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Em um mundo marcado pela aceleração do cotidiano, pela hiperconectividade e pela dificuldade crescente de escuta e diálogo, a poesia pode parecer um gesto simples, mas talvez seja justamente essa simplicidade que a torna tão necessária.
Celebrado em 21 de março, o Dia Mundial da Poesia foi instituído pela UNESCO para valorizar uma das formas de expressão artística mais antigas da humanidade, capaz de traduzir emoções, provocar reflexão e ampliar a forma como percebemos a nós mesmos e o mundo ao redor.
Mais do que uma manifestação estética, a poesia tem o poder de criar pontes entre pessoas, estimular o pensamento crítico e abrir espaços de sensibilidade em meio à rotina muitas vezes automática da vida contemporânea.
É a partir dessa perspectiva que nasceu, em 2023, o Poesia pra comer, um projeto de mediação cultural e emocional que utiliza a arte como instrumento de reflexão, cuidado e desenvolvimento humano.
A proposta parte de um princípio simples e potente: a arte não é doutrinária, mas abre caminhos para múltiplas leituras e experiências. Ao mediar conversas sobre temas universais e contemporâneos, o projeto cria espaços seguros de escuta, reflexão e diálogo, promovendo conexão, pertencimento e bem-estar, tanto na vida pessoal quanto no ambiente profissional.
Os encontros são organizados a partir de um “cardápio de arte”, inspirado na metáfora da arte como alimento. Cada encontro apresenta obras artísticas, que podem incluir poesia, literatura, cinema, música, artes visuais, dança ou teatro, organizadas simbolicamente como entrada, prato principal e sobremesa. A partir dessas obras, surgem conversas mediadas e reflexões compartilhadas, sempre em um ambiente de acolhimento e escuta ativa.
A iniciativa tem se mostrado especialmente potente no contexto do mundo do trabalho, no qual temas como saúde emocional, empatia, comunicação, diversidade, pertencimento e liderança aparecem de forma natural ao longo das conversas.
“Criar espaços de reflexão mediados pela arte é uma forma de cuidar das pessoas sem simplificar a complexidade do que somos”, explica Estela Modena, uma das idealizadoras do projeto. “A arte nos permite pensar, sentir e conversar sobre temas difíceis de maneira mais humana, menos defensiva e mais verdadeira.”
Para Sylvia P. Roquette Campanati, psicanalista e também idealizadora do Poesia pra comer, o diferencial está na qualidade das trocas que se estabelecem entre os participantes. “O projeto não oferece respostas prontas. Ele cria condições para que cada pessoa elabore suas próprias reflexões, reconheça suas emoções e construa sentidos a partir do encontro com o outro e com a arte.”
Arte no ambiente corporativo
O Poesia pra comer leva, em seus encontros em empresas e instituições, a possibilidade de fortalecer a comunicação interna, o senso de pertencimento e o cuidado com a saúde emocional das equipes.
Em pesquisas de satisfação realizadas após os encontros, o projeto alcançou nota média de 4,93 em uma escala de 5, com 90% dos participantes afirmando que suas expectativas foram atendidas ou superadas.
Em 2025, a iniciativa firmou parceria com a Unimed Sorocaba, com a realização de 24 encontros voltados à liderança intermediária da instituição, experiência que resultou na emissão de um Atestado de Capacidade Técnica reconhecendo a qualidade, inovação e impacto do projeto no desenvolvimento humano e profissional dos participantes.
Para além das datas comemorativas, o Dia Mundial da Poesia serve como um convite a redescobrir o poder transformador da arte, não apenas nos livros, mas também nas conversas, nos encontros e nas relações que construímos ao longo da vida. Porque, em tempos de excesso de informação e escassez de escuta, a poesia continua sendo uma das formas mais delicadas e profundas de lembrar que somos, antes de tudo, humanos.



