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Vereadores de capitais e cidades de todo o Brasil protocolam Projetos de Lei inspirados em política de São Paulo; iniciativa “Comida Sustentável Brasil” é proposta oficial da SVB para a conferência climática.
Em uma mobilização nacional inédita e de olho na COP30 com início programado para 10 de novembro, vereadores de diversas cidades brasileiras estão protocolando Projetos de Lei para criar o Programa Cardápio Municipal Sustentável.
A ação, apelidada de “Protocolaço”, é coordenada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e busca implementar políticas públicas que alinhem saúde, sustentabilidade e justiça social na alimentação oferecida em escolas, hospitais e outras unidades públicas. A campanha guarda-chuva, Comida Sustentável Brasil, foi submetida pela SVB à plataforma Brasil Participativo como proposta oficial para a COP30, que ocorrerá em Belém em 2025.
O movimento já chegou a oito capitais – São Paulo, Florianópolis, Maceió, Belo Horizonte, Campo Grande, Palmas, Brasília e Belém – e diversas cidades de médio porte, como Foz do Iguaçu (PR), Limeira (SP), São Carlos (SP), Formosa (GO) e Canoas (RS), demonstrando a capilaridade da iniciativa. Entre os primeiros a protocolarem estão Renata Falzoni (SP), Camasão (SC), Teca Nelma (AL), Osvaldo Lopes (MG), Coletivo Somos (TO), Tatiane Lopes (Limeira-SP), Djalma Nery (São Carlos-SP), Cris Moraes (Canoas-RS), Luiza Ribeiro (MS), Valentina (Foz do Iguaçu-PR), Vivi Reis (PA), Ricardo Vale (DF) e Amanda (Formosa-GO).
O que propõe o Cardápio Sustentável?
Inspirado na experiência bem-sucedida de São Paulo, o programa determina que unidades públicas de alimentação (escolas, hospitais, restaurantes populares, presídios) ofereçam, ao menos uma vez por semana, cardápios sustentáveis. Isso significa refeições com alimentos frescos, regionais, com proteína vegetal, minimamente processados e, sempre que possível, de origem familiar e agroecológica. A proposta também incentiva o aproveitamento integral dos alimentos, a valorização de receitas regionais e a implantação de hortas urbanas.
“Estamos mostrando que é possível transformar a política pública a partir do prato. Um cardápio mais sustentável não é só bom para o clima: ele melhora a saúde da população, fortalece a agricultura local e combate a insegurança alimentar”, destaca Luiz Amorim, responsável pelas Relações Governamentais da SVB e coordenador do “Protocolaço”.
Impacto comprovado e a agenda climática
O modelo base é o Cardápio Escolar Sustentável da rede municipal de São Paulo, que beneficia mais de 1,1 milhão de estudantes e já foi premiado internacionalmente (C40 Cities Bloomberg Awards 2022). Estimativas da SVB e parceiros mostram o impacto positivo dessa política:
- 197 mil toneladas de CO₂ evitadas (equiv. a >1 bilhão de km não rodados de carro);
- 1 bilhão de litros de água poupados (equiv. a 8 milhões de banhos de 15 min);
- 42 mil hectares de florestas preservadas (equiv. a 42 mil campos de futebol).
Esses resultados reforçam a urgência de incluir a alimentação na agenda climática, especialmente no Brasil, onde a agropecuária e o uso da terra responderam por mais de 70% das emissões nacionais em 2022, com a pecuária sendo responsável por quase 98% das emissões de metano.
“Estamos vivendo um momento crucial, e a alimentação precisa estar no centro da agenda climática e social. Os vereadores que aderem ao ‘Protocolaço’ mostram visão de futuro e compromisso real com a saúde, a justiça social e a preservação ambiental nas cidades brasileiras”, afirma Mônica Buava, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira – SVB.
Com a proposta Comida Sustentável Brasil para a COP30, a SVB busca escalar essa política pública para todo o país, transformando a alimentação em escolas, hospitais e restaurantes populares em uma ferramenta poderosa para nutrir as pessoas e cuidar do planeta.
Sobre a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB)
A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2003, que promove a alimentação vegetariana como uma escolha ética, saudável e sustentável. Atua em diversas frentes, incluindo campanhas de conscientização, programas de certificação e adoção por políticas públicas que incentivem dietas à base de plantas.



