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06 de março de 2026

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Brasil ganha plataforma de dados para medir emissões veiculares em uso real e apoiar políticas de descarbonização

Crédito da foto: Freepik

  • Sistema integra telemetria e inventários de carbono para empresas e governos; solução surge em meio à pressão regulatória por métricas ambientais mais precisas

Uma nova plataforma brasileira voltada à mensuração de emissões e à geração de dados ambientais baseados no uso real de veículos começa a operar no país em um momento em que empresas e governos intensificam a busca por ferramentas capazes de apoiar estratégias de transição climática. A Mova Protocol anunciou a conclusão de uma rodada seed de US$ 3 milhões, que elevou seu valuation para R$ 180 milhões, e passa agora da fase de validação tecnológica para a expansão da operação.

Com mais de três mil usuários cadastrados, a empresa projeta alcançar um milhão até o final do segundo trimestre deste ano, ampliando a coleta de dados sobre circulação urbana, consumo energético e impacto ambiental do transporte, setor que responde por parcela relevante das emissões de gases de efeito estufa nas cidades.

O sistema coleta informações da rotina de deslocamento de veículos, como quilometragem, padrões de condução e tempo em operação, para gerar relatórios destinados a empresas, frotas, seguradoras e órgãos públicos. O objetivo é apoiar inventários corporativos de carbono, monitorar emissões reais e embasar políticas públicas voltadas à mobilidade de menor impacto climático.

A plataforma atua na interseção entre mobilidade urbana, eletromobilidade e análise ambiental baseada em dados. Segundo a empresa, a proposta é preencher uma lacuna histórica do setor: a ausência de métricas contínuas e verificáveis sobre emissões veiculares, hoje muitas vezes estimadas por modelos genéricos.

Para o diretor de Produtos da Mova, Antônio Farias, o avanço da operação está ligado à maturidade da infraestrutura e ao crescimento da demanda por dados confiáveis no contexto da agenda ESG.

— Desenvolvemos uma tecnologia capaz de gerar informações ambientais auditáveis a partir do uso real dos veículos, com telemetria contínua, validação antifraude e preservação da privacidade. Isso permite que empresas e governos tomem decisões mais precisas sobre descarbonização de frotas e eficiência operacional — afirma.

Regulação impulsiona busca por métricas ambientais

O crescimento desse tipo de solução ocorre em paralelo às mudanças regulatórias no país. A partir de 2026, companhias abertas, securitizadoras e fundos de investimento deverão reportar informações relacionadas à sustentabilidade conforme a Resolução 193/2023 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), alinhada aos padrões do International Sustainability Standards Board (ISSB).

Ao mesmo tempo, a frota de veículos elétricos e conectados segue em expansão no Brasil, enquanto as bases públicas e privadas de dados de mobilidade permanecem fragmentadas — cenário que cria espaço para plataformas capazes de mensurar impactos ambientais de forma contínua e verificável.

Na prática, o aplicativo registra quilometragem e padrões de condução por meio do celular do usuário, validando as informações antes de integrá-las a relatórios ambientais. Os motoristas acumulam pontos conforme utilizam o veículo, enquanto os dados são utilizados por organizações interessadas em calcular emissões de frotas, avaliar eficiência energética e planejar estratégias de redução de carbono.

Além dos relatórios corporativos, a empresa trabalha em integrações com redes de recarga elétrica e prepara estruturas para gerar relatórios ambientais automatizados e, no futuro, créditos de carbono baseados em dados reais de mobilidade.

A projeção é alcançar receita anual entre R$ 21 milhões e R$ 24 milhões em escala inicial, com potencial de atingir até R$ 270 milhões em cinco anos, à medida que amplia a atuação no Brasil e inicia a expansão para outros países da América Latina.

Dados de Uso

Os indicadores atuais apontam uso recorrente da plataforma. São 3.129 usuários cadastrados, dos quais 1.704 estão ativos — taxa de ativação acima de 55%. Já foram validados 17.217 trajetos, somando 388.242 quilômetros monitorados e mais de 19.371 horas de telemetria coletadas.

A base é formada principalmente por motoristas urbanos, motoristas de aplicativo e profissionais que utilizam o carro como ferramenta de trabalho.

A empresa afirma que se diferencia ao iniciar no dado operacional, não no ativo financeiro, com validação comportamental, identificação progressiva do veículo e privacidade por design. A camada tecnológica permanece invisível ao usuário, o que reduz riscos regulatórios.

Segundo Farias, a procura por dados confiáveis cresce porque empresas e governos precisam comprovar suas métricas ambientais:

— Os setores com maior tração são mobilidade urbana e logística leve, empresas com equipes em campo, energia e eletromobilidade. O ponto comum é a ausência de dados confiáveis na ponta da operação. Empresas querem mensurar emissões reais de suas frotas, validar eficiência operacional e construir inventários de carbono auditáveis.

No longo prazo, a empresa planeja expandir para outros países da América Latina e consolidar a operação como infraestrutura de dados para descarbonização da mobilidade corporativa e governamental.

Sobre a Mova Protocol

A Mova Protocol é uma plataforma de dados de mobilidade urbana voltada à mensuração de emissões e inteligência ambiental baseada em uso real de veículos. A empresa atua na convergência entre mobilidade, eletromobilidade e impacto climático, com operação inicial no Brasil e visão de expansão para a América Latina. A plataforma oferece marketplace automotivo, relatórios B2B de uso e eficiência energética, integração com redes de recarga elétrica e, no futuro, emissão de créditos de carbono baseados em dados verificáveis. https://www.movaprotocol.com/

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