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05 de março de 2026

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Com aulas na natureza, professores do interior do Ceará formam consciência ambiental desde a infância

Crédito: Freepik

Em 24 municípios, educadores lideram ações práticas fora da escola, articuladas com consórcios de resíduos sólidos, para enfrentar desafios como mudanças climáticas e insegurança hídrica

Semear hoje a consciência ambiental para evitar, no futuro, desastres climáticos, insegurança hídrica e a escassez de alimentos. No Dia da Educação Ambiental, celebrado em 26 de janeiro, professores de 24 municípios do interior do Ceará apostam que a transformação começa na infância, dentro e fora dos muros da escola. 

Plantar um baobá ou levar a sala de aula para um parque são algumas das atividades que colocam as crianças em contato direto com a natureza. Com o apoio de consórcios municipais de manejo de resíduos sólidos, educadores estruturam a educação ambiental de forma multidisciplinar, envolvendo também as famílias em atividades de preservação.

A articulação entre pequenos municípios cearenses em torno da educação ambiental começou com uma iniciativa do Consórcio Público de Manejo dos Resíduos Sólidos da Região Metropolitana B (CPMRS-RMB), em parceria com o Grupo Eureka. Em 2025, outros dois consórcios aderiram à proposta, reunindo mais de 800 professores em formações voltadas à sustentabilidade.

“Além das ações de manejo de resíduos, entendemos a importância de dialogar com o cidadão em formação. Ao investir na educação ambiental desde a infância, contribuímos para que essas crianças cresçam conscientes sobre a necessidade de cuidar do meio ambiente e de garantir um futuro com recursos naturais preservados”, afirma o superintendente do CPMRS-RMPB, Elano Damasceno.

Maranguape: parque como sala de aula

Imagine acompanhar o plantio de uma árvore, voltar semanas depois para ver as primeiras folhas surgirem e perceber que você também faz parte daquela história. É assim que funciona o projeto Adote uma Árvore, desenvolvido pelo professor e educador ambiental Fernando Bessa, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza.

O educador faz do Parque Ecológico Renato Braga o principal espaço de aprendizagem para crianças do Ensino Fundamental. Cada turma participa diretamente do plantio da muda, coloca a mão na terra, aprende sobre o solo, a importância da água e passa a acompanhar, ao longo do tempo, o desenvolvimento daquela árvore, retornando ao local para regar, observar o crescimento e registrar as mudanças.

Fernando não pára por aí e faz questão de envolver toda a comunidade quando o assunto é meio ambiente. A Blitz Ecológica reúne alunos em pontos estratégicos da cidade, como semáforos e passarelas, para conversar com os moradores sobre preservação ambiental e mudanças climáticas. Além de compartilhar informações, a atividade inclui a distribuição de mudas de plantas nativas, panfletos educativos, adesivos e saquinhos para o descarte correto de resíduos. 

As famílias também são envolvidas quando as crianças precisam coletar materiais recicláveis para as oficinas de brinquedos. “Quando os pais e/ou responsáveis participam das atividades, o aprendizado não fica restrito à escola. As crianças levam o que aprendem para casa, compartilham esse conhecimento e passam a aplicar no dia a dia, o que fortalece a construção de novos hábitos”, explica o professor. 

Horizonte: escola quilombola em ação ambiental

Em uma escola quilombola do interior do Ceará, em Horizonte, a educação ambiental ganhou raízes profundas com o plantio de um baobá — árvore de origem africana e símbolo de ancestralidade, resistência e coletividade. A atividade, conduzida pela professora Francisca Marinalva, conectou o cuidado com o meio ambiente à cultura dos povos africanos, para os quais a natureza é extensão da casa e da própria vida. 

A ação ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental e Quilombola Maria Teodora Evangelista Costa, no distrito de Queimadas, em Horizonte. A atividade permitiu que os alunos colocassem literalmente a mão na terra, participando do plantio, da rega e acompanhando, dia após dia, o desenvolvimento da árvore. 

