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24 de abril de 2026

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Instituto Unibanco lança e-book com 10 práticas gestoras inovadoras para fortalecer a convivência escolar

Crédito da foto: Freepik

Documento é resultado do Edital de Práticas Gestoras e sistematiza as práticas de 10 gestores escolares de escolas públicas do Brasil

O Instituto Unibanco lança o e-Book Relações Interpessoais e convivência escolar, um compilado de 10 práticas em desenvolvimento há um ano ou mais em escolas de ensino médio do Brasil. O material é resultado do Edital de Práticas Gestoras, projeto-piloto, conduzido entre 2024 e 2025, uma chamada aberta a diretores escolares que adotam práticas de transformação do clima e da cultura escolar, com foco na melhoria das relações interpessoais e da convivência na escola.

O clima escolar sempre foi considerado uma dimensão importante para a aprendizagem e bem-estar por impactar na qualidade do convívio, nas relações e no senso de pertencimento de uma comunidade. Esse aspecto ganha ainda mais relevância diante da intensificação de episódios de violência, que expõem, em muitos casos, a fragilidade das interações sociais no ambiente escolar e a ausência de mecanismos institucionais capazes de promover uma cultura de paz.

O material traz 10 casos relatados pelos próprios gestores, quatro histórias de escolas do Ceará, três de Minas Gerais, uma do Tocantins, uma do Maranhão e uma do Rio Grande do Norte. São casos reais de bullying, violência, baixa autoestima, baixo desempenho, clima institucional negativo, distanciamento entre atores da comunidade, entre outras questões, e como os gestores buscaram ajuda e criaram soluções para resgatar o clima da escola e da comunidade.

As experiências foram selecionadas a partir de critérios como a aderência a demandas e problemas concretos da escola ou da comunidade, os resultados alcançados na convivência escolar, a abrangência do envolvimento de estudantes, a replicabilidade das ações em outros contextos e a consolidação de princípios morais para a qualidade das relações interpessoais. O foco principal não foi destacar ou premiar resultados, mas compreender os dilemas, as dificuldades, os avanços e as aprendizagens da gestão na prática.

“Este material não é apenas um registro de práticas, mas um chamado à ação. Ele mostra que a escola é um espaço profundamente humano, onde a convivência e o cuidado precisam orientar cada decisão. Ele expressa compromisso em construir uma educação que acolhe, transforma e coloca as pessoas no centro”, afirma Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco.
 

Regiões em destaque


As experiências reunidas no e-Book revelam a força da gestão escolar em diferentes contextos do país. As dez escolas selecionadas representam cinco estados brasileiros — Ceará, Minas Gerais, Tocantins, Maranhão e Rio Grande do Norte — e mostram como, apesar das particularidades locais, desafios comuns como o enfrentamento da violência, o fortalecimento das relações e o acolhimento das diversidades podem ser superados com diálogo, escuta e protagonismo.

Ceará: escuta, acolhimento e cultura de paz

O Ceará se destacou com quatro experiências inspiradoras. Na Escola Maria Thomásia (Fortaleza), uma grave crise provocada por denúncia de assédio sexual e protestos estudantis levou à mobilização da comunidade e à reconstrução do diálogo. O caminho escolhido foi o da escuta ativa, da mediação de conflitos e da proteção dos envolvidos, restabelecendo a confiança e o clima escolar. Na Escola Dragão do Mar (Fortaleza), que enfrentava alta evasão e baixo desempenho, o foco foi o redesenho da cultura escolar, centrando a gestão nas relações humanas, no cuidado e na escuta.


Em Morrinhos, a Escola Maria José Magalhães enfrentava casos de ansiedade e exaustão estudantil, agravados pela pandemia e pela rotina em tempo integral. A solução veio com o Projeto Radar das Emoções, que estimulou práticas de apoio entre pares e escuta sensível, promovendo um ambiente mais saudável e colaborativo.


