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O domínio de mais de um idioma é ferramenta essencial para o desenvolvimento cognitivo, cultural e social das novas gerações
O plurilinguismo, capacidade de falar mais de um idioma, é uma vantagem no mercado de trabalho e uma forma de ampliar horizontes, desenvolver o pensamento crítico e construir pontes entre culturas. Em um mundo cada vez mais conectado, muitas escolas têm investido em currículos que favorecem o contato precoce com diferentes línguas, garantindo que crianças e jovens consigam desenvolver essa competência linguística.
O que é o bilinguismo?
O termo bilinguismo é usado para descrever a capacidade de uma pessoa de se comunicar em dois idiomas. A aquisição das duas línguas pode ocorrer de formas diferentes.
Aquisição: o aprendizado ocorre na infância, como em casa (pais de nacionalidades diferentes, que se comunicam nos idiomas de seus países de origem, por exemplo) ou na escola, em um ambiente onde duas línguas são usadas de forma natural e cotidiana. Quando a criança é exposta desde cedo a dois idiomas, o cérebro reconhece sons, estruturas e vocabulários de maneira espontânea — quase como se as duas línguas crescessem juntas dentro dela. “É um processo natural, em que a língua não é apenas aprendida, mas realmente incorporada ao modo de pensar e se comunicar”, explica Taiana Vanucci, coordenadora de Espanhol da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo/SP.
Aprendizado: acontece quando o indivíduo, geralmente mais velho, estuda uma nova língua de forma intencional e estruturada, com foco em regras gramaticais e vocabulário. “Podemos ter como exemplo uma pessoa que busca aprender o inglês em um curso de idiomas para conseguir crescer na carreira; ou ainda quem estuda por conta própria, com auxílio de aplicativos ou outros materiais de apoio. Embora o resultado possa ser igualmente eficiente, quando falamos do processo de aprendizado, o idioma é estudado, não internalizado como no processo de aquisição”, completa Taiana.
O que é o multilinguismo?
O multilinguismo é o termo para se referir à coexistência de várias línguas em uma região, instituição ou sociedade, e não deve ser confundida com “plurilinguismo”. O Brasil, teoricamente, pode ser considerado um país multilíngue. Além do português como língua oficial, temos a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e 295 línguas indígenas ainda em uso, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além disso, o País recebeu no século passado imigrantes vindos da Itália, Japão e outras nações, que trouxeram seus idiomas e seguem falando essas línguas até hoje. O Brasil também faz fronteira com nações falantes do espanhol (Argentina) e francês (Guiana Francesa). Apesar disso, o português predomina quase de forma exclusiva nas interações sociais, e a diversidade linguística ainda é pouco reconhecida e valorizada no cotidiano.
“Quando um país fala apenas uma língua, ele também limita o acesso a diferentes formas de pensar, de criar e de se relacionar. Incentivar o aprendizado de novos idiomas é, portanto, uma forma de expandir não só a comunicação, mas também a nossa visão de futuro”, afirma Renata Bonacin, coordenadora do Progresso Bilíngue Cambuí, de Campinas/SP.
O que é o plurilinguismo?
Ser plurilíngue significa ter contato e competência em três ou mais idiomas, podendo usá-los em diferentes contextos de forma funcional e flexível, reconhecendo o valor das diferenças e culturas. Pessoas multilíngues desenvolvem uma sensibilidade maior para as nuances culturais e comunicativas de cada idioma, o que as torna mais adaptáveis, criativas e abertas a diferentes formas de pensar e de ver o mundo.
“Ser plurilíngue não significa dominar todos os idiomas no mesmo nível, mas ter a capacidade de se mover entre eles com flexibilidade, reconhecendo o valor das diferentes formas de expressão e das culturas que cada língua carrega”, afirma Taiana.
De acordo com a coordenadora de espanhol da Aubrick, o contato precoce e constante com outras línguas é essencial para desenvolver essa competência. “O plurilinguismo nasce tanto nas escolas bilíngues, que promovem essa imersão diária, quanto nas experiências culturais fora da sala de aula, em filmes, músicas, viagens e nas pequenas interações com outras culturas.”
