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24 de abril de 2026

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Crianças que aprendem o valor das coisas se tornam adultos mais conscientes

Crédito da foto: Freepik

Ensinar o valor das coisas,  e não apenas o preço, é uma lição que transforma o futuro financeiro e emocional das crianças

Mais do que uma data de consumo, o Dia das Crianças pode se tornar uma oportunidade educativa. Segundo a psicóloga Priscila Rossi, idealizadora da Escola da Educação Financeira Infantil, “o presente é apenas o ponto de partida para uma conversa sobre o que realmente importa: tempo, esforço e valor”. Ela defende que o processo de escolha pode ser tão importante quanto o ato de ganhar algo.

Ao incluir as crianças nas decisões sobre o que desejam e o que realmente precisam, os pais ajudam a desenvolver autonomia emocional. “Quando a criança entende que nem tudo pode ser comprado agora, ela aprende a lidar com frustrações e a planejar melhor seus desejos”, explica Priscila.

A lista de desejos como ferramenta de educação emocional

Organizar uma lista de desejos é uma das formas mais práticas de trabalhar prioridades. Segundo Priscila, esse exercício ajuda a criança a visualizar o que realmente é importante para ela. “Pedir para que ela numere seus desejos ou desenhe o que quer é um exercício simples, mas profundo. Mostra o que é prioridade e o que é apenas impulso”, destaca.

Além de promover o autoconhecimento, o processo ajuda os pequenos a compreenderem que o tempo e o dinheiro são limitados. Essa percepção é fundamental para o desenvolvimento da paciência e da disciplina. “A espera pode ser um treino emocional. Quando bem orientada, ensina que conquistar algo leva tempo e esforço”, acrescenta a especialista.

Aprender o valor das coisas, não apenas o preço

Um dos principais desafios dos pais é ensinar que o valor de um presente não está no preço. “Crianças associam o tamanho do pacote ou o número de brinquedos ao amor recebido, e isso é algo que precisamos desconstruir”, alerta Priscila Rossi. O diálogo sobre o que faz um presente ser especial (o significado, a lembrança, o cuidado) pode ser mais valioso que o objeto em si.

Essas conversas constroem uma base emocional sólida para o futuro. Crianças que aprendem a reconhecer o valor simbólico das coisas tendem a se tornar adultos mais conscientes nas decisões de consumo. “Quando a emoção e o raciocínio caminham juntos, o dinheiro ganha propósito”, diz Priscila.

O papel dos pais como exemplo e mediadores

Os pais são o principal espelho do comportamento financeiro e emocional das crianças. Segundo Priscila, “não adianta falar sobre escolhas conscientes se os adultos compram por impulso”. Ela recomenda que os pais compartilhem suas próprias decisões de compra, mostrando quando é hora de esperar ou priorizar algo essencial.

Essa transparência ajuda a criar um ambiente de confiança e aprendizado mútuo. “As crianças aprendem muito mais observando do que ouvindo. Quando veem o adulto planejando e refletindo antes de consumir, entendem que o dinheiro é uma ferramenta, não um problema”, explica.

Presente consciente: o que realmente educa

Presentear não precisa ser sinônimo de excesso. Experiências, livros e atividades manuais são opções que estimulam o vínculo familiar e o aprendizado. “O presente consciente é aquele que desperta curiosidade, criatividade ou afeto. Pode ser um jogo de tabuleiro, um passeio, ou até um tempo de qualidade juntos”, sugere Priscila Rossi.

Ao escolher um presente com propósito, os pais ensinam sem precisar impor. “A educação financeira começa quando mostramos que nem tudo tem um preço, mas tudo tem um valor. O tempo com os filhos, por exemplo, é o presente mais transformador que existe”, reforça.

Consumo responsável e futuro sustentável

Ensinar responsabilidade financeira desde cedo também tem impacto social. Crianças que compreendem os limites do consumo se tornam adultos mais conscientes em relação ao meio ambiente e à coletividade. “Educar financeiramente é também formar cidadãos que entendem o impacto de cada escolha”, destaca Priscila.

Ela lembra que o aprendizado não se resume ao dinheiro, mas à construção de uma mentalidade sustentável. “Quando a criança aprende que pode escolher menos, mas melhor, estamos ensinando um novo padrão de consumo — mais afetivo, mais ético e mais responsável”, conclui.

Priscila Rossi é psicóloga e idealizadora da Escola da Educação Financeira Infantil. Priscila atua há mais de 15 anos com análise de comportamento, é coautora do livro “Educação Consciente – Criando com Empatia” e autora dos livros infantis: “Os três cofrinhos e o lobo”  e  “As ricas histórias da Nona Nota”.

Priscila é embaixadora do Powpay(Conta Digital infantil pioneira em educação financeira), embaixadora da OLITEF, é professora da Finclass, TEDx Speaker e ministra o 1º Curso de Educação Financeira Infantil aprovado pelo MEC.

Para saber mais:

https://www.instagram.com/educacao.financeira.infantil
https://www.linkedin.com/in/priscilarrossi

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