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26 de abril de 2026

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Brasil apresenta na COP 30 o maior projeto de conectividade sustentável do mundo

O CEO da EAF, Leandro Guerra, apresentou o Projeto Norte Conectado / Crédito: Divulgação EAF

Executado pela EAF, programa Norte Conectado leva internet de alta velocidade pelos rios da Amazônia sem derrubar árvores, conectando 10 milhões de pessoas e reduzindo desigualdades digitais

BELÉM – Enquanto o mundo discute metas de carbono na COP30, o Brasil apresenta um exemplo concreto de tecnologia verde: o Programa Norte Conectado, que leva fibra óptica pelos rios da Amazônia sem derrubar árvores. A iniciativa alia inovação e sustentabilidade ao conectar 10 milhões de pessoas, com impacto ambiental mínimo.
 

O projeto, tema do painel “Programa Norte Conectado – O maior projeto de conectividade subfluvial do mundo”, realizado nesta terça-feira (11) na Greenzone da COP30, foi apresentado pelo CEO da Entidade Administradora da Faixa (EAF), Leandro Guerra, e pelo secretário nacional de Telecomunicações, Hermano Tercius. Juntos, eles detalharam como a rede de infovias amazônicas executada pela EAF sob coordenação do Ministério das Comunicações e Anatel está transformando o acesso digital na região e estabelecendo um novo padrão mundial em infraestrutura sustentável.
 

Instalados no leito dos rios, os cabos ópticos do Norte Conectado vão formar uma malha de cerca de 14 mil km, ligando 70 cidades e seis Estados da Amazônia. Cada cabo possui 24 pares de fibra, com capacidade de 4 terabits por segundo por fibra, o que garante conectividade de alta velocidade mesmo em locais antes isolados.
 

Para Leandro Guerra, o impacto ambiental mínimo é um dos maiores diferenciais do projeto. “O Brasil está dando um exemplo de inovação com sustentabilidade. Essa tecnologia é inovadora e foi desenvolvida no país. Não há desmatamento. Se fosse construída pela via terrestre, milhões de árvores seriam perdidas”, afirmou o CEO da EAF.

Diferentemente dos cabos submarinos tradicionais, as infovias amazônicas utilizam cabos passivos, não energizados, sem emissão de campo eletromagnético — o que garante ausência de impacto sobre a fauna e a flora aquáticas. O uso dos rios como corredores digitais evita a abertura de estradas e áreas de vegetação, reduzindo emissões e preservando milhões de árvores.
 

De acordo com Guerra, a conectividade também tem efeito positivo sobre o meio ambiente a longo prazo. “A infraestrutura digital melhora a eficiência energética e reduz deslocamentos físicos, o que contribui para diminuir a pegada de carbono de comunidades e instituições públicas na Amazônia”, afirmou.
 

O secretário Hermano Tercius destacou o papel do programa na ampliação do acesso à internet e na redução das desigualdades regionais. “Não há desenvolvimento sustentável, cidades plenas nem justiça social sem inclusão digital”, afirmou.
 

Segundo ele, as infovias foram projetadas para enfrentar as condições desafiadoras dos rios amazônicos, como secas, erosão e correntezas, o que torna o projeto pioneiro em escala global. “Existem apenas dois empreendimentos similares no mundo — no Congo e no Peru —, mas de dimensões muito menores. O Brasil está liderando um novo modelo de conectividade sustentável”, destacou.
 

Com investimento total de R$ 1,6 bilhão, o programa já entregou oito infovias, que interligam universidades, escolas, hospitais, prefeituras e órgãos públicos. Até o momento, 39 instituições de ensino superior e técnico, 10 escolas públicas, 5 hospitais e 14 órgãos federais e estaduais foram conectados à rede de alta capacidade.
 

Além de impulsionar a educação, a saúde e a gestão pública, o Norte Conectado reforça a soberania digital brasileira, ao criar novas rotas de comunicação internacionais. O estudo de viabilidade técnica para a interligação com a Colômbia, entregue em setembro pela EAF, prevê uma saída pelo Pacífico, ampliando a segurança e a resiliência da rede nacional. Uma segunda rota, via Peru, também está em planejamento.
 

O Programa Norte Conectado é executado pela EAF, entidade criada no leilão do 5G sob regulação da Anatel, e faz parte da política pública do Ministério das Comunicações (MCom) e da Anatel para expandir a conectividade e reduzir desigualdades regionais.
 

“Nosso desafio não é trivial. Enfrentamos secas históricas e dificuldades logísticas, mas seguimos avançando. Os rios são as estradas da Amazônia, e é por eles que estamos levando desenvolvimento sustentável”, disse Guerra. “A parceria entre o MCom e a EAF está dando muito certo”, completou.

Com o Norte Conectado, o Brasil mostra na COP30 que inclusão digital e preservação ambiental podem caminhar juntas, oferecendo um modelo de infraestrutura verde que alia tecnologia, eficiência e respeito à floresta.


Sobre a EAF

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) é uma instituição sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações. Entre suas atribuições estão a limpeza da faixa de 3,5 GHz, essencial para a operação do 5G no país, os programas Siga Antenado e Brasil Antenado, a execução das infovias na região amazônica, para expandir a infraestrutura das telecomunicações no norte do Brasil, e a implantação das redes privativas de comunicação para o Governo Federal.

Saiba mais: eaf.org.br

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