Crédito: Freepik
Levantamento do Ministério do Turismo revela mudança no comportamento das viajantes e pressiona setor a investir em segurança e acolhimento
Viajar sozinha deixou de ser exceção e passou a integrar o planejamento de um número cada vez maior de mulheres no Brasil. Impulsionado pela busca por autonomia, bem-estar e novas experiências, o movimento cresce tanto no turismo doméstico quanto na chegada de viajantes estrangeiras desacompanhadas ao país.
Um levantamento inédito do Ministério do Turismo mostra que 41,8% das brasileiras já realizaram ao menos uma viagem sozinhas, enquanto 31,4% afirmam fazer esse tipo de viagem com frequência. Entre as mulheres que já viajaram desacompanhadas, 35,9% escolheram destinos dentro do próprio Brasil, indicando o fortalecimento do turismo nacional entre o público feminino.
Os dados fazem parte do Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, lançado em março de 2026, em comemoração ao Mês da Mulher. A publicação reúne resultados de uma pesquisa realizada com 2.712 mulheres de todas as regiões do país, além de orientações práticas sobre planejamento, segurança e direitos das viajantes.
Segundo a consultora de turismo Santuza Macedo, CEO da Diamond Viagens, o crescimento desse perfil de turista reflete uma mudança importante no comportamento feminino.
“Viajar sozinha deixou de ser um gesto impulsivo ou uma decisão isolada. Hoje é algo planejado, ligado à autonomia, ao autocuidado e ao desejo de viver experiências próprias. Cada vez mais mulheres percebem a viagem como um espaço de liberdade e crescimento pessoal”, afirma.
Políticas públicas e turismo mais inclusivo
O avanço das viagens solo também tem estimulado iniciativas institucionais. O novo guia lançado pelo Ministério do Turismo reúne dados, relatos e recomendações para incentivar um turismo mais seguro e acolhedor para mulheres.
O material dialoga com políticas públicas voltadas à proteção feminina, como o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio e o Protocolo Não é Não, reforçando que a segurança no turismo é responsabilidade compartilhada por toda a cadeia do setor.
A iniciativa também complementa uma ação anterior da pasta, lançada em 2025, voltada à capacitação de profissionais do turismo para melhor atendimento ao público feminino.
Para Santuza Macedo, a produção de informações confiáveis é um passo importante para fortalecer esse segmento.
“Mulheres querem viajar, mas querem clareza, respeito e segurança. Informações objetivas ajudam na tomada de decisão e ampliam a confiança na escolha do destino”, explica.
Perfil da viajante solo brasileira
De acordo com o levantamento do Ministério, a faixa etária predominante entre mulheres que viajam sozinhas está entre 35 e 44 anos, seguida pelas faixas de 45 a 54 anos e 25 a 34 anos. A maioria possui renda entre três e dez salários mínimos e 67,7% não têm filhos.
Entre as mães que viajam com filhos menores, o estudo mostra que 58,5% relatam sentir segurança durante a experiência.
A pesquisa também indica que o lazer é a principal motivação para viajar sozinha (72,6%), mas fatores como independência, liberdade de escolha e autoconhecimento aparecem logo em seguida entre os motivos mais citados.
“É comum que a primeira viagem solo seja mais curta ou próxima de casa. Isso ajuda a construir confiança. A partir daí, muitas mulheres passam a incluir esse tipo de experiência com mais frequência na rotina”, explica Santuza.
Desafios ainda fazem parte do planejamento
Apesar do crescimento da tendência, viajar sozinha ainda envolve questionamentos frequentes. Segurança, mobilidade urbana, escolha da hospedagem e deslocamentos noturnos estão entre as principais preocupações relatadas pelas turistas.
“Perguntas como ‘vou me sentir segura caminhando à noite?’ ou ‘esse hotel está preparado para receber mulheres sozinhas?’ ainda aparecem com frequência. O setor precisa ouvir essas demandas e adaptar serviços, comunicação e estrutura”, avalia a especialista.
Experiência que transforma
Além dos impactos econômicos no turismo, especialistas também destacam efeitos positivos no bem-estar emocional. Pesquisas da Harvard Medical School indicam que experiências de viagem podem contribuir para a redução do estresse e para o fortalecimento da autoconfiança, especialmente quando envolvem autonomia e contato com novos ambientes.
“Planejar uma viagem sozinha, resolver imprevistos e viver novas experiências fortalece muito a autoconfiança. Muitas mulheres relatam que voltam dessas viagens com uma percepção diferente sobre sua própria capacidade”, afirma Santuza.
Para a especialista, o Brasil reúne condições para se consolidar como um destino cada vez mais preparado para receber mulheres viajantes. “Esse público cresce de forma consistente, movimenta o turismo e influencia decisões de mercado. Pensar em estrutura, informação e acolhimento para essas viajantes é estratégico para o setor”, conclui.
Sobre Santuza Macedo: Santuza Macedo é empreendedora e especialista em turismo, com ampla experiência nacional e internacional. CEO da Diamond Viagens, atuou em Orlando (EUA), onde se especializou em experiências personalizadas na Disney e no turismo familiar. Hoje, lidera projetos e consultorias que envolvem roteiros nacionais e internacionais, cruzeiros, excursões e viagens sob medida, conectando brasileiros a destinos que unem conforto, cultura e propósito. Seu trabalho tem como foco transformar o ato de viajar em uma experiência completa, planejada com segurança, encantamento e estratégia.