Escolas investem no multilinguismo
Cada vez mais, escolas brasileiras têm investido no ensino de um ou mais idiomas. É o caso da Escola Bilíngue Aubrick e da rede Progresso Bilíngue (com unidades em Campinas, Indaiatuba, Vinhedo, Itu e Santos), que além do ensino bilíngue em português e inglês desde a Educação Infantil, incluem também o espanhol a partir do 6º ano do Ensino Fundamental.
“Essa é uma tendência global, de promover ambientes de aprendizagem em que o aluno é exposto a mais de um idioma ao longo de sua trajetória escolar, estimulando desde cedo o raciocínio, a flexibilidade cognitiva e o repertório cultural”, afirma a coordenadora da Aubrick.
Estudos mostram que o contato com diferentes línguas favorece o desenvolvimento cognitivo, a memória e a criatividade. Crianças bilíngues e multilíngues tendem a apresentar maior capacidade de concentração, flexibilidade mental e facilidade para resolver problemas. Além disso, aprendem a compreender o mundo sob diferentes perspectivas — o que contribui para a formação de cidadãos mais críticos, tolerantes e preparados para viver em contextos globais.
“Nosso papel é oferecer ambientes de aprendizagem ricos em estímulos linguísticos e culturais. Ao incluir o espanhol no currículo, ampliamos o repertório dos alunos e fortalecemos sua capacidade de se comunicar e compreender o outro”, destaca a do Progresso Bilíngue.
10 dicas para aprimorar o aprendizado de idiomas
As especialistas listaram, abaixo, dicas práticas para melhorar a fluência e o desempenho em outros idiomas.
- Tenha contato diário com a língua – a exposição constante é essencial. Mesmo poucos minutos por dia ajudam o cérebro a se acostumar aos sons e estruturas do novo idioma.
- Escute músicas, podcasts e filmes no idioma original – o contato com a língua em contextos reais amplia o vocabulário e melhora a compreensão auditiva e a pronúncia.
- Leia em diferentes formatos – alternar entre textos curtos (como notícias e posts) e mais longos (livros e artigos) ajuda a expandir repertório e entender usos variados da linguagem.
- Pratique a conversação sempre que possível – falar é fundamental. Converse com colegas, professores, ou use aplicativos que conectam aprendizes e nativos.
- Não tenha medo de errar – o erro faz parte do processo de aprendizagem. Quanto mais o estudante se arrisca, mais confiança e fluência ele desenvolve.
- Conecte o idioma a interesses pessoais – aprender por meio de temas que despertam curiosidade (como esportes, música ou tecnologia) torna o estudo mais natural e prazeroso.
- Pense no idioma que está aprendendo – tente formar frases mentalmente na nova língua. Esse exercício estimula o raciocínio linguístico e a autonomia na comunicação.
- Varie os contextos de uso – use o idioma em diferentes situações: escrever mensagens, assistir a vídeos, jogar, participar de debates ou atividades culturais.
- Aproveite a tecnologia a seu favor – plataformas de ensino, jogos educativos e tradutores inteligentes podem reforçar o aprendizado de forma dinâmica e interativa.
- Mantenha a constância – aprender um idioma é uma jornada de longo prazo. A regularidade nos estudos é mais eficaz do que períodos curtos e intensos de dedicação.
As especialistas
Renata Bonacin é doutora em Química pela Universidade de São Paulo (USP), tendo realizado parte de sua pesquisa de doutorado na Rutgers University (New Jersey, EUA). Apaixonada pelo sucesso estudantil, e com mais de uma década de experiência no International Baccalaureate Diploma Programme (IB-DP), Renata é coordenadora do IB-DP e do Programa Bilíngue dos Anos Finais do Ensino Fundamental do Colégio Progresso Bilíngue Cambuí. Ao longo de sua trajetória, também atuou como professora de IB Chemistry e coordenadora do Extended Essay, dando suporte aos alunos do IB na busca por excelência acadêmica e por sucesso em seus processos de candidatura a universidades internacionais e brasileiras.
Taiana de Freitas Vanucci é formada em Filologia Hispânica pela Universidade Autônoma de Barcelona. Possui mestrado em Linguística Aplicada ao Ensino de Espanhol como Língua Estrangeira (ELE) pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo/Instituto Cervantes. É professora de ELE desde 2005 e já trabalhou em diversos contextos. Colabora com o Instituto Cervantes em São Paulo. Trabalha na Escola Aubrick, coordenando o departamento de espanhol e ministrando aulas.
Sobre a ISP – International Schools Partnership
A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo.


