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05 de março de 2026

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Reciclagem de uniformes vira estratégia de negócios e impacto social em parceria entre Porto Sudeste e Minha Coleta

Eduardo Nascimento, CEO da Minha Coleta / Crédito: Divulgação

A destinação correta de resíduos industriais, especialmente uniformes e EPIs fora de uso, tem se tornado um desafio crescente para grandes operações logísticas e portuárias no Brasil. Em resposta a esse cenário, o Porto Sudeste colocou em prática um projeto piloto de reciclagem e upcycling de uniformes, desenvolvido em parceria com a Minha Coleta, plataforma tecnológica especializada em gestão de resíduos e logística reversa.

A iniciativa transforma uniformes não contaminados que antes teriam como destino o aterro em brindes corporativos sustentáveis, como mochilas, bolsas, ecobags e nécessaires. Mais do que um projeto ambiental, a ação se consolida como um case de inovação operacional, alinhado a metas de ESG, economia circular e aterro zero. Segundo Eduardo Nascimento, CEO da Minha Coleta, ainda existe uma lacuna relevante no mercado quando se fala em soluções estruturadas para resíduos têxteis. “A baixa capilaridade de soluções de tecnologia para o tratamento circular de resíduos, especialmente têxteis, demonstra a importância de iniciativas como esta. Ao reduzir outros obstáculos, como os comerciais, operacionais e logísticos, estas ações viabilizam diversos projetos por meio do upcycling, garantindo maior impacto social e ambiental”, afirma.

Tecnologia e rastreabilidade como base do projeto

O projeto é estruturado a partir da plataforma da Minha Coleta, que conecta geradores de resíduos, operadores logísticos e cooperativas, garantindo rastreabilidade total do processo, desde a coleta até a destinação final. Todos os materiais passam por armazenamento adequado, lavagem, triagem e posterior confecção, com controle de volumes, métricas ambientais e comprovação do destino correto.

No caso do Porto Sudeste, a coleta dos uniformes ocorre fora da área alfandegária e está prevista para acontecer uma vez ao ano, seguindo critérios técnicos e operacionais definidos no piloto. Ao todo, cerca de 410 uniformes foram reaproveitados nesta primeira etapa, resultando em mais de 400 itens produzidos a partir do upcycling.

De acordo com Eduardo Nascimento, a camada tecnológica é decisiva para dar credibilidade e escala a projetos de logística reversa. Ele explica que a plataforma permite cruzar dados e organizar a cadeia de fornecedores, o que reduz riscos ambientais e revela oportunidades de economia e circularidade. “A Minha Coleta utiliza sua tecnologia para oferecer aos clientes a capacidade de cruzar dados, o que resulta em uma significativa redução de riscos ambientais e, principalmente, na identificação de oportunidades de economia e circularidade. Através da plataforma, os clientes encontram fornecedores de maneira simplificada, gerando redução de custos logísticos e acesso a soluções de tratamento no mercado. Isso é possível graças à nossa inteligência, que acelera o processo de conexão entre todos os elos da cadeia”, diz.

Impacto ambiental, mensuração e geração de valor

Embora parte dos impactos ambientais ainda esteja em fase de mensuração, o projeto já apresenta indicadores relevantes, como taxa de recuperação de aproximadamente 95% dos materiais, economia estimada de cerca de 2,5 mil metros cúbicos de água e redução significativa de resíduos enviados a aterros. Além do ganho ambiental, o projeto também gera impacto social direto, com aumento de renda para mulheres envolvidas na cadeia produtiva da confecção dos brindes, reforçando a conexão entre sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento local.

Para Bianca Simãozinho, gestora na ONG Mundo Novo, mensurar resultados é o que transforma sustentabilidade em estratégia concreta de negócio. Segundo ela, quando indicadores são acompanhados de forma estruturada, as empresas passam a enxergar valor onde antes viam apenas custo. “Quando uma empresa mede seu impacto, ela deixa de operar no escuro. Ela passa a compreender o valor que gera, os resíduos que pode evitar, as pessoas que transforma e como cada ação se conecta com seus objetivos de longo prazo. Medir o impacto é enxergar oportunidades: de eficiência, de inovação, de reputação, de relacionamento com a comunidade e, principalmente, de criar valor compartilhado”, afirma.

Ela destaca que é nesse contexto que a atuação do Ateliê Mundo Novo com empresas ganha força, ao unir propósito social e compromisso ambiental. De acordo com Bianca, a ressignificação de EPIs descartados gera benefícios que vão além da destinação correta. “Transformamos resíduos em novos produtos, e esse processo não apenas reduz o volume de lixo enviado a aterros, ele gera renda, desenvolve habilidades e fortalece mulheres da nossa comunidade. Cada EPI que chega ao Ateliê deixa de ser apenas um material inutilizado e passa a contar uma nova história”, diz. Para a gestora, investir em impacto social é hoje uma forma de inovação estratégica, capaz de gerar valor para o território, para os colaboradores e para o próprio negócio.

O piloto integra uma estratégia mais ampla de sustentabilidade do Porto Sudeste, que busca avançar no objetivo de aterro zero não apenas para uniformes e EPIs, mas também para resíduos administrativos, orgânicos e entulho. A expectativa é que, após a medição da prova de conceito, o modelo possa ser ampliado e replicado em outras operações e unidades.

Para a Minha Coleta, a parceria reforça o posicionamento da empresa como uma solução completa de gestão de resíduos, capaz de ir além da destinação correta e atuar como agente de inovação em modelos circulares dentro de grandes organizações. Segundo Eduardo Nascimento, o desenho do projeto permite expansão para diferentes contextos produtivos. “O modelo implementado no Porto Sudeste é totalmente escalável e pode ser replicado por diversos outros geradores de resíduos têxteis. A Minha Coleta oferece a inteligência necessária para criar pontos contínuos de descarte, inclusive possibilitando a colaboração e o rateio de custos operacionais entre diferentes empresas geradoras. Essa solução simplificada garante o compliance e a eficácia da gestão de resíduos”, afirma.

Sustentabilidade como vantagem competitiva

Com mais de 1.000 geradores na plataforma, 700 operadores conectados e mais de 250 mil toneladas de resíduos rastreados para reciclagem, a Minha Coleta vem consolidando sua atuação em projetos que unem eficiência operacional, compliance ambiental e impacto positivo.

As iniciativas como a desenvolvida com o Porto Sudeste mostram que a sustentabilidade deixa de ser apenas um compromisso institucional e passa a ocupar um papel estratégico nos negócios, influenciando reputação, eficiência e geração de valor no longo prazo. Na avaliação do CEO da Minha Coleta, o avanço da economia circular também traz retorno financeiro e de posicionamento de marca. “A economia circular deve ser vista não apenas como uma solução de impacto ambiental, mas também como uma estratégia com benefícios financeiros e de marketing. Ela tem o potencial de reduzir custos, aumentar receitas e fidelizar clientes alinhados com essa abordagem”, conclui.

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