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Diretor do PB Colégio e Curso observa queda na tolerância ao esforço prolongado entre jovens e alerta que a hiperestimulação digital prejudica foco e rendimento escolar
A dificuldade que muitos adolescentes demonstram para sustentar atenção e lidar com tarefas mais longas não é apenas um fenômeno geracional. Especialistas afirmam que o comportamento dos adultos tem papel decisivo na formação dessa impaciência. Estudos da Universidade de Cambridge mostram que o tempo médio de foco contínuo entre jovens caiu cerca de 31% na última década, mas educadores observam que a maneira como as famílias e a sociedade consomem informação também contribui para esse cenário.
No PB Colégio e Curso, instituição do Rio e de Niterói reconhecida pelas aprovações em Medicina, IME, ITA, Escola Naval, UERJ e por mais de 240 medalhistas em Olimpíadas do Conhecimento, essa mudança comportamental é visível. O diretor Hugo de Almeida, especialista em organização de estudos, explica que a impaciência não nasce apenas das telas, mas do ambiente social que cerca o jovem.
Ele observa que o adulto moderno, muitas vezes, também perdeu a tolerância ao ritmo mais lento. O especialista destaca que responder mensagens enquanto realiza outras tarefas, assistir vídeos em velocidade acelerada, desistir rapidamente de leituras longas e buscar soluções imediatas para tudo são comportamentos comuns entre pais e responsáveis.
“É difícil pedir que o adolescente sustente foco quando ele vê, diariamente, adultos que também não conseguem sustentar. Vivemos todos em um tempo acelerado. O jovem reproduz esse ritmo”, afirma.
Segundo Hugo, essa imitação é natural, porque o comportamento do adulto serve como referência emocional e cognitiva. Quando pais demonstram dificuldade para esperar, para lidar com frustrações ou para manter constância em seus próprios hábitos, o adolescente absorve essa lógica e a reproduz no processo escolar. Ele explica que muitos estudantes chegam à escola com ansiedade elevada, mas que parte dessa ansiedade se forma em casa, a partir de modelos familiares que também são marcados pela pressa.
Nos corredores do colégio, é comum que professores percebam situações em que o aluno desiste de uma atividade mais longa simplesmente porque está acostumado à dinâmica imediata. Em alguns casos, Hugo relata que a resistência pode surgir em momentos simples, como a leitura de um capítulo inteiro de um livro ou a resolução de exercícios que exigem várias etapas. Ele explica que a sensação de desconforto aparece rapidamente e que o jovem tende a interpretá-la como incapacidade, quando na verdade é apenas falta de hábito.
Para reconstruir essa capacidade, o PB aposta em rotinas progressivas que ajudam o estudante a treinar permanência. No Fundamental Anos Finais, os adolescentes vivenciam momentos de estudo guiado, passam a realizar tarefas mais longas e são orientados por professores e coordenadores que acompanham de perto a evolução de cada aluno. Hugo destaca que o ambiente precisa funcionar como um contraponto à aceleração externa, oferecendo espaços silenciosos, tempo de leitura contínua e atividades que exijam construção por etapas.
O especialista reforça que as famílias têm um papel essencial nesse processo. Ele explica que, quando os adultos estabelecem limites claros para o uso de telas, respeitam momentos de silêncio, leem com constância ou demonstram paciência em tarefas pessoais, enviam ao jovem uma mensagem poderosa sobre disciplina e autocontrole.
“O adolescente observa tudo o que o adulto faz. Não adianta pedir calma mostrando pressa. Não adianta cobrar concentração vivendo disperso. O exemplo tem um peso enorme na formação do hábito de estudo”, afirma.
Hugo acrescenta que recuperar a paciência para estudar é algo que vai além da vida escolar. Ele defende que a capacidade de lidar com processos longos é uma habilidade de vida, essencial para maturidade emocional e intelectual. “A profundidade não nasce da pressa. Ela nasce da permanência. Quando formamos um estudante capaz de sustentar um processo, estamos formando um adulto mais seguro e mais preparado para o mundo”, conclui Hugo de Almeida, diretor do PB Colégio e Curso.



