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20 de março de 2026

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Crowdfunding social ganha força com engajamento de empresários e projetos de impacto coletivo

Foto: Freepik

A conexão entre filantropia e empreendedorismo tem fortalecido o impacto social no Brasil e motivado empresas a adotarem o financiamento coletivo para transformar responsabilidade em ação colaborativa

A união entre filantropia e empreendedorismo está promovendo mudanças significativas no cenário social brasileiro. O modelo de crowdfunding social, ou financiamento coletivo, vem ganhando espaço entre empresas que desejam transformar responsabilidade social em ação concreta.

No Brasil, a execução de projetos sociais é uma prática consolidada. Cada vez mais engajado, o empresariado nacional passou a enxergar a responsabilidade social como um valor estratégico, entendendo que a convergência entre causa e negócio pode somar forças e gerar impactos profundos.

Crowdfunding social

O crowdfunding social permite que empresas, em vez de financiar integralmente um projeto, mobilizem clientes, funcionários, parceiros e a comunidade em geral para contribuir financeiramente com causas específicas. Segundo especialistas, a prática fortalece o ecossistema de impacto ao distribuir a responsabilidade de forma colaborativa.

A estratégia segue etapas bem definidas:

  • Escolha da causa: empresas selecionam projetos alinhados aos seus valores institucionais;
  • Criação da campanha: com identidade visual própria, a iniciativa é lançada em plataformas de financiamento coletivo;
  • Engajamento do público: colaboradores, consumidores e parceiros são incentivados a participar;
  • Contrapartida: em alguns casos, há matchfunding, quando a empresa iguala ou aumenta o valor arrecadado junto ao público.

O crescimento do modelo reflete um cenário mais amplo: o avanço da filantropia empresarial. Diversas companhias têm investido em iniciativas voltadas à educação, saúde, meio ambiente e desenvolvimento comunitário. Além disso, muitas utilizam incentivos fiscais e programas de voluntariado corporativo para ampliar seu impacto. Quanto a isso, de acordo com pesquisa da Ampliar, 77% dos consumidores avaliam melhor empresas que se engajam socialmente, o que também influencia diretamente na atração e retenção de talentos.

PAGOS Social: Associação de fintechs e seu compromisso com o apoio social

A articulação entre filantropia e empreendedorismo vem ampliando o alcance de iniciativas sociais em diversas regiões do país. O mesmo acontece com a Associação PAGOS, que presta apoio a projetos e instituições de auxílio, reunindo as empresas associadas a partir de seu comitê de ações sociais, intitulado PAGOS Social. À frente do comitê está o filantropo Daltro Salvador, que lidera uma série de ações voltadas à redução das desigualdades e ao fortalecimento de causas coletivas. “Engajar pessoas é o caminho para fortalecer a filantropia e reduzir desigualdades”, afirma Salvador.

Para Salvador, os líderes empresariais têm um papel determinante no estímulo à cultura de doação. “Acredito que, quando conseguimos engajar pessoas que fazem parte de empresas, passamos a colocar em prática a nossa postura como exemplo a ser seguido. Isso porque a função da filantropia é se adequar às questões problemáticas e econômicas do país, com o objetivo centrado em reduzir a desigualdade social, e quando o manejo dessas questões vem anexo às ações das empresas, os resultados são ainda mais abrangentes”.

Maratona 200×20

Entre os projetos e instituições de auxílio apoiados pelo Comitê de Ações Sociais da PAGOS, encontram-se a campanha Maratona 200×20 e o IFL – Instituto Fraternal de Laborterapia. A Maratona 200×20, idealizada por Fábio Jurcovichi Costa, dirigente do Instituto Cultural TUPAJÓ, e um associado Pessoa Física da PAGOS, é uma campanha que tem como foco a arrecadação de cestas básicas a partir de doações com valor inicial de R$20. “Não há nenhuma prerrogativa ou delimitação de participação de pessoas. Até incentivamos que divulguem nas suas redes sociais, convidem amigos, parentes, enfim, todos podem contribuir. Sempre divulgamos os boletins com a quantidade de cestas arrecadadas. Todos podem acompanhar a entrega e visitar os locais que são agraciados com as doações”, afirma Costa.

No primeiro semestre de 2025, a campanha arrecadou 662 cestas básicas e 5.097 quilos de alimentos. “Também aceitamos alimentos não perecíveis, roupas e até móveis”, complementa. Dados do CIEDS e do Instituto Nelson Wilians indicam que projetos sociais têm promovido a inclusão produtiva e o fortalecimento comunitário e segundo o IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), a filantropia permanece como ferramenta de resistência e inovação em tempos de crise.

