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Escola aposta em jovens pesquisadores com visão ambiental e humanista, promovendo formação com foco em produção científica sustentável
Enquanto líderes mundiais discutem o futuro do planeta e os desafios da crise climática na COP 30, um grupo de jovens cientistas em formação já se prepara para agir. Estudantes da Ilum – faculdade de Campinas ligada ao CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) – transformaram um dos mais importantes relatórios sobre o clima, o Indicators of Global Climate Change 2024, publicado em junho e assinado por mais de 50 cientistas de diversos países, em uma produção multimídia acessível e envolvente.
O trabalho combina infográficos e animações criativas para mostrar, de forma didática, como os gases do efeito estufa ameaçam a vida no planeta. O desafio proposto pela escola foi traduzir informações altamente técnicas em uma linguagem clara e próxima do público geral. A iniciativa parte do entendimento de que comunicar as ameaças climáticas é, hoje, um dos grandes desafios da ciência.
Produzido nas aulas de Humanidades – parte essencial da grade curricular da Ilum – os alunos escolheram diferentes temas de interesse para criar narrativas capazes de mostrar a gravidade do cenário atual e a urgência de ações concretas. Uma das propostas, por exemplo, compara a corrida contra o tempo para conter o aquecimento global a uma prova de Fórmula 1, em que o sucesso depende da sintonia entre pilotos, mecânicos e engenheiros. Outro grupo recorreu à metáfora da gastronomia, transformando o aquecimento global em uma “receita” com ingredientes como CO₂ (dióxido de carbono) e CH₄ (metano).
“Fomos entendendo como interpretar gráficos, dados e toda a coleta de informações para a produção do artigo, o que foi muito interessante para a parte acadêmica. Mas acho que traduzir isso em uma linguagem clara para o público foi algo realmente enriquecedor. Não estamos fazendo ciência apenas para o meio acadêmico. Queremos que a ciência seja clara para as pessoas”, disse Lorena Ribeiro Nascimento, estudante do 4° semestre da Ilum.
“Enquanto pesquisas em materiais e química buscam novas fontes de energia e alternativas que tornem o planeta mais viável a médio e longo prazo, nós olhamos para o outro lado da equação: quem são os responsáveis por essas mudanças e quais as consequências do ritmo acelerado da vida humana”, explica Ivia Minelli, professora da Ilum e responsável pela área de Humanidades.
Na Ilum, a Ciência é tratada como parte de um ecossistema que inclui ética, história e responsabilidade social. A proposta é formar profissionais capazes de propor soluções inovadoras sem perder de vista o impacto humano e ambiental das suas ações.
A abordagem que busca formar um cientista interdisciplinar se estende ao projeto final de curso da Ilum, quando os alunos precisam propor soluções para desafios reais. Muitos dos projetos desenvolvidos neste ano têm foco em impacto ambiental, energia limpa e sustentabilidade, evidenciando a afinidade entre a formação oferecida pela Escola e as urgências debatidas nas conferências climáticas globais. Os demais projetos tratam de questões sociais da vida contemporânea, como a busca por novos tratamentos na área da saúde.
A Ilum forma cientistas preparados para atuar em um mundo em transformação: profissionais que não apenas dominam o conhecimento técnico, mas também compreendem e comunicam o papel da Ciência na construção de um futuro mais sustentável.
Sobre a Ilum Escola de Ciência
A Ilum é uma escola de Ensino Superior gratuita, que emprega uma abordagem interdisciplinar para a formação de cientistas e profissionais em Ciência e Tecnologia. Com um modelo educacional inovador, o bacharelado de três anos oferece aulas em tempo integral, conectando Ciências da Vida, Ciências da Matéria, Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Humanidades para formar pesquisadores aptos a atuar de forma ética e colaborativa na busca por soluções às questões globais do século XXI. A Ilum é financiada pelo Ministério da Educação (MEC) e integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Sua proposta de ensino oferece contato precoce com atividades experimentais, seja nos laboratórios didáticos da Ilum ou no CNPEM, em projetos desenvolvidos junto aos pesquisadores.
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País, o CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC).



