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05 de março de 2026

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Teatro Vila Velha estreia espetáculo ODISSEIA + Paisagem com Argonautas no Espaço Cultural Barroquinha

Crédito da foto: Ananda Brasileiro Ikishima_

A montagem tem dramaturgia e encenação de Marcio Meirelles, e apresenta os sete primeiros cantos do poema épico de Homero, em diálogo com “Paisagem com Argonautas”, de Heiner Müller

Centro de formação pioneiro no Brasil há mais de 60 anos, o Teatro Vila Velha, em Salvador, desenvolve desde o mês de janeiro do ano passado, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, um projeto inédito de capacitação profissional, artística e cidadã com pessoas de diferentes idades, comunidades, gêneros e ocupações: o “TEMPO: Disseminação Cultural e Inclusão Social no Teatro Vila Velha”.

Nesse ciclo diferenciado e intensivo de formatura da 11ª turma da universidade LIVRE (com uma carga horária extensa de mil horas, ao longo de 1 ano), 30 bolsistas participantes vivenciaram uma série de atividades, ações, experimentos e oficinas das mais diversas linguagens – como teatro, dança, percussão, libras – além da prática de mediação cultural, comunicação, audiovisual, técnicas de palco e todo um universo teórico de aprendizagem para a vida e para as artes cênicas. O processo de experiência prática funcionou em conjunto com a formação artística, que revisita a obra universal “Odisseia”, de Homero (poeta épico da Grécia Antiga); e o texto “Paisagem com Argonautas” (1982) do dramaturgo alemão Heiner Müller (1929 – 1995).

A estreia do espetáculo é no dia 07 de março, às 19h, no Espaço Cultural Barroquinha, e segue no local até o dia 22 do mesmo mês, com sessões às sextas (19h), aos sábados (16h e 19h) e aos domingos (16h). Ingressos pelo Sympla neste link https://bit.ly/4qZgzvm ou no local, na bilheteria do evento.

O POEMA E O MITO

O poema épico relata o regresso de Odisseu, (ou Ulisses, como era chamado no mito romano), herói da Guerra de Troia e protagonista que dá origem ao título. Como se diz, o “herói de mil estratagemas que tanto vagueou, depois de ter destruído a cidadela sagrada de Troia, que viu cidades e conheceu costumes de muitos homens e que no mar padeceu mil tormentos, quanto lutava pela vida e pelo regresso dos seus companheiros”. Odisseu leva dez anos para chegar à sua terra natal, Ítaca, depois da Guerra de Troia, que também havia durado 10 anos.

A partir da epopeia de Homero, ODISSEIA desloca o mito do heroísmo para o território das escolhas humanas. Após a guerra, Odisseu, Penélope e Telêmaco seguem atravessados pelos escombros do conflito: a vitória não encerra o trauma, nem garante o retorno. Nesta travessia, a viagem deixa de ser apenas geográfica e se torna ética — um percurso em que cada decisão molda o destino individual e coletivo. A partir desse enredo, a universidade LIVRE investiga questões políticas, econômicas e culturais que atravessam milênios e possuem muitos paralelos atuais.

“Ao encarar o mito do nosso ponto de vista, do presente, ODISSEIA torna o nosso momento num tempo histórico, marcado por crises políticas, guerras, colapsos institucionais e disputas de narrativa. Vivemos um momento em que cada escolha coletiva (silenciar, consentir, resistir, agir) projeta um futuro possível”, reflete Marcio Meirelles, encenador e diretor artístico do Vila.

HOMERO E HEINER MÜLLER – diálogos

Em conexão intertextual, poética e mitológica com o texto de Müller, Meirelles retoma nesse espetáculo um recurso de metateatro que costuma incorporar às suas montagens. Um exemplo disso é o que fez em Hamlet+HamletMachine, ao conectar Shakespeare e Müller, que em sua estética de dramaturgia polifônica constrói pontes para múltiplas formas de narrativa; que se harmonizam com o seu método de Teatro Coral (de um elenco que forma uma unidade cênica em Coro).

Esse diálogo, entre os sete primeiros Cantos do texto clássico e a contemporaneidade de “Paisagem com Argonautas”, conecta linguagens e imaginários. Essa fricção amplia a narrativa mítica e a conecta a um mundo marcado por crises políticas, guerras, colapsos climáticos, entre outras mazelas.

Despojada de deuses, monstros e façanhas heróicas, o material concentra-se no que há de mais humano na jornada: o peso da escolha entre o “sim” e o “não”. Com Libras integrada à dramaturgia como parte constitutiva da cena, ODISSEIA afirma a acessibilidade como gesto político e poético, ampliando as formas de escuta, presença e convivência no teatro.

Este espetáculo é parte do TEMPO: ‘Disseminação Cultural e Inclusão Social no Teatro Vila Velha’, projeto 21.792, que tem parceria com a Fundação Banco do Brasil, e se destina a promover o acesso de comunidades vulneráveis à arte e à cultura a partir do Teatro Vila Velha. Além do investimento nesta turma da LIVRE, o projeto apoiou a organização, digitalização e disponibilização do acervo documental do Vila, e várias ações de pesquisa; e quatro edições do Pé de Feijão – Arte e Educação, com suas ações de formação que beneficiaram em torno de três mil crianças e educadores.

O VILA OCUPA A BARROQUINHA: Seguindo o movimento de expansão e conexão, o Teatro Vila Velha ocupa o Espaço Cultural Barroquinha com apoio da Fundação Gregório de Mattos,

O Teatro Vila Velha tem apoio financeiro, inclusive para o programa O VILA OCUPA A CIDADE, do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Para ficar atualizado e bem informado sobre toda a programação, acesse o Instagram @teatrovilvelha e o site www.teatrovilavelha.com.br e acompanhe as novidades.

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