Salvador: ☀️ --°C Carregando...

25 de abril de 2026

MAIS LIDAS

Brasil deve direcionar sua riqueza do petróleo para a transformação econômica verde, apesar dos novos planos de expansão do petróleo

Crédito: Freepik (imagem gerada por IA)

Novo relatório da Climate Strategies, assinado por Nicolas Lippolis, pesquisador da Escola do Clima da Universidade de Columbia, estimula o país a aproveitar sua posição única no mercado de combustíveis fósseis para fortalecer sua transição energética

Enquanto o Brasil inicia a perfuração de um poço de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, no Oceano Atlântico, um relatório inédito exorta o país a aproveitar sua posição única no mercado de combustíveis fósseis para fortalecer sua transição energética e transformação em líder global de energia limpa.

O estudo Resiliente, mas ainda não transformador: o setor de petróleo e gás do Brasil em um mundo em descarbonização  (acesse aqui) destaca as previsões de redução da demanda global por petróleo, enquanto o Brasil abre novas fronteiras de exploração. A  oportunidade é de fato finalmente investir a renda do petróleo em transição energética e transformação econômica.  

A publicação faz parte do Diálogo de Políticas Prosperity Post Fossil Fuel (PPFF) sobre Transições Energéticas Justas, uma iniciativa do think tank Climate Strategies, que reúne representantes de economias dependentes de combustíveis fósseis para navegar pelos riscos e oportunidades da transição do petróleo e gás.

“Fortalecer a gestão das receitas do petróleo, melhorar a coordenação política sobre combustíveis sustentáveis e financiar a inovação em tecnologias de energia limpa poderiam transformar a riqueza do petróleo brasileiro em um catalisador para a transformação econômica verde”, diz o economista Nicolas Lippolis, autor do relatório da PPFF e pesquisador na Escola do Clima da Universidade de Columbia e fundador do think tank Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento – CEFD.

A maioria dos prognósticos atuais, incluindo os da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), espera que a demanda global por petróleo e gás atinja o pico até 2030, à medida que tecnologias competitivas de baixo carbono substituem os combustíveis fósseis em seus maiores usos. “Mesmo com a queda da demanda global, a produção de petróleo do Brasil provavelmente permanecerá competitiva, mas o país faz pouco para canalizar as receitas do petróleo para setores que possam prosperar em um mundo em descarbonização”, conclui Lippolis. 

Entre os impactos que o Brasil ainda pode sofrer estão a redução das receitas públicas devido à baixa dos preços do petróleo. Isto será particularmente sentido nos municípios dependentes do petróleo nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.

O país possui a tecnologia, os recursos de energia renovável (incluindo minerais críticos) e as matérias-primas agrícolas necessárias para se tornar um ator global dominante nos mercados de combustíveis de baixo carbono. No entanto, sem uma política pública mais estratégica para aproveitar essas vantagens, o Brasil corre o risco de reproduzir sua posição como exportador de commodities e perder seu potencial em energia limpa.

A publicação enfatiza que aproveitar essas oportunidades exigirá decisões intencionais e baseadas em evidências, a fim de:

  • Melhorar a gestão das receitas dos combustíveis fósseis para permitir investimentos transparentes e estratégicos em mitigação e adaptação climática.
  • Aproveitar os mandatos domésticos de energia renovável, bem como o know-how tecnológico e os recursos financeiros da Petrobras, para construir cadeias de valor verdes estratégicas.
  • Realizar planejamento dedicado para integrar recursos renováveis (biomassa, hidrogênio verde) e infraestrutura de hidrocarbonetos (refinarias, oleodutos) para catalisar o desenvolvimento de combustíveis de baixo carbono, como o combustível sustentável de aviação (SAF), biocombustíveis avançados e combustíveis sintéticos.
  • Adotar uma estratégia de política externa que atraia os investimentos e tecnologias necessários para fortalecer os setores de energia limpa.

Leia o estudo de caso do Brasil completo neste link. E acesse aqui o relatório principal de 2025 do projeto Prosperity Post Fossil Fuel, assinado por Greg Muttitt. O projeto é realizado em parceria com Salzburg Global, com apoio do Stanley Center for Peace and Security e do Windward Fund.

Sobre o Caminhos para a Prosperidade Pós Combustíveis Fósseis
O PPFF, na sigla em inglês, reúne formuladores de políticas públicas, pesquisadores de destaque e principais partes interessadas de países economicamente dependentes de petróleo e gás. O objetivo é fomentar liderança visionária e apresentar soluções políticas baseadas em evidências para apoiar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e viabilizar transições energéticas justas.

O PPFF responde à necessidade de um espaço dedicado para diálogo transnacional informado por pesquisas, a fim de orientar a formulação de políticas e a tomada de decisões, alinhando expectativas e prioridades entre economias dependentes de combustíveis fósseis, enquanto o mundo se afasta desses recursos.

O PPFF oferece um espaço neutro para discussões produtivas fora dos registros oficiais, destacando análises de ponta, promovendo estratégias de transição justa e identificando caminhos para a prosperidade que alinhem as necessidades climáticas e de desenvolvimento.

Climate Strategies
A Climate Strategies atua na interface entre ciência e política, promovendo políticas climáticas por meio de interações significativas entre tomadores de decisão e pesquisadores na Europa e internacionalmente. É uma organização internacional sem fins lucrativos de intermediação de conhecimento, com uma ampla rede de pesquisadores líderes mundiais como membros. Saiba mais em climatestrategies.org.

Compartilhe:

MAIS LIDAS