02 de abril de 2025

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Evento aborda desafios para o Brasil se destacar como líder global em pesquisa clínica

O oncologista Fernando Maluf, um dos palestrantes do encontro. Crédito: Luís Gustavo | Grupophoto

São Paulo, 24 de março de 2025 – A pesquisa clínica, um dos temas mais relevantes da atualidade por conta do impacto no avanço da medicina e pelo papel fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias, foi o assunto discutido no I Encontro Anual de Pesquisa Clínica, realizado pela Orentt Medical na última semana, em São Paulo. Médicos, pesquisadores, executivos da indústria farmacêutica e convidados discutiram os caminhos para o país se tornar protagonista neste setor. Entre os desafios estão o investimento na formação de pesquisadores e trialistas – que, hoje, estão fora do país -, o fim dos gargalos que envolvem complexidades contratual e logística, a melhora do arcabouço tecnológico, e a inovação para diminuir o déficit no número de tratamentos no Brasil em comparação com outros países do mundo.

Dr. José Humberto Fregnani, Superintendente de Ensino, Pesquisa e Inovação no A.C. Camargo Cancer Center, destacou a falta de formação oficial para trialistas e pesquisadores clínicos no Brasil, o que afeta a credibilidade científica e o SUS. Ele apontou a necessidade de mais profissionais capacitados para desenhar ensaios clínicos. Para Fernando Francisco, Gerente Executivo da Abracro, os principais desafios no Brasil são os contratos, a logística e a necessidade de enviar amostras para o exterior devido à falta de infraestrutura local.

Desafios – Durante a primeira edição do EAPC, discutiu-se a falta de dados epidemiológicos, problemas com prazos aduaneiros, tributos elevados e a concentração de centros de pesquisa no Sul/Sudeste. O oncologista e membro do board científico da Orentt Medical, Dr. Fernando Maluf, ressaltou a importância de descentralizar a pesquisa para alcançar públicos não-representados.

Os estudos 1 e 2 estão mais distribuídos nos Estados Unidos. No Brasil, o que prevalece são os estudos fase 3, ou seja, já na fase de implementação. Existe uma vontade de toda a comunidade em obter maior participação do Brasil nas fases 1 e 2. Isto significa que há pouca inovação chegando e saindo do país.

Áreas promissoras – Para o Dr. Fregnani, as áreas de PC que se destacam no país são oncologia, sistema nervoso central e doenças infecciosas, e as áreas que têm mais potencial para se destacar são cardiologia e hematologia. Há iniciativas federais para a Pesquisa Clínica no Brasil. “Está na agenda do governo. Desde 2005, há uma rede nacional de pesquisa clínica e uma portaria excelente (559)”, comenta.

Segundo o Dr. José Barreto, da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, a rede de prevenção e controle de câncer, por exemplo, é prioridade e as pesquisas para a cura da doença dentro desta rede terão mais impacto. “Os objetivos do Governo são aumentar o acesso e diminuir o tratamento. A Oncologia integra o SUS e o SUS integra a oncologia”, comenta Barreto, que ressaltou que o slogan “Tempo é Vida” é a lógica dentro do SUS.

Lei 14.874/24 – Criada pelo Líder Nacional de Pesquisa Clínica da Oncoclínicas, Dr. Fábio Franke, a lei regulamenta a pesquisa clínica com seres humanos no Brasil. Após mais de sete anos de tramitação no Congresso Nacional, a nova lei foi publicada no ano passado.

Para o diretor da Abracro, Fernando Francisco, no que diz respeito ao interesse internacional, os chineses sabem do potencial brasileiro na área de pesquisa clínica pela sua diversidade étnica, infraestrutura e tradição. “A China tem vontade de levar seus estudos para o Brasil. O papel deste país está cada vez maior, pois é mais rápido e mais barato que nos Estados Unidos e na Europa”, diz o executivo que falou remotamente do território chinês durante sua palestra.

Mercado – Segundo informações do Instituto Brasil de Pesquisa Clínica (IBPClin), o mercado de pesquisa clínica no Brasil vem crescendo nos últimos anos, mas ainda está em desvantagem em relação ao mundo. Segundo dados recentes do Instituto, 65% das pesquisas sobre novos medicamentos, vacinas e equipamentos médicos são realizadas na Europa e nos Estados Unidos. Já a América Latina responde por apenas 4% dessas pesquisas, especialmente no desenvolvimento de novos medicamentos. A próxima edição do evento está programada para o dia 13 de março de 2026, em São Paulo. 

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