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25 de abril de 2026

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Chegada da expedição Voz dos Oceanos em Belém marca conclusão da primeira volta ao mundo da iniciativa global liderada pela Família Schurmann e o início das atividades da Casa Vozes do Oceano para a COP30

Crédito: Voz dos Oceanos

Retorno ao Pará também representa a quarta circum-navegação, em 41 anos, da primeira família brasileira a dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro

Belém (PA), 04 de novembro de 2025 – A expedição Voz dos Oceanos, liderada pela Família Schurmann com o apoio global do Programa da ONU para o Meio Ambiente, chegou à capital paraense concluindo a primeira volta ao mundo da iniciativa em defesa dos oceanos. O marco foi celebrado na icônica Casa das Onze Janelas, que para a COP30 está sendo transformada na Casa Vozes do Oceano, epicentro de debates, exposições e ações voltadas à conservação marinha.

Após quatro anos e dois meses e 42.176 milhas (que equivale a cerca de 78.000 quilômetros) de navegação, incluindo passagem por mais de 140 destinos em 17 países das Américas, Oceania, Ásia e África, a tripulação, a bordo do veleiro Kat, testemunhou a presença de resíduos plásticos e microplásticos em todas as regiões visitadas, mas também conheceu centenas de pessoas e iniciativas comprometidas em reverter o avanço da poluição oceânica.

A jornada da Voz dos Oceanos, iniciada em 29 de agosto de 2021 em Balneário Camboriú (SC), combinou exploração científica, educação, inovação e comunicação, reforçando o papel dos oceanos como reguladores do clima e responsáveis por mais de 50% do oxigênio que respiramos. A expedição percorreu praticamente toda a costa brasileira e, pela primeira vez, navegou pelos rios amazônicos, no estado do Pará, antes de seguir sua rota internacional.

Ao concluir sua jornada em Belém no último domingo (02 de novembro), a Voz dos Oceanos retorna a capital paraense, onde esteve pela primeira vez em fevereiro de 2022. “Concluir esta primeira volta ao mundo da Voz dos Oceanos, às vésperas da COP30 no Pará, no Brasil, é um momento de celebração e reflexão. Nossa expedição mostrou tanto os desafios quanto as oportunidades de proteção dos oceanos”, diz Heloisa Schurmann, uma das líderes da Voz dos Oceanos.

Dentro desse contexto, na Indonésia, no primeiro semestre deste ano, Voz dos Oceanos testemunhou duas realidades distintas. A tripulação conheceu diversas Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) ao longo da expedição. Entre elas, uma das maiores biodiversas do planeta, mas, bem próximo, navegou e mergulhou num mar de resíduos plásticos, uma ameaça que avança pelas águas rumo a paraísos naturais. “Até esse momento, nós encontramos resíduos em todas as praias onde desembarcamos, mas nunca tínhamos visto uma quantidade tão grande assim no meio do oceano”, conta Wilhelm Schurmann, capitão do veleiro sustentável Kat.

A correnteza marítima levou uma quantidade impressionante de resíduos para perto da embarcação e da tripulação, quando mergulhou na região. Em algumas áreas, peixes e corais dividiam seu espaço com plásticos e microplásticos, enquanto os Schurmann “brigavam” com produtos e embalagens submersas.

“Durante a viagem, o plástico espalhado pela superfície da água se adensa de repente criando uma muralha, uma fortaleza, que nos separa do nosso destino. Aquela linha espessa e infinita que se perde no horizonte representa apenas uma pequena parte dos resíduos, enquanto o resto afunda incansável. As manchas de plástico são tão grandes que não cabem na foto”, descreve a tripulante Erika Cembe Ternex.

Justiça climática

Em pouco mais de quatro anos de jornada, Voz dos Oceanos se deparou com situações adversas, mas também com protagonistas de momentos históricos. Em Thursday Island, na Austrália, por exemplo, a tripulação conheceu a pequena e vitoriosa comunidade envolvida no primeiro caso de Justiça Climática do mundo reconhecido pela ONU.

