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Faltando pouco mais de um mês para a COP30, que será realizada em Belém (PA), o debate sobre financiamento climático volta ao centro das atenções. Embora o Brasil tenha avançado no discurso sobre transição para uma economia de baixo carbono, a principal dificuldade continua sendo tirar do papel projetos sustentáveis que realmente façam a diferença no enfrentamento da crise climática.
De acordo com o relatório Panorama de Financiamento Climático para Uso da Terra no Brasil 2021–2023, a média anual de investimentos em ações climáticas atingiu cerca de R$ 88,1 bilhões nesse período, o que representa um crescimento de 145% em relação à média de R$ 36 bilhões observada no período anterior. Esse avanço, porém, não decorre apenas de um aumento real nos investimentos, mas também porque parte dos recursos que já existiam passou a ser considerado como investimento sustentável, principalmente por conta de políticas que facilitaram o crédito para projetos alinhados às metas climáticas.
Para especialistas, a solução passa pela construção de uma agenda sólida de cooperação entre o setor público e a iniciativa privada. Isso porque o volume de recursos demandado para ações como a transição energética, a restauração de ecossistemas e o fortalecimento da infraestrutura urbana diante de eventos extremos exige alianças estratégicas e complementares entre diferentes setores, potencializando esforços e resultados.
Já o setor privado, embora tenha capital e interesse crescente em investir em iniciativas alinhadas a critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), ainda encontra entraves como instabilidade regulatória e dificuldade de acesso a projetos bem estruturados. A articulação entre os dois setores é fundamental para criar instrumentos financeiros de longo prazo (como fundos climáticos, parcerias público-privadas e linhas de crédito verde) que ofereçam segurança jurídica e retorno social e ambiental mensurável.
Para Daniel Grynberg, diretor-executivo do Grupo Mais Unidos, avançar no financiamento climático no Brasil passa pela criação de um ambiente confiável que atraia investimentos e promova colaborações efetivas entre diferentes setores.
“Hoje, o principal desafio do financiamento climático no Brasil não é mais a falta de diagnóstico ou entendimento sobre a gravidade da crise, mas sim a dificuldade de transformar essa agenda em projetos estruturados, com escala, impacto e boa governança”, comenta Grynberg. “Para isso, é fundamental que haja uma articulação real entre os setores público e privado, capaz de criar um ambiente regulatório estável, com incentivos adequados e mecanismos financeiros que atraiam capital de longo prazo. Sem esse alinhamento, corremos o risco de seguir discutindo soluções sem conseguir implementá-las de fato”, complementa.
A conferência, que ocorrerá pela primeira vez na Amazônia, deve ampliar a visibilidade e a urgência dessas discussões. A expectativa é que o evento seja um catalisador de compromissos práticos e articulações que acelerem o fluxo de investimentos para iniciativas verdes.
Sobre o Grupo + Unidos
O Grupo + Unidos é uma iniciativa de investimento social colaborativo que há 15 anos atua no Brasil promovendo educação, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável, com foco na Amazônia Legal. O Grupo reúne empresas e organizações como USAID, Microsoft, Alcoa, ExxonMobil, entre outras, para transformar comunidades por meio de projetos estratégicos.
Daniel Grynberg
Membro do Comitê Gestor e diretor executivo do Grupo +Unidos. Possui mais de 10 anos de experiência em investimento social, empreendedorismo, aceleração e desenvolvimento de negócios. É bacharel em Administração de Empresas pelo Insper, com cursos complementares em Valuation, Empreendedorismo e mestrado em Gestão Pública pelo Insper. Além disso, Daniel atua nos segmentos de inovação social, ESG, programas de aceleração, gestão de projetos, capital de risco, dívida e medição de impacto social.



