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26 de abril de 2026

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Projeto Empoderando Refugiadas celebra 10 anos com testemunhos marcantes

Mulheres do Afeganistão, República Democrática do Congo e Venezuela participaram do evento de apresentação do projeto Empoderando Refugiadas em Brasília.Crédito: ACNUR / Miguel Pachioni

Participantes atuais e das edições anteriores compartilharam experiências em evento promovido em Brasília, destacando a necessidade do fortalecimento da integração social e econômica das mulheres refugiadas no Brasil

Conseguir o primeiro emprego da vida em um país diferente do que nasceu. Conquistar uma vaga de emprego formal que viabilizou o financiamento da casa própria para a família. Ter conhecimentos que não imaginava, mesmo já tendo outras formações prévias. Assumir a responsabilidade da família como principal provedora.

Estas são as afirmações de alguma das mulheres que passaram pelo programa Empoderando Refugiadas, uma iniciativa realizada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ONU Mulheres e Pacto Global – Rede Brasil em prol da igualdade de gênero e da promoção do trabalho decente, alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável #5 e #8, respectivamente.

Em evento realizado nesta quinta-feira, em Brasília, refugiadas que já concluíram o curso reforçaram o quanto o Empoderando contribuiu para a autoconfiança e para a efetiva reinserção no mercado de trabalho formal.

“O curso é excelente e me ajudou a dar continuidade aos meus estudos, a minha formação profissional. Depois da formação conquistei um emprego formal, estou vivendo em minha casa própria com minha família e tenho planos para seguir adiante”, disse Alejandra, formada na turma de 2023.

Já Hilda, que concluiu o curso em 2024, afirmou o quanto o curso propiciou mais segurança e independência em sua vida. “Após um mês da formação, já conquistei meu primeiro emprego no Brasil, onde aplico na prática os conhecimentos que o curso me propiciou. Minhas filhas estão seguindo o mesmo caminho, pois a educação é a chave para o conhecimento”, disse.

Ação em rede

Além da identificação e formação das mulheres refugiadas para o mercado de trabalho, o Empoderando Refugiada depende da mobilização e articulação de diferentes setores. Um deles é o de organizações não governamentais, como o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e a Operação Acolhida, por meio da interiorização voluntária de pessoas refugiadas. Outro é o setor privado, que tem um papel fundamental no patrocínio deste modelo de negócio social que promove a empregabilidade formal e, consequentemente, a independência financeira de mulheres refugiadas.

De acordo com dados apresentados da pesquisa Mover-se, as mulheres refugiadas, