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Promovidos por 3 instituições e abertos ao público, encontros vão estimular o diálogo sobre como enfrentar a emergência climática
A COP 30 terá uma programação paralela intensa com 18 rodas de conversas, concebidas em parceria por três organizações: o Laboratório da Cidade, o Observatório Interdisciplinar das Mudanças Climáticas (OIMC) e o Instituto Clima e Sociedade (iCS). Seu objetivo é impulsionar a participação da sociedade nas discussões sobre a agenda do clima na Casa da Cidade, espaço de debates vinculado ao Laboratório da Cidade, organização sem fins lucrativos voltada para inovação urbana. A ideia é estimular o diálogo entre cientistas, pesquisadores, pensadores, movimentos sociais, comunidades locais, organizações da sociedade civil, lideranças da Amazônia e todos os interessados em discutir políticas de enfrentamento à emergência climática.
A mobilização social, o intercâmbio de ideias e a troca de aprendizados acontecerão de 11 a 20 de novembro, entre 16h30 e 19h30, na Casa da Cidade, no bairro do Reduto. Estão programados também lançamentos de livros, vídeos, módulos de capacitação, materiais impressos e digitais elaborados pelas instituições parceiras (*veja programação completa nos sites Link e Link).
“As Rodas de Conversa são um momento de fora dos espaços oficiais, onde o público pode debater livremente as principais pautas da COP 30 e deixar um legado para os próximos anos”, afirma Carlos Milani, diretor do OIMC, um dos organizadores e curadores da iniciativa.
Para Lygia Nassar, diretora-adjunta do Laboratório da Cidade, Belém vai se tornar uma grande roda de conversas sobre o clima, um centro de democratização das discussões que ocorrem nas áreas oficiais e paralelas da COP 30. “Com as rodas de conversas, vamos levar para mais perto das pessoas o debate sobre como as mudanças climáticas influenciam a nossa vida”, afirma. Integrantes do Observatório do Marajó, organização que atua junto a comunidades tradicionais da Ilha de Marajó, vão dividir com o público as preocupações quanto à exploração de petróleo na Foz do Amazonas, já autorizada pelo Ibama, e o impacto dessa ação sobre o meio ambiente, as comunidades ribeirinhas e quilombolas.
Agenda – Cerca de 60 convidados, do Brasil e do exterior, vão se apresentar em 18 rodas para compartilhar iniciativas locais, nacionais e internacionais, divulgar resultados obtidos em benefício das comunidades – especialmente as mais vulneráveis – e debater soluções sobre temas centrais, como economia de baixo carbono, sistemas alimentares, cidades sustentáveis, transição energética, adaptação climática, impacto das mudanças climáticas na população mais pobre, financiamento climático, cadeias da sociobiodiversidade, educação climática, entre outros.
Um dos painéis, “Desenvolvimento: é possível conciliá-lo com a ação climática?”, terá a presença de Philip Yang, fundador do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (Urbem), enviado especial para Soluções Urbanas da COP 30. Yang é reconhecido por seus projetos de inovação urbana e desenvolvimento urbano sustentável.
Com longa trajetória em pesquisas sobre mudanças climáticas e modelos de desenvolvimento, Carlos Milani vai abordar o tema “Obstrução climática no Brasil e no mundo”, com a participação de pesquisadores nacionais e estrangeiros que apresentarão questões relevantes: quem são os principais atores que negam, atrasam e bloqueiam a agenda climática? Quais estratégias e narrativas utilizam? Como a economia política e os contextos locais influenciam a dinâmica da obstrução, no Norte e no Sul Global, e quais os caminhos para enfrentá-las?
Os desafios são grandes, porém é necessário encarar essa agenda pela nossa sobrevivência, alerta Milani, para quem a ciência já tem conhecimento e propostas suficientes. “Tem de haver uma transição para um novo modelo de desenvolvimento não pautado majoritariamente na indústria fóssil”, defende. “O que não podemos aceitar é qualquer tipo de ação no sentido de negar as mudanças climáticas, muitas vezes vindas de setores econômicos, como petróleo e gás, agronegócio e até agências de relações públicas contratadas para criar narrativas e fabricar fake news”, acrescenta.
No livro Climate Obstruction: a Global Assessment, a ser lançado após o painel, cerca de cem pesquisadores e pesquisadoras de vários países, entre eles Timmons Roberts (EUA), Jennifer Jacquet (EUA) e Christian Downie (Austrália), mostram através de dados, evidência empírica e casos de obstrução climática, como setores econômicos, atores políticos e sociais, governos e lideranças nacionais e internacionais vão contra a agenda climática de modo intencional e dificultam a implementação de políticas climáticas apoiadas pela comunidade científica.
Uma pesquisa feita na cidade de Belém exemplifica como mitigar as mudanças climáticas em favor da população e do espaço urbano. No painel “Governar para o presente: O que a Cidade Precisa (e Pode) Ser?”, o pesquisador do Laboratório da Cidade Lucas Raiol vai mostrar formas de amenizar a temperatura da capital – entre elas, a restauração ecológica em áreas essenciais para a manutenção e conexão de corredores verdes, a intensificação da arborização urbana e microflorestas, a recuperação de várzeas, manguezais e corredores ecológicos em áreas próximas a rios e zonas costeiras, tanto para evitar riscos de erosão diante do aumento do nível do mar quanto para resfriar a cidade a partir da brisa marítima. Em seus estudos, o pesquisador mapeou a morfologia urbana e analisou a superfície terrestre da cidade a partir de imagens de satélites, sensoriamento remoto e monitoramento de áreas.
Os resultados mostram um aumento expressivo na temperatura de Belém, entre 1985 e 2024, devido à crescente urbanização, à verticalização dos edifícios, à redução de áreas florestais e à impermeabilização do solo. Em cerca de 17% do território, sobretudo na Bacia do Mata-Fome, norte da capital, o calor passou a ser considerado “forte” ou “muito forte”, o que teve impacto direto na saúde das pessoas mais pobres e na vulnerabilidade ambiental da região.
“As evidências científicas provam que precisamos agir para proteger a população de um calor extremo, sobretudo as mais carentes de recursos”, alerta Lucas. É preciso orientar as políticas públicas e a tomada de decisão em favor da qualidade de vida dos cidadãos e do equilíbrio ambiental das cidades.
PROGRAMAÇÃO – RODAS DE CONVERSAS NA COP 30 (aberto ao público):
LOCAL: Casa da Cidade – Tv. Rui Barbosa 257 – Bairro Reduto – Belém/PA
DATA: 11 a 20 de novembro de 2025
HORÁRIO: das 16h30 às 19h30
*a partir das 19h30, serão realizados eventos com lançamentos de produtos do Laboratório da Cidade, do Observatório Interdisciplinar das Mudanças Climáticas (OIMC) e de parceiros.



