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05 de março de 2026

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Equipe de desenredamento do Instituto Argonauta remove rede de baleia-jubarte debilitada em Ubatuba

Crédito da foto: Instituto Argonauta

Operação exigiu avaliação criteriosa e seguiu protocolos específicos para grandes cetáceos

Na manhã desta quarta-feira (18), a equipe de desenredamento do Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha, instituição criada pelo Aquário de Ubatuba e vinculada ao Projeto de Avistamento e Monitoramento de Animais Marinhos Argonauta (AMMA), realizou a retirada de um emaranhado de rede com aproximadamente dois metros que estava preso a um indivíduo juvenil de baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) no litoral sul de Ubatuba.

O animal já vinha sendo monitorado por apresentar sinais evidentes de debilidade, como escore corporal magro, baixa reatividade e permanência prolongada em área costeira rasa. Em registros anteriores, foi identificado um petrecho preso à região da boca, caracterizando situação de enredamento.

Na manhã de hoje, a equipe retornou à área com embarcação própria e estrutura adequada para nova avaliação. Os registros confirmaram que o emaranhado passava pela boca do animal e se estendia até a nadadeira peitoral esquerda.

Considerando o estado clínico debilitado e o padrão do enredamento, a equipe avaliou cuidadosamente as condições ambientais, o comportamento do indivíduo e a segurança operacional antes de optar pela tentativa de desenredamento, respeitando os protocolos técnicos e as autorizações aplicáveis para esse tipo de operação.

O posicionamento estratégico da embarcação permitiu que, logo nas primeiras manobras, o petrecho fosse removido com sucesso. Em seguida, novos registros visuais e por imagem confirmaram que não havia outros cabos, redes ou materiais associados ao animal.

De acordo com Hugo Gallo Neto, oceanógrafo, presidente do Instituto Argonauta e diretor-executivo do Aquário de Ubatuba, o desenredamento de grandes cetáceos é uma operação de alta complexidade, especialmente quando o animal já apresenta sinais de debilidade. “A intervenção só é realizada quando há viabilidade técnica e condições seguras. Neste caso, conseguimos atuar de forma precisa e rápida, eliminando um fator adicional de estresse que poderia agravar ainda mais o quadro”, reforça Gallo.

O Instituto Argonauta alerta que a aproximação de embarcações e pessoas a cetáceos é regulamentada por normas específicas da legislação ambiental brasileira. A aproximação excessiva, o cerco ao animal ou a entrada deliberada na água junto à baleia são condutas proibidas e representam risco tanto para o animal quanto para as pessoas, especialmente quando se trata de um indivíduo debilitado.

A operação foi conduzida por equipe técnica capacitada para atuação em desenredamento de grandes cetáceos, seguindo protocolos reconhecidos para esse tipo de ocorrência.

O animal permanece sob monitoramento para acompanhamento da evolução de seu estado geral.

Sobre o Instituto Argonauta
O Instituto Argonauta para a Conservação Costeira e Marinha é uma organização da sociedade civil, fundada em 1998 a partir da iniciativa do Aquário de Ubatuba, com o objetivo de ampliar as ações de conservação marinha na região. Atua em três frentes principais: pesquisa científica, educação ambiental e resposta a emergências envolvendo fauna marinha, como encalhes, reabilitação e manejo de grandes mamíferos marinhos, além de monitoramento ambiental e desenvolvimento de tecnologias voltadas à conservação.

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