Já em Várzea Alegre, a Escola José Correia Lima reagiu ao distanciamento entre estudantes e comunidade com o Projeto Revolução Silenciosa, que fortaleceu a segurança, o protagonismo estudantil e a comunicação, devolvendo à escola o senso de pertencimento.


Minas Gerais: protagonismo e pertencimento


Em Minas Gerais, três escolas demonstraram como acolhimento, escuta e integração comunitária podem transformar o ambiente escolar. O CESEC José Américo da Costa (São João del-Rei) atuou para combater o sentimento de exclusão e a desvalorização da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Por meio de escuta ativa, mapeamento de sonhos e parcerias locais, conseguiu restabelecer vínculos e reforçar a autoestima da comunidade escolar.


Na Escola Estadual Sinfrônio Fernandes (Caratinga), a ausência de informações sistematizadas sobre estudantes inspirou o Projeto Escuta Viva, que criou um sistema digital de gestão de dados, garantindo privacidade (em conformidade com a LGPD) e ampliando a capacidade de acompanhamento da equipe gestora.


Já a Escola Estadual Guilhermino de Oliveira (Contagem) enfrentou bullying, evasão e conflitos internos com o Projeto Diga Não ao Bullying: Porque Amar é Possível, promovendo o diálogo como ferramenta de resolução e consolidando uma verdadeira cultura de paz.


Tocantins: diálogo e empatia


No Colégio Estadual Floresta (Paranã), o aumento dos casos de bullying e dos conflitos após a pandemia levou à criação do Projeto “Conciliar, Eu Posso!”, que difundiu práticas de mediação, empatia e diálogo, contribuindo para um ambiente mais respeitoso e colaborativo.


Maranhão: protagonismo estudantil e diversidade


O Centro de Ensino Santa Teresa (São Luís) transformou a baixa participação dos estudantes e os conflitos interpessoais em oportunidades de protagonismo. Com os Comitês Estudantis CEST, a escola se tornou um espaço de escuta, corresponsabilidade e ação coletiva, fortalecendo a gestão democrática e valorizando a diversidade como elemento central da vida escolar.


Rio Grande do Norte: reconstrução de vínculos


Encerrando o conjunto de práticas, a Escola Estadual Djalma Aranha Marinho (Natal) deu uma guinada em seu clima institucional, antes marcado por desconfiança e conflitos. A equipe gestora liderou uma mudança cultural profunda, baseada na reconstrução dos vínculos e no fortalecimento do sentimento de pertencimento à comunidade escolar.

A escola como espaço de convivência democrática

Embora as causas desses eventos possam extrapolar o espaço escolar e sejam também reflexos de outros fenômenos sociais, o olhar atento sobre como estão as relações entre alunos, entre estudantes e professores e demais profissionais da educação têm sido ressaltado como um dos pontos centrais na atuação da escola para enfrentar o problema. Isso significa construir um clima escolar positivo, onde todos se sintam acolhidos, pertencentes ao grupo, atentos ao bem-estar e capazes de identificar e resolver conflitos de maneira preventiva, com efeitos positivos também nas comunidades do entorno.

A escola é um dos principais espaços de convivência, de aprender a conviver e se relacionar com o outro e de elaborar uma forma de estar no mundo. Construir um espaço escolar que valorize e acolha a diversidade, comprometido com o desenvolvimento de competências cidadãs, com a mediação de conflitos e a promoção dos direitos humanos é parte fundamental da criação de um ambiente favorável à aprendizagem de todos e todas que nele convivem, como estudantes, professores, funcionários e comunidade escolar.

Sobre o Instituto Unibanco

O Instituto Unibanco é uma organização sem fins lucrativos que atua pela melhoria da qualidade da educação pública por meio do aprimoramento da gestão educacional. Seu objetivo é contribuir para a permanência dos estudantes na escola, a melhoria da aprendizagem e a redução das desigualdades educacionais. O instituto tem como valores acelerar transformações, conectar ideias, valorizar a diversidade e ser orientado por evidências. Fundado em 1982, integra o grupo de instituições responsáveis pelo investimento social privado do grupo Itaú-Unibanco.

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