IFL – Instituto Fraternal de Laborterapia

Outro exemplo de impacto vem do IFL, onde mulheres em cargos de liderança promovem um modelo de acolhimento humanizado para pessoas em situação de vícios e compulsividades. A presidente da instituição, Maria Rosangela do Bonfim, mais conhecida como Rose, destaca que “o primeiro contato é através da recepção, onde procuramos dar um acolhimento de empatia e respeito. O curso sobre dependência química, ministrado no IFL por profissionais da saúde, capacita o voluntário a mostrar que a pessoa está no lugar certo, momento em que vamos ouvi-la sem julgamento e sem críticas.”

Rose observa, ainda, que a negação por parte dos dependentes e o envolvimento disfuncional das famílias são barreiras comuns no processo de recuperação. “Normalmente, é a família que determina, e também ameaça o dependente químico, impondo que busque ajuda; nós sabemos que toda a família está, de certa forma, doente e precisa de ajuda profissional.” 

Além disso, o IFL oferece atendimentos psicológicos, práticas integrativas como reiki e ioga e encontros diários de apoio, além da entrega simbólica de medalhas aos usuários que mantêm a abstinência. “Acreditamos que esse reconhecimento é um incentivo. Nessa ocasião, os familiares são convidados para testemunhar o quanto é gratificante ver alguém limpo do álcool e das drogas. Temos muitos casos em que vínculos familiares, antes destruídos, começam a se reconstruir.”

Da mesma maneira, e seguindo o mesmo intuito, a vice-presidente do Instituto, Alvina Darc Siqueira Cirilo, compartilha sua trajetória no voluntariado.“Entendi o quanto a dependência química traz sofrimento direto e indireto. Situações de perdas e abandono que levam ao descrédito com a própria vida. É nosso papel fortalecer o dependente para que ele não desista.” Ela defende maior presença do Estado e valorização dos trabalhos em rede. “No mundo ideal, o poder público deveria atuar junto às ONGs para oferecer suporte médico e segurança a quem enfrenta uma situação tão dolorosa. A realidade não é bonita, mas é possível reconstruir vínculos, sim! Ninguém salva ninguém. Estamos aqui para apoiar e dizer: ‘você não está sozinho(a)’”.

Alvina também destaca o papel das pessoas mais velhas no fortalecimento das ONGs. “As pessoas com mais idade fortalecem as ONGs. Precisamos valorizar isso e incentivar o voluntariado. Duas horinhas por semana podem mudar vidas.” E ainda encerra com uma mensagem de empatia e firmeza, citando mulheres que são vítimas do vício. “As mulheres são cobradas e, muitas vezes, coagidas em suas relações. Precisam de tratamento tanto quanto aqueles que vivem o vício diretamente. Vamos à luta para fortalecer quem nos procura. Salvar, não. Fortalecer, sim”, finaliza a vice-presidente.

PAGOS Social em expansão

Outros projetos acompanhados pela Associação PAGOS incluem:

  • Tenda de Cristo: acolhimento de crianças e adolescentes afastados judicialmente do convívio familiar;
  • Porto de Areia: atendimento a famílias vulneráveis em Carapicuíba (SP);
  • Fundação Pró-Sangue: incentivo à doação voluntária de sangue;
  • Coopermiti: triagem e descarte correto de resíduos eletroeletrônicos;
  • AFESU Moinho: oficinas de tecnologia e desenvolvimento de hard e soft skills para jovens mulheres;
  • Juntos Vamos Mais Longe: rede de voluntariado e captação de recursos para organizações sociais da Grande São Paulo.

Novas oportunidades para 2025

Nesse ínterim, a extensão da Agenda Regulatória da CVM até 30 de junho de 2025 abriu novas perspectivas para empresas de médio porte que desejam ampliar sua atuação em filantropia com mais segurança jurídica e incentivos fiscais. De acordo com a plataforma Nossa Causa, estratégias de captação como editais, crowdfunding, parcerias corporativas e presença digital devem ganhar ainda mais relevância com a extensão da CVM.

Sobre a Associação PAGOS

A PAGOS é uma Associação de empresas e profissionais especializados em meios de pagamentos, que busca soluções eficientes para o setor, focando em questões legais, regulatórias, inovações tecnológicas e demandas do mercado, com o objetivo de aprimorar a informação ao consumidor.

Associação de Fintechs e empresas de meios de pagamentos, cujo objetivo é promover o crescimento do mercado, através da união empresarial e de conteúdos que fomentem o desenvolvimento do setor de pagamento.

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