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Companhias apostam em modelos proprietários para ganhar maior precisão e eficiência no uso da tecnologia
O uso de inteligência artificial faz parte da rotina de trabalho de muitas pessoas, auxiliando na produtividade e automatização de tarefas. No entanto, ferramentas populares como ChatGPT e Gemini nem sempre conseguem atender demandas específicas com o nível de precisão, contexto e segurança exigidos.
Uma pesquisa recente do Capgemini Research Institute revelou que três em cada quatro executivos preferem modelos proprietários de IA quando se fala em aplicações que precisam de maior segurança, integração e desempenho no contexto empresarial, em vez de usar somente ferramentas mais genéricas.
Olhando para essa questão, empresas de diferentes áreas têm investido no desenvolvimento de IAs proprietárias, criadas para resolver desafios de forma mais exclusiva e com conformidade às particularidades de cada setor, conheça algumas delas:
doc9, criadora do Which, IA para advogados
Percebendo que ferramentas tradicionais de inteligência artificial nem sempre conseguem interpretar com precisão documentos jurídicos, a doc9, lawtech parceira de grandes escritórios e departamentos jurídicos corporativos, desenvolveu a Which, uma IA proprietária projetada para apoiar atividades como pesquisa de jurisprudência, análise técnica documental, consulta processual e elaboração de peças. A proposta é atender uma necessidade real dos advogados: garantir que o uso de IA seja feito com maior precisão e alinhamento às particularidades da legislação, reduzindo o risco de interpretações equivocadas comuns em ferramentas generalistas.
“No ambiente jurídico, onde decisões têm impacto direto sobre pessoas e empresas, o uso de tecnologia precisa ser criterioso. Por isso, é importante que os advogados contem com soluções confiáveis e capazes de entregar informações técnicas. As IAs mais comuns não foram desenvolvidas para interpretar as especificidades do Direito brasileiro, e essa diferença pode ser determinante na qualidade do trabalho” explica Klaus Riffel, CEO da doc9.
Teachy, IA na educação
No setor educacional, a necessidade de precisão e contexto também é determinante para que a inteligência artificial gere impacto real. Com esse objetivo, a Teachy desenvolveu uma IA proprietária voltada exclusivamente ao ambiente escolar, capaz de apoiar professores em atividades como planejamento de aulas, criação de listas de exercícios, correção de avaliações e personalização de conteúdos de acordo com o nível e as necessidades de cada turma. Diferentemente de ferramentas generalistas, a tecnologia foi treinada com foco na realidade da educação, considerando parâmetros pedagógicos e o fluxo de trabalho docente, o que permite maior assertividade e aplicabilidade prática no dia a dia.
A proposta é atender a uma demanda crescente dos educadores por soluções que economizem tempo e aumentem a qualidade do ensino, sem comprometer a autonomia pedagógica. Ao utilizar uma IA proprietária, a Teachy consegue oferecer respostas mais alinhadas ao currículo, ao contexto escolar e aos objetivos de aprendizagem, reduzindo inconsistências e tornando o uso da tecnologia mais confiável para professores e instituições de ensino.
“As IAs genéricas foram desenvolvidas para atender demandas amplas e, quando chegam à educação sem adaptação, acabam criando novos desafios, desde desalinhamento com o currículo até respostas que ignoram objetivos pedagógicos. A educação precisa de tecnologias pensadas com o professor no centro, respeitando objetivos de aprendizagem, progressão pedagógica, critérios de avaliação e os valores que sustentam a formação de um estudante”, afirma Pedro Siciliano, CEO da Teachy.
Azos, insurtech que desenvolveu IAs próprias para o mercado de seguros
No setor de seguros, onde decisões envolvem risco, proteção patrimonial e relacionamento de longo prazo, a Azos estruturou um ecossistema próprio de inteligência artificial para apoiar corretores e equipes internas ao longo de toda a jornada. Entre as soluções estão o Cotador Inteligente, que permite realizar cotações via WhatsApp por texto ou áudio, e o PergunteAI, voltado ao esclarecimento de dúvidas operacionais sobre apólices e subscrição. Nos bastidores, ferramentas como o Rivaldo Churn, copiloto de retenção integrado ao Slack, ampliaram a taxa de reversão de cancelamentos em 30 dias de 8% para 17%, enquanto o MonitoraAI avalia 100% das interações de atendimento, fortalecendo o controle de qualidade e a padronização de processos.
