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• 70% dos entrevistados na 3ª edição da pesquisa Na Trilha da COP, da Fundamento Análises, indicaram essa razão, seguida pelas dificuldades da infraestrutura limitada, mencionada por 43%
• Levantamento ouviu 60 executivos que escolheram se identificar nas edições anteriores para compreender o nível de engajamento às vésperas do evento
São Paulo, 24 de setembro de 2025 – Faltando pouco mais de um mês para a realização da COP 30, em Belém (PA), um estudo realizado pela Fundamento Análises, divisão de Business Intelligence da Fundamento Grupo de Comunicação, mostrou que empresas sediadas no Brasil estão desistindo de participar da conferência devido aos altos custos. Esse foi o principal motivo apontado por 70% dos entrevistados, seguido pelas dificuldades da infraestrutura limitada, indicadas por 43%.
A terceira edição da pesquisa “Na Trilha da COP: Uma visão corporativa dos desafios climáticos”, ouviu 60 executivos que escolheram se identificar nas edições anteriores desse levantamento, sendo a maioria gestores atuantes em empresas nacionais de médio e grande porte.
“O foco desse estudo qualitativo foi compreender se as tendências de engajamento com a COP 30, apontadas pelos quase mil executivos de empresas sediadas no Brasil entrevistados nas edições de 2023 e 2024 da pesquisa, se mantinham às vésperas do evento”, destaca Marta Dourado, CEO da Fundamento Grupo de Comunicação. Segundo ela, as impressões compartilhadas apontam que, nesse grupo, a maioria optou por não estar na conferência. “42% não pretendiam participar antes e mantiveram essa decisão, e 20% mudaram de ideia e não comparecerão ao evento”, informa.
Marta acrescenta que a investigação trouxe também os reflexos do principal desafio para a mitigação das consequências do aquecimento global hoje, não apenas no Brasil, mas no mundo: a necessidade de conciliar demandas econômicas e climáticas, que afeta em grande medida inclusive as deliberações da COP.
“Se por um lado 67% dos executivos nesse grupo avaliam que os ativos naturais e o pioneirismo do Brasil em fontes de energia limpas favorecem sua liderança nas soluções de longo prazo, penso que é isso que leva um terço deles a afirmar também que, hoje, o país não é um bom exemplo em preservação ambiental”, diz a CEO. “Nesse último caso, citaram fatos recentes, como os projetos de lei em tramitação que permitem a exploração de mineração em terras indígenas e a flexibilização das exigências para o licenciamento ambiental”, detalha.
Distanciamento e falta de visão a longo prazo
Os depoimentos desses executivos possibilitam concluir que ainda não será desta vez que o engajamento corporativo ganhará tração, para cumprir com propriedade seu papel crucial na construção de uma sociedade sustentável a longo prazo, como explica Adriana Panzini, head da Fundamento Análises.
“Embora esse grupo reconheça a importância de decisões que possibilitem avançar em questões urgentes, como a implementação de tecnologias de energia renovável e as soluções de baixo carbono, há um descolamento entre o planejamento de negócios e a visão de sustentabilidade a longo prazo”, ressalta Adriana.
A head explica que, na edição de 2024, 24% das empresas acreditavam que as medidas definidas na COP não trariam nenhum impacto para os negócios. E 13% não sabiam dizer se as decisões teriam algum impacto ou não. Já nessa terceira edição, isso apareceu novamente. “23% dos entrevistados afirmaram que não participarão da COP 30 por avaliar que não haverá decisões relevantes para os negócios, e 18% destacaram que as prioridades de investimento da companhia mudaram. Entre a minoria que decidiu participar, 33% afirmaram que a principal razão é a pressão dos stakeholders”, complementa Adriana.
De acordo com a CEO da Fundamento Grupo de Comunicação, as percepções desse grupo levam a um cenário em que, apesar dos avanços dos últimos anos, há muito o que evoluir. “Ainda há a necessidade de conscientização e sensibilização das empresas nacionais e sediadas no Brasil para a gravidade da atual situação climática, começando pelas lideranças”, conclui.
Sobre a pesquisa Na Trilha da COP
A pesquisa Na Trilha da COP foi concebida e implementada pela Fundamento Análises, unidade da Fundamento Grupo de Comunicação especializada em Business Intelligence. Seu propósito é apurar como as empresas sediadas no Brasil se engajam com as questões ASG (Ambiental, Social e Governança) e, em especial, com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP. Com a definição do Brasil como destino da COP 30, passou a abranger também as expectativas em relação ao país como protagonista de importantes questões ambientais.
A primeira edição, realizada em 2023, contou com a participação de mais de 300 executivos de ASG e áreas correlatas – a maioria exercendo cargos de gestão em empresas de médio e grande porte. Esse mesmo perfil se manteve na segunda edição, em 2024, desta vez com mais de 500 entrevistados.
Em 2025, às vésperas da COP 30, a terceira edição da pesquisa veio com uma proposta diferente. Diante das discussões envolvendo a organização e a representatividade da conferência no Brasil, a Fundamento Análises realizou uma sondagem qualitativa com 60 participantes das duas primeiras edições que optaram por se identificar. O foco foi investigar se o contexto atual afetou as impressões e decisões anteriores de engajamento na conferência no Brasil.
Sobre a Fundamento Grupo de Comunicação Com 35 anos de atuação, a Fundamento Grupo de Comunicação é uma agência brasileira que integra performance, autoridade digital e comunicação corporativa. Com equipes especializadas e metodologias baseadas no Ágil, viabiliza estratégias que apoiam objetivos de negócios com todos os serviços em só lugar: marketing, relações públicas, assessoria de imprensa, produção audiovisual e inteligência de mercado. Associada da Baird’s CMC e da GlobalComPR Network, possui ainda extensa expertise em projetos internacionais, seja na América Latina – onde conta com ampla rede de parceiros – ou em iniciativas globais.



