Uma vida mais feliz depende do autocuidado mental e físico / Crédito: Freepik
Brasil ocupa a 32ª posição no Relatório Mundial da Felicidade 2026 e aparece com 80% da população feliz ou muito feliz em pesquisa realizada pela Ipsos em 29 nações
Com o intuito de ressaltar a importância da felicidade na vida humana em todo o mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou, por meio da Assembleia Geral das Nações Unidas, o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade.
Segundo o Relatório Mundial da Felicidade 2026, o Brasil ocupa o 32º lugar no ranking global da felicidade, um salto de quatro posições em comparação com o relatório anterior, quando o país foi o 36º colocado. Esse estudo, que combina dados relacionados ao bem-estar de mais de 140 países, é publicado anualmente pelo Centro de Pesquisa sobre Bem-Estar da Universidade de Oxford, em parceria com a Gallup, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e um conselho editorial independente de especialistas.
No Ipsos Happiness Report 2026 da Ipsos, dos 29 países analisados, 25 apresentaram crescimento no nível de felicidade em relação aos últimos 12 meses. Nesse estudo, o Brasil aparece entre as nações mais felizes do mundo, com 80% da população “feliz” ou “muito feliz”.
Para a neurociência, a felicidade é o resultado da interação entre processos neuroquímicos, circuitos cerebrais de recompensa e experiências subjetivas de bem-estar, conforme explica a neurologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Ana Luisa Rufino.
“Ela envolve três componentes principais: prazer imediato; engajamento; e propósito ou significado. Esses elementos são modulados por redes neurais específicas que regulam emoções, motivação e tomada de decisões.”
A gestora do curso de Psicologia da Uniube, Maria Regina Basílio, diz que, mesmo sem uma definição conceitual única, a psicologia, ciência que estuda o comportamento humano, apresenta diferentes abordagens, como a busca de um sentido para a vida, proposta por Viktor Frankl e a Psicologia Positiva, que tentam compreender o que é a felicidade. “De modo geral, ela é entendida como um estado subjetivo de bem-estar, que envolve emoções positivas, sensação de satisfação com a própria vida e percepção de sentido ou propósito. A psicologia compreende a felicidade não como um estado simples ou único, mas como um fenômeno complexo que envolve dimensões emocionais, cognitivas, sociais e existenciais.”
A ação da felicidade no cérebro e no comportamento
A neurologista Ana Luisa afirma que diversas substâncias químicas presentes no cérebro influenciam o surgimento da felicidade e destaca quatro hormônios envolvidos nessa dinâmica: dopamina; serotonina; endorfina; e ocitocina.
“A felicidade envolve a ativação de uma rede complexa de regiões cerebrais, principalmente relacionadas ao sistema de recompensa e ao processamento emocional. Entre as áreas mais importantes estão: o córtex pré-frontal; o núcleo accumbens; a amígdala; e o hipocampo”, diz
A neurologista do MPHU complementa ainda que determinadas regiões cerebrais, especialmente as partes que têm relação com o sistema de recompensa, apresentam maior atividade durante experiências positivas que contribuem para o surgimento da felicidade. Dessa forma, o cérebro tende a funcionar de modo mais eficiente e há uma melhora no fluxo entre emoções, cognição e motivação.
Maria Regina Basílio pontua que a felicidade não costuma ser um estado constante e que sob a perspectiva psicológica, esse sentimento envolve experiências que despertam emoções positivas e uma sensação mais duradoura de satisfação com a vida.
“O modo como nos sentimos internamente influencia significativamente nossas relações com as pessoas com quem convivemos. Pessoas que apresentam maior bem-estar tendem a demonstrar maior empatia, abertura ao diálogo, capacidade de cooperação e qualidade na comunicação. Isso favorece relações mais saudáveis e construtivas”, afirma. A gestora do curso de Psicologia da Uniube, que também é psicóloga, diz que cuidar da saúde mental é uma forma de qualificar as relações interpessoais. “Estudos contemporâneos da Psicologia Social indicam que emoções positivas ampliam repertórios cognitivos e sociais, fortalecendo a cooperação e a qualidade dos vínculos.”
Os caminhos para viver com mais felicidade
A neurologista do MPHU salienta os impactos da estimulação cerebral excessiva provocada pelos diferentes meios de comunicação, como as redes sociais. Isso pode desencadear quadros de ansiedade, dificuldade de concentração, fadiga mental e ideia constante de comparação social.
“Estímulos rápidos e frequentes podem levar a uma ativação repetida do sistema de recompensa, o que em alguns casos pode reduzir a sensibilidade ao prazer e aumentar a busca por novas recompensas imediatas”, alerta.
Ana Luisa aponta a necessidade de adotar hábitos saudáveis no dia a dia que promovam o bem-estar, como ter uma rotina de exercícios físicos, sono adequado, conexões sociais e a realização de atividades que tenham significado pessoal.
“A felicidade não é apenas uma sensação momentânea. Ela reflete o funcionamento integrado de diversos sistemas do cérebro. Compreender esses mecanismos ajuda a reforçar a importância de hábitos saudáveis e do cuidado com a saúde mental como parte fundamental da saúde neurológica.”
Regina Basílio reforça a importância do cuidado com a saúde física e mental, do descanso e também dos momentos de lazer ao acrescentar que a felicidade não depende apenas de fatores individuais, mas de condições sociais, culturais e ambientais que favoreçam uma vida digna e equilibrada. “O processo de buscar uma vida mais satisfatória costuma envolver autoconhecimento, reconhecimento de limites, valorização de si mesmo e cuidado com as próprias necessidades emocionais. A vida humana é marcada por desafios, perdas e transformações. A psicologia nos ajuda a compreender que o mais importante não é eliminar todas as dificuldades, mas desenvolver recursos internos e relacionais para lidar com elas”, conclui a gestora do curso de Psicologia da Uniube.