Para Rafael Cló, CEO da Azos, a adoção de IA proprietária no setor vai além da automação. “Seguro é um produto que exige confiança e precisão técnica. Modelos generalistas não capturam nuances regulatórias, atuariais e operacionais do nosso mercado. Ao desenvolver soluções proprietárias , conseguimos integrar dados internos, contexto e conhecimento sobre corretor e cliente em uma mesma arquitetura. O resultado é uma solução que transforma conhecimento especializado em produtos diferenciados. ”, afirma.
Brick, IA para automatizar análise de risco e escalar decisões no setor de seguros
A Brick é uma insurtech especializada em automação da análise de risco, subscrição e prevenção a fraudes com uso de inteligência artificial. A empresa desenvolveu uma tecnologia que organiza e cruza automaticamente dados de diferentes fontes para apoiar seguradoras e empresas do setor na tomada de decisão. Na prática, o que antes dependia de checagens manuais, validações sucessivas e regras fixas passa a ser analisado em segundos por um motor inteligente, que identifica padrões, aplica critérios técnicos e gera recomendações consistentes. O resultado é mais agilidade na aprovação de propostas, redução de retrabalho e maior padronização dos processos, sem perder o controle técnico.
Segundo Vinicius Schroeder, CEO da Brick, a empresa desenvolveu a infraestrutura que permite às seguradoras incorporar inteligência artificial de forma segura e governável em processos críticos. “A IA vai transformar profundamente como as seguradoras tomam decisões de risco. Mas, em um setor tão regulado e complexo, não basta plugar um modelo genérico e esperar que funcione. É preciso consolidar o contexto necessário para automatizar um processo, garantindo controle, governança e explicabilidade. A tecnologia precisa empoderar o time de negócios para criar, operar e evoluir essas decisões com segurança. E é exatamente isso que estamos construindo”, explica.
“Nossa tecnologia foi criada para transformar o contexto da seguradora em decisões estruturadas, automatizando etapas operacionais e permitindo que os times foquem no que realmente exige análise estratégica. A inteligência artificial não substitui o especialista, ela amplia sua capacidade de decisão com mais velocidade, clareza e previsibilidade”, completa o CEO da Brick.
Winnin, criadora da ZAI™, IA para mapeamento cultural
Curiosa para entender a mente do consumidor e alinhada ao propósito de fornecer às marcas dados e insights sobre comportamento e consumo de audiência nas redes sociais, a Winnin criou a IA proprietária ZAI™, que mapeia vídeos e interações no Instagram, Youtube, TikTok, Twitch e Facebook para identificar o futuro, tendências e novos territórios culturais.
Para as marcas, mapear a atenção do consumidor, ou seja, conquistar o Share of Attention, gera vantagem competitiva, uma vez que isso a ajuda a atingir novos públicos e trabalhar para audiências específicas que antes ela poderia não entender que estava impactando. Ao longo de sua trajetória, a Winnin já trabalhou com marcas como Coca-Cola, Danone, Netflix, ABInBev, General Motors e Google.
“Ter desenvolvido uma IA proprietária nos permite ir além da análise superficial de dados. Nossa tecnologia é treinada para entender comportamento e cultura de forma contextualizada, analisando inclusive informações demográficas e de gênero, de qualquer nicho. Nosso diferencial é que conseguimos não só medir, mas também interpretar os dados para as marcas. Isso as coloca na frente dos concorrentes”, explica Gian Martinez, CEO da Winnin.
123Seguro cria IA para automatizar sinistros e renovação de apólices no mercado segurador
A 123Seguro está avançando com agentes de inteligência artificial aplicados a duas frentes de negócio. A primeira atua na jornada de sinistros, automatizando a análise documental e apoiando o processo de pagamento de indenizações de menor valor, em parceria com seguradoras. A segunda frente está voltada à renovação de seguros de automóvel, onde agentes de IA identificam oportunidades, organizam dados e conduzem etapas do processo de renovação de forma automatizada, aumentando eficiência e reduzindo fricções operacionais.
“Nosso foco não é usar IA como vitrine, mas como infraestrutura de eficiência. Estamos aplicando inteligência artificial onde ela realmente gera impacto: reduzindo tempo de resposta em sinistros e tornando a renovação mais inteligente e previsível. Em um setor historicamente burocrático, a tecnologia precisa significar produtividade, consistência operacional e melhor experiência para o cliente”, afirma Marcelo Biasoli, CEO da 123Seguro.



