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05 de março de 2026

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Guia de saúde para o Carnaval: como cuidar do corpo e da mente durante a folia

Crédito da foto: Freepik

Folia intensa exige atenção à alimentação, à circulação, às lesões, à pele e ao equilíbrio emocional

O Carnaval submete o organismo a um nível de estresse pouco habitual: calor intenso, privação de sono, esforço físico prolongado, consumo de álcool e exposição solar contínua. Esse conjunto de fatores aumenta o risco de desidratação, alterações metabólicas, lesões ortopédicas, infecções e impactos emocionais após a festa. Especialistas alertam que grande parte desses problemas pode ser evitada com informação e medidas simples de prevenção.

Metabolismo em colapso: desidratação, álcool e jejum

A médica nutróloga Suzana Viana explica que o erro mais comum dos foliões é negligenciar a alimentação básica. “O corpo precisa de combustível. Quando a pessoa passa horas sem comer, ingere álcool e perde líquidos com o calor, o organismo entra em um estado de estresse metabólico importante”, afirma.

Segundo ela, os sintomas mais frequentes são tontura, fraqueza, náusea e queda de pressão. “O ideal é fracionar a alimentação, priorizar proteínas, frutas, carboidratos de fácil digestão e manter ingestão constante de água e eletrólitos. Bebida alcoólica não substitui hidratação”, orienta.

Circulação comprometida e risco vascular

Já a angiologista Maria Clara Sanjuan alerta que longos períodos em pé ou caminhando favorecem retenção de líquidos e sobrecarga venosa. Para minimizar os impactos, a médica recomenda cuidados simples e eficazes: manter boa hidratação ao longo do dia, priorizar alimentação leve e balanceada, intercalar momentos de descanso com as atividades, evitar permanecer muito tempo na mesma posição e, sempre que possível, elevar as pernas ao final do dia. O uso de roupas leves e sapatos confortáveis também é fundamental.

Entorses, quedas e lesões musculoesqueléticas

O ortopedista David Sadigursky, especialista em joelho e trauma do esporte, conta que o aumento das queixas musculoesqueléticas após o Carnaval é recorrente nos consultórios. “O joelho é uma articulação de carga e movimento. Durante a folia, ele é submetido a impactos repetitivos, torções inesperadas e longos períodos de sustentação do peso corporal, muitas vezes sem preparo físico ou descanso adequado”, explica.

Entre os principais fatores de risco estão o uso de calçados inadequados, como sandálias sem amortecimento ou tênis desgastados, além da dança intensa em superfícies irregulares. “Essas condições favorecem microtraumas, sobrecarga da cartilagem, estresse em ligamentos e inflamação de tendões, especialmente em pessoas com histórico prévio de dor ou lesão no joelho”, destaca o médico.

Coluna: postura, esforço repetitivo e crises dolorosas

De acordo com o ortopedista Djalma Amorim Jr., especialista em coluna e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), o esforço repetitivo e a permanência prolongada em posturas inadequadas também podem desencadear distensões musculares e lombalgias. “Evitar atividades intensas nos horários de calor extremo reduz o risco de exaustão e, consequentemente, o risco de lesões. A boa hidratação também é fundamental porque a desidratação aumenta o risco de fadiga e lesões musculares”. 

Saúde íntima: calor, umidade e ISTs

A ginecologista Ana Verena Colonnezi lembra a importância do uso de preservativos, sejam masculinos ou femininos, para prevenir infecções sexualmente transmissíveis e reforça que todos os cuidados de rotina não devem ser abandonados durante o Carnaval. Duchas vaginais e o uso de lenços umedecidos perfumados devem ser evitados, pois podem alterar o pH e a flora natural da região, favorecendo infecções. O mesmo acontece com os absorventes diários, principalmente se forem perfumados, pois ainda podem aumentar a umidade da região e reduzir a ventilação. 

Sol, pele e danos cumulativos

Os cuidados com o maior órgão do corpo humano também não podem ficar de fora. A dermatologista Marília Acioli alerta que a exposição solar intensa e prolongada durante o Carnaval está entre as principais causas de queimaduras, desidratação cutânea e agravamento de doenças de pele. 

“Uma queimadura pode parecer um problema pontual, mas ela acelera o envelhecimento da pele, aumenta manchas e eleva o risco de câncer de pele ao longo da vida”, explica. Marília orienta o uso de protetor solar com fator adequado ao fototipo, com reaplicação a cada duas horas, ou antes, em caso de suor intenso.

Amor de Carnaval dá certo?

Quem nunca teve ou ao menos conheceu alguém que viveu um amor de Carnaval?  “O Carnaval é uma bomba de estímulos. Tem a música alta, as cores, as multidões, a euforia coletiva. Isso tudo provoca o que a gente chama de excitação emocional, que é a liberação de muita dopamina pelo cérebro”, frisa a neurocientista e psicanalista Ana Chaves

Segundo Ana, a dopamina é um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. Assim, ao beijar alguém durante a festa, o folião facilmente sente atração e bem-estar. Além disso, por se tratar de uma festa associada à liberdade e à fuga das amarras sociais, a pessoa também fica mais propensa a perder a timidez, se conectar com alguém e se entregar às emoções. Nesse contexto, uma paixão de Carnaval pode, sim, evoluir para um amor verdadeiro e duradouro, desde que a relação se construa de forma saudável do ponto de vista emocional.

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