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“James era um defensor do determinismo genético, mas os avanços recentes mostram que não há um determinismo absoluto. A epigenética — área da biologia que estuda mudanças no fenótipo que não são causadas por alterações na sequência do DNA — demonstra que o estilo de vida e o meio ambiente podem influenciar como os genes são ativados ou desativados”, explica Raskin.
Era pós-James Watson: especialistas apontam a epigenética como o novo capítulo da genética
O geneticista americano James Watson, um dos descobridores da estrutura do DNA, faleceu no último dia 6 de novembro de 2025, aos 97 anos, em East Northport, Nova York (EUA). Aos 25 anos, Watson, ao lado do britânico Francis Crick, revelou ao mundo a famosa dupla hélice do DNA, um marco que revolucionou a biologia moderna e rendeu à dupla o Prêmio Nobel de Medicina em 1962. Décadas depois, Watson voltou a desempenhar papel central na ciência ao liderar o início do Projeto Genoma Humano, iniciativa que mapeou todos os genes do corpo humano.
Mas, com o fim da era James Watson, surge uma nova pergunta: o que vem a seguir na genética?
Segundo o Dr. Salmo Raskin, diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), o futuro aponta para um campo que expande a visão clássica defendida por Watson.
“James era um defensor do determinismo genético, mas os avanços recentes mostram que não há um determinismo absoluto. A epigenética — área da biologia que estuda mudanças no fenótipo que não são causadas por alterações na sequência do DNA — demonstra que o estilo de vida e o meio ambiente podem influenciar como os genes são ativados ou desativados”, explica Raskin.
Com isso, especialistas indicam que a era pós-James Watson será marcada pela consolidação da epigenética como protagonista nas pesquisas científicas. Essa nova fronteira do conhecimento busca compreender como fatores externos — como alimentação, estresse e exposição ambiental — podem moldar a expressão genética e impactar a saúde humana.
Em outras palavras, se o legado de Watson foi decifrar o alfabeto genético, o desafio atual é entender como as condições de vida escrevem as histórias dentro desse código.



