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No Brasil, 3 a cada 10 crianças estão acima do peso; Tecido adiposo em excesso produz estrogênio e pode adiantar puberdade em meninas;
A obesidade infantil, já reconhecida como uma crise global de saúde pública e que leva a riscos de desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes pode ser responsável também por interferir no tempo e no processo do desenvolvimento puberal de crianças e adolescentes.
De acordo com o UNICEF, a obesidade superou a desnutrição como a forma mais prevalente de má nutrição em 2025, atingindo 1 em cada 10 — ou 188 milhões — crianças e adolescentes em idade escolar. Esse cenário preocupante se estende ao Brasil, onde dados nacionais do Atlas da Obesidade indicam que 3 a cada 10 crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso.
Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Atlas Mundial da Obesidade alertam que o Brasil poderá ser o 5º país com maior número de crianças e adolescentes com obesidade até 2030.
Mais do que apenas uma questão de peso, a obesidade impacta diretamente o equilíbrio hormonal que rege a puberdade. É preciso entender que a obesidade infantil vai muito além dos riscos metabólicos como diabetes e doenças cardiovasculares.
“Em meninas, o tecido adiposo, em excesso, produz estrogênio. Isso pode levar a uma antecipação da idade da puberdade, ou seja, antes dos oito anos, devido a esse excesso de estrogênio e a outros mecanismos envolvendo hormônios como a kisspeptina”, explica a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato.
Para os meninos, o cenário é diferente, mas igualmente preocupante. “Em meninos, haveria um potencial de atraso puberal devido a esse desbalanço de estrogênio e testosterona. Embora não chegue a ser um atraso puberal definido na literatura (após os 14 anos), a obesidade pode levar a uma puberdade um pouco mais tardia do que ocorreria naturalmente. Esse desequilíbrio hormonal em homens mais velhos pode até mesmo levar ao hipogonadismo, caracterizado pela queda da testosterona”, detalha Dra. Lorena Amato.
A obesidade infantil não é apenas um fator de risco para doenças crônicas, mas um disruptor do desenvolvimento natural, alterando o tempo e a progressão da puberdade. “É um alerta para pais, educadores e formuladores de políticas de saúde sobre a urgência de estratégias de prevenção e tratamento eficazes contra essa ameaça que a obesidade representa”, conclui a endocrinologista.
Sobre a Dra. Lorena Lima Amato - A especialista é endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora pela USP.
Serviço:
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