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25 de abril de 2026

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Mais de 10 milhões de mulheres lideram negócios no Brasil, mas a igualdade ainda é um desafio

Crédito da foto: Freepik

No mês do empreendedorismo feminino, 6 líderes de diferentes setores refletem sobre os avanços e os desafios de ser mulher à frente de um negócio

No Brasil, mulheres já comandam mais de 10 milhões de empreendimentos, um recorde histórico que representa 34% do total de empresários no país, segundo dados do Sebrae. Mesmo com esse avanço, ainda enfrentam desigualdades estruturais: apesar de terem escolaridade crescente, as empreendedoras recebem em média até 24,4% menos que os homens.

Em um cenário de desafios que ultrapassam o campo profissional, um levantamento exclusivo feito pela Flora Insights, startup pioneira e especializada em diagnóstico e gestão de riscos psicossociais ocupacionais, aponta que medidas de suporte ao equilíbrio pessoal reduzem em mais de 17% a gravidade percebida de sobrecarga entre mulheres no ambiente corporativo. O estudo reforça que flexibilidades e benefícios voltados ao bem-estar têm impacto positivo, refletindo em maior retenção e melhor desempenho especialmente em grupos com maior risco de esgotamento.

No mês de celebração do Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino (19 de novembro), é nessa interseção entre conquistas e desafios que as líderes e especialistas mulheres que lideram os mais diversos setores, compartilharam perspectivas e contratempos enfrentados ao longo de suas carreiras. Confira abaixo:

Saúde

No setor da saúde não é diferente: a presença feminina ainda enfrenta desafios significativos, apesar dos avanços dos últimos anos. Segundo Isadora Kimura, CEO da Nilo, a falta de representatividade e as barreiras estruturais do setor exigem que mulheres estejam constantemente provando sua capacidade. “No entanto, também vejo uma transformação em curso, com empresas cada vez mais conscientes da importância da diversidade para a inovação e o crescimento sustentável. Liderar nesse cenário significa não apenas abrir portas para outras mulheres, mas também incentivar mudanças que tornem o mercado mais acessível e equitativo para todos. Meu aprendizado mais valioso é que a mudança começa dentro das empresas, na forma como cultivamos oportunidades e promovemos ambientes inclusivos.”

Sabrina Bezerra, Diretora Geral da Flora Insights, plataforma digital especializada e pioneira no diagnóstico e gestão de riscos psicossociais ocupacionais, atuou como motorista de aplicativo no início da carreira profissional para subsidiar estudos e recursos e afirma ter sido uma das experiências mais desafiadoras e transformadoras de sua trajetória. “Enfrentei olhares de desconfiança, propostas desrespeitosas e comentários que colocavam em dúvida minha capacidade, como se a habilidade de conduzir um carro tivesse gênero. Em muitas situações, percebi o quanto o papel da mulher ainda é invalidado: seja no trânsito, em uma oficina mecânica ou em qualquer ambiente majoritariamente masculino, somos constantemente questionadas, testadas e, por vezes, constrangidas. Foi nesse contexto que aprendi sobre força, coragem e a importância de ocupar espaços mesmo quando tentam nos fazer acreditar que não pertencemos a eles”, pontua.

Marketing

Empreender e liderar negócios e iniciativas é ter clareza dos objetivos e dos valores, mesmo quando existem incertezas e mudanças no caminho, na visão da Sócia e Head de Marketing e Growth da BPool – plataforma de curadoria, contratação e gestão de serviços de marketing -, Simone Gasperin. “É pensar no resultado, mas também na jornada, nas pessoas e no impacto. Trabalhamos para tornar o mercado de comunicação mais diverso, distribuído e inovador, viabilizando que agências independentes e especializadas – incluindo negócios liderados por representantes de grupos minorizados – possam trabalhar com grandes organizações.  Trabalhamos para construir, por meio da tecnologia, pontes que ampliam oportunidades e fortalecem todo o ecossistema”, afirma.

E-commerce

Na perspectiva de Fernanda Clarkson, COO da SuperFrete, plataforma em expansão que impulsiona o ecossistema de comércio eletrônico, ser mulher e liderar uma empresa é, ao mesmo tempo, inspirador e desafiador. “Ao longo da minha trajetória à frente da SuperFrete, percebi como é essencial quebrar padrões e abrir espaço para mais mulheres em posições de liderança — algo que buscamos ativamente na nossa cultura, com mais de 60% da liderança sendo feminina. Recentemente, com a experiência da maternidade, vivi na prática a importância de confiar no time e no trabalho em equipe, equilibrando carreira e família. Ainda é raro ver ambientes corporativos realmente preparados para apoiar esse equilíbrio, mas acredito que cada passo que damos hoje contribui para transformar essa realidade para as próximas gerações”.

Educação

Mafê Borsatto, CMO da Teachy, maior plataforma de IA pedagógica do mundo, por trás das mulheres que hoje lideram negócios no Brasil, aponta histórias de superação, aprendizado e transformação. A educação tem sido um dos principais pilares dessa jornada, abrindo caminhos, fortalecendo a autoconfiança e impulsionando o protagonismo feminino em diferentes setores. Ainda assim, alcançar a plena igualdade de oportunidades segue sendo um desafio que começa nas salas de aula e se estende ao mercado de trabalho: “A educação é a base da autonomia, mas não é o único elemento transformador. Mulheres são maioria na educação básica e entre os que completaram o ensino superior, mas ainda são 9% das CEO de empresas da América Latina e esse número dobrou nos últimos anos. O avanço do empreendedorismo feminino mostra o quanto somos capazes, mas se queremos que esse imenso potencial seja plenamente aproveitado, precisamos pensar mudanças estruturais (nas organizações e nas políticas sociais), que apoiem as mulheres durante toda a trajetória, especialmente no momento de conciliar trabalho profissional com papéis de cuidado, a nós historicamente atribuídos.”

Fitness e bem-estar

No setor de fitness e bem-estar, a Ultra Academia também reflete essa combinação entre avanço e desafios da liderança feminina. Na rede, mulheres ocupam posições estratégicas de decisão e estão à frente de operações de expansão em diferentes regiões do país. É o caso de Ivete Gama, CMO e sócia, única mulher no board, com mais de duas décadas de trajetória no mercado fitness, que lidera o posicionamento e o crescimento da marca. Na ponta, o empreendedorismo feminino se traduz em histórias de transformação: em Brasília, Cris comanda três unidades e se prepara para abrir a maior academia da rede, além de tornar-se a primeira master franqueada mulher da Ultra; no Espírito Santo, Catiele conduz a gestão diária de três unidades; em Santa Maria, Lilian migrou do RH para o universo fitness e hoje administra duas academias bem-sucedidas ao lado do marido; e em Vitória da Conquista, Vivian lidera a expansão local com forte capacidade de decisão e visão de negócio. O movimento ganha novo capítulo com a abertura da primeira unidade da Ultra no Pará, formada por uma sociedade inteiramente feminina, reforçando que mulheres não apenas ocupam espaço — elas redesenham o mercado, ampliam acesso e criam novas referências de gestão no setor.

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