; e de representantes do Peru e do Suriname. O destaque foi a reativação da Comissão Especial de Meio Ambiente e Clima. O órgão é formado pelos ministros do meio ambiente dos oito países-membros, com o objetivo de reforçar ações conjuntas de proteção ao bioma amazônico e a implementação de políticas integradas de adaptação climática.
- Mecanismo Amazônico dos Povos Indígenas (MAPI) – também foi realizada uma reunião de alto nível para tratar do recentemente criado Mecanismo Amazônico dos Povos Indígenas (MAPI), com a presença da ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, e do Prêmio Nobel da Paz e ex-presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. O MAPI terá uma composição inovadora de copresidência, na qual cada país membro será representado por um delegado governamental e um delegado indígena, garantindo assim a paridade e a participação ativa dos povos indígenas na agenda da OTCA.
- Mecanismo Amazônico de Cooperação e Ação (MACA) – a OTCA anunciou, em evento em seu pavilhão, a proposta do mecanismo financeiro e seu nome. Trata-se de uma iniciativa regional criada para financiar ações que implementem a agenda comum amazônica: biodiversidade, florestas, água; medidas urgentes para evitar o ponto de não retorno do bioma e desenvolvimento econômico com inclusão social. O objetivo é somar 250 milhões de dólares em 10 anos, com a colaboração dos países-membros da Organização e de entidades e bancos multilaterais.
- Projeto Regional OTCA – Florestas e Mudanças Climáticas – O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram a elegibilidade do projeto para um apoio financeiro de R$ 55 milhões do Fundo Amazônia. Os recursos serão usados em sistemas nacionais de monitoramento da cobertura florestal na região e no fortalecimento de capacidades técnicas e institucionais para prevenção e controle do desmatamento e da degradação florestal. A iniciativa contará com a parceria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), instituição brasileira que atuará na transferência de tecnologia para os demais países membros da OTCA.
- Programa Regional de Gestão Integral do Fogo na Floresta Amazônica (GIF) – a OTCA assinou, com o Banco de Desenvolvimento KfW, em nome do Ministério Federal Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ), e com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), um Acordo de Financiamento e Implementação, com investimento total de 18,7 milhões de euros e uma duração prevista de três anos e meio (2026-2029), para fortalecer as capacidades dos oito países-membros da Organização em prevenção, resposta e recuperação de incêndios florestais em áreas nacionais e transfronteiriças.
A OTCA também assinou carta de intenções com o Painel Científico pela Amazônia (SPA) para estabelecer as bases para uma cooperação científica e técnica orientada a fortalecer a produção de conhecimento sobre a região amazônica; e com a Associação
de Universidades Amazônicas (UNAMAZ), para fortalecer a ciência, a tecnologia, a inovação e a educação intercultural nos oito países que compõem a bacia amazônica.
Sobre a OTCA
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) é a principal entidade intergovernamental da região amazônica, criada com o objetivo de promover a cooperação entre os países membros – Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
A OTCA atua em diversas frentes estratégicas, incluindo proteção da biodiversidade, manejo florestal, ciência e tecnologia, governança territorial, inclusão social e defesa dos direitos dos povos indígenas. Além disso, a organização desenvolve instrumentos de monitoramento ambiental e políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, buscando soluções integradas para o desenvolvimento econômico da região, além de consolidar políticas de sustentabilidade e proteção da biodiversidade amazônica.



