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Natural de Goiânia, Sarah Borges foi reconhecida entre mais de 1900 estudantes, de 94 países
A brasileira Sarah Aguiar Monteiro Borges, recém-formada em Psicologia pela Universidade de Harvard, foi reconhecida com o Sophia Freund Prize, prêmio concedido anualmente aos alunos com a maior média geral de notas da graduação em toda a universidade. Estabelecido em 1964, o prêmio é entregue a estudantes que se formam com a honraria summa cum laude e que, ao final da graduação, tenham atingido o melhor GPA (Grade Point Average), principal indicador de desempenho acadêmico nos Estados Unidos. Neste ano, Sarah e outros 53 alunos foram premiados pela universidade, à frente de mais de 1.900 formandos de 94 países. É a primeira vez na história que uma brasileira conquista esse reconhecimento máximo na instituição que é considerada, por muitos, a melhor universidade do mundo.
Durante a graduação, Sarah escreveu uma tese sobre como o estigma afeta o acesso de jovens brasileiros a serviços de saúde mental, analisando dados de mais de 3.000 participantes, sob orientação de pesquisadores renomados da área. O projeto a aproximou de iniciativas de saúde pública e de organizações que atuam diretamente com a juventude no Brasil. Além disso, Sarah foi reconhecida com diversos outros prêmios, como o Detur Book Prize e o NEPA Honorary Undergraduate Scholar, e foi eleita para a Phi Beta Kappa, a sociedade de honra acadêmica mais antiga dos Estados Unidos, que reconhece cerca de 10% dos estudantes por excelência intelectual e amplitude de saberes.
Natural de Goiânia, Sarah conquistou medalhas em mais de dez olimpíadas científicas nacionais e, ao final do ensino médio, foi aprovada em Medicina na USP. Ingressou no curso em janeiro de 2020, na mesma turma de sua irmã gêmea, com quem dividia o sonho da carreira acadêmica. Na universidade, passou a se interessar por temas ligados aos determinantes sociais da saúde, ou seja, como desigualdades socioeconômicas afetam a saúde individual. Um dia antes de seu aniversário, recebeu a carta de aceite de Harvard e decidiu cursar a graduação nos Estados Unidos com bolsa integral.
Durante a graduação, trabalhou em projetos de pesquisa com renomados professores de Harvard e Oxford, explorou diversas áreas — de filosofia à ciência da computação — e foi a única estudante de graduação em duas disciplinas de estatística para doutorandos. Ela afirma que sempre buscou aulas que realmente a interessassem e desafiassem, movida pela curiosidade e pela paixão por aprender.
Para além do desempenho acadêmico, Sarah se destacou pelo envolvimento com projetos de impacto social. Durante três anos, integrou a Associação para o Cultivo da Democracia Inter-Americana (HACIA Democracy), organização que promove simulações diplomáticas com jovens latino-americanos. No último ano, atuou como co-presidente da conferência e foi responsável por trazer o evento ao Brasil, com mais de 450 estudantes de 10 países. Também foi vice-presidente da Brazil Conference at Harvard & MIT, onde idealizou e liderou o Programa de Pesquisadores, que leva cientistas brasileiros de destaque para apresentarem seus trabalhos nos Estados Unidos.
Em 2023, foi selecionada como uma das 26 bolsistas da rede de Líderes da Fundação Estudar, entre mais de 45 mil candidatos. Como Fellow Estudar, passou a integrar uma comunidade com mais de 900 alunos nas mais relevantes instituições de ensino do Brasil e do exterior. Além de receber recursos financeiros, os bolsistas fazem parte de uma rede vitalícia diversa e influente, com apoio contínuo ao desenvolvimento pessoal e profissional.
Sua trajetória acadêmica e de impacto rendeu mais uma conquista: em setembro, Sarah iniciará seu doutorado em Psiquiatria na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Ela foi aprovada com quatro bolsas altamente competitivas e escolheu a Gates Cambridge Scholarship, uma das mais prestigiadas do mundo, oferecida a estudantes com excelência acadêmica, liderança e compromisso com o bem comum. Na Inglaterra, ela pretende continuar investigando melhores formas de entender, prevenir e tratar problemas de saúde mental no Brasil e no mundo.
“Essas conquistas não aconteceram de forma súbita. São fruto de muito estudo e dedicação ao longo da vida, mas também de oportunidades e apoio. O que mais me orgulho de levar de Harvard não são os títulos, mas os amigos do mundo inteiro com quem tive a oportunidade de aprender, as conexões com professores, mentores e funcionários que abriram minha mente de formas que mal consigo explicar, e a valorização de um aprendizado sério e voltado, principalmente, à elevação do saber como forma de verdadeiramente compreender o mundo”, afirma Sarah.
Mais do que uma conquista individual, as realizações de Sarah representam um marco para o Brasil. Sua trajetória mostra que jovens brasileiros podem chegar ao topo da ciência global com foco, dedicação e oportunidades.