“Em 2019, um grupo de nativos das ilhas do Estreito de Torres, incluindo Thursday Island, apresentou uma queixa ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. Eles alegaram que a inércia do governo australiano diante das mudanças climáticas violava seus direitos humanos. Em 2022, o Comitê reconheceu a violação e instruiu o governo australiano a compensar as comunidades afetadas e a adotar medidas concretas para protegê-las”, explica Heloisa.

Conferindo in loco os efeitos dessa vitória, a tripulação testemunhou que ações foram iniciadas, como a construção de quebra-mares, porém, reconhece que elas ainda são insuficientes. “Os moradores continuam lutando por uma implementação mais ampla, eficaz e urgente de medidas, que incluem infraestrutura, mitigação climática e compensações pelas perdas já sofridas”, complementa a navegadora.

Vozes que ecoam esperança

Por todo o Brasil e pelo mundo, Voz dos Oceanos encontrou, e compartilhou, histórias inspiradoras de pessoas resilientes comprometidas a reverter ou minimizar os impactos ambientais do tsunami de plástico. “No Brasil, temos a Marulho, liderada pela oceanógrafa Bia Mattiuzzo, que trabalha com uma das principais fontes de poluição plástica dos oceanos que são redes de pesca fantasma. São redes descartadas ou abandonadas incorretamente que, junto com a comunidade de pescadores caiçaras de Ilha Grande, são retiradas do mar e transformadas em novos produtos, fomentando ainda a inclusão social e economia circular”, exemplifica Vilfredo Schurmann, um dos líderes da Voz dos Oceanos.

Heloisa lembra de outro projeto nacional: “Na Rocinha, no Rio de Janeiro, tem o Família na Mesa, liderado pelo Marcelinho, conquistando a comunidade para a coleta seletiva de resíduos, minimizando os impactos ambientais e impulsionando ações de economia circular”. Wilhelm traz um exemplo do exterior: “Na Costa Rica, conhecemos o CRDC – Center for Regenerative Design & Collaboration, que utiliza resíduos plásticos do mundo para fazer um Eco-Agregado que melhora o concreto para a construção civil. Além de ver essa transformação do resíduo em matéria prima para a construção civil, conferimos sua aplicação na construção do Valle Azul com mais de 100 casas para famílias de baixa renda”.

Já Erika complementa com outra iniciativa internacional. “Na Cidade do Panamá, conhecemos a Marea Verde e sua Wanda Díaz, uma inovadora solução, que utiliza energia hidráulica e painéis solares para retirar resíduos sólidos e flutuantes do rio. Além de recolher esse lixo, impedindo que chegue ao mar, a Wanda também possui um sistema de captação de imagens para análise e categorização dos resíduos coletados por meio de Inteligência Artificial”.

“Estes são apenas alguns exemplos que ilustram a mobilização mundial em defesa dos oceanos. Considerando todos os projetos visitados por nossos tripulantes, é importante ressaltar que é notório o protagonismo feminino na pauta ambiental, com mulheres liderando e atuando em projetos nacionais e internacionais inspiradores”, conclui David Schurmann, CEO do Instituto Voz dos Oceanos.

A bordo da casa flutuante, ancorada diante da Casa Vozes do Oceano

Agora, ancorados em frente à Casa das Onze Janelas, iniciamos o processo de transformação desse icônico espaço cultural para a Casa Vozes do Oceano, epicentro da causa ambiental durante essa importante Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas”, afirma David Schurmann. “Com o apoio e a parceria do Vice-Almirante Adriano Marcelino Batista, comandante do Quarto Distrito Naval da Marinha do Brasil, nosso veleiro sustentável Kat ficará ancorado onde o navio-museu Corveta-Museu Solimões costumava ficar atracado, antes de passar por uma reforma para, em breve, retomar seu lugar”, informa Vilfredo, que complementa: “Para transformar esse sonho em realidade e potencializar a pauta oceânica durante a COP30 no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, contamos ainda com apoio institucional do Governo do Pará, incluindo a Secretaria de Estado de Cultura liderada pela Ursula Vidal”.

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