A empolgação das crianças motivou a professora a liderar também a implementação de uma horta na escola, junto às turmas do 1º ao 3º ano. Ao acompanhar o crescimento das plantas, os alunos aprendem, na prática, sobre responsabilidade, atenção e o tempo da natureza. “Foi bonito ver que eles, mesmo tão pequenos, passaram a perceber o próprio papel na preservação do ambiente. Foi realmente gratificante ver que a semente do saber e da curiosidade está sendo plantada”, conta a educadora.

A escola de Francisca também implementou a coleta seletiva, oficinas com materiais recicláveis e rodas de conversa sobre sustentabilidade. Segundo a professora, a participação em formações sobre o tema foi fundamental, assim como o apoio da Secretaria Municipal de Educação e dos livros do Grupo Eureka. “Nesses encontros formativos, despertamos para a necessidade de trabalhar com nossos educandos a cultura afro-indígena, o meio ambiente e a sustentabilidade. A partir disso, organizamos ideias e ações a serem colocadas em prática em parceria com toda a comunidade escolar.”

Chorozinho: sustentabilidade integrada à rotina escolar

Leituras mediadas, rodas de conversa e atividades práticas fazem parte da estratégia da Escola de Ensino Fundamental Joaquim Angelino da Silva, em Chorozinho, para integrar a educação ambiental à rotina escolar e à realidade dos alunos. A proposta busca transformar conceitos em ações concretas do dia a dia, dentro e fora da sala de aula.

Entre as iniciativas está a coleta seletiva, na qual os estudantes aprendem a identificar e separar corretamente papel, plástico, metal e resíduos orgânicos, compreendendo o destino de cada material após o descarte. O reaproveitamento também é trabalhado em atividades pedagógicas e artísticas, com materiais recicláveis transformados em brinquedos e objetos educativos, estimulando a criatividade e o trabalho coletivo.

Antes das ações, os alunos participam de momentos de preparação, nos quais compartilham conhecimentos e refletem sobre situações do cotidiano. Durante as atividades, assumem papéis ativos na organização dos espaços e na separação dos resíduos. Após a implementação, a escola passou a observar maior cuidado com os ambientes coletivos, além de questionamentos frequentes e relatos trazidos de casa, indicando o envolvimento das famílias.

A professora Francisca Dalila Barbosa Araújo explica que a iniciativa surgiu da necessidade de tornar a educação ambiental mais prática e próxima da realidade local. “Começamos pelo cuidado com o lixo dentro da escola, ensinando os alunos a separar corretamente e entender como pequenas escolhas impactam o ambiente. A partir disso, ampliamos a conversa para o uso responsável da água, da energia e o cuidado com os espaços coletivos, para que esses hábitos fizessem parte da rotina”.

Coleção Sustentabilidade 

A coleção Sustentabilidade, do Grupo Eureka, foi adotada por consórcios municipais das regiões Metropolitana B, Litoral Norte e Crateús II. Os livros são destinados a alunos do 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental e abordam a gestão de resíduos sólidos, com foco em coleta, tratamento e destinação final.

Além do material impresso, professores e estudantes contam com apoio pedagógico digital pela plataforma Eureka Digital, que reúne vídeos, áudios, livros em PDF, videoaulas e orientações pedagógicas. Nesse ambiente virtual está disponível também a série de animação “Capitã Reciclagem”, que apresenta de forma lúdica a importância do reaproveitamento de materiais.

As 24 cidades incluídas no Projeto Sustentabilidade são: Chorozinho, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga, Maranguape, Ocara, Pacajus, Acaraú, Barroquinha, Bela Cruz, Camocim, Chaval, Cruz, Granja, Itarema, Jijoca de Jericoacoara, Marco, Martinópole, Morrinhos, Novo Oriente, Ararendá, Independência, Ipaporanga e Crateús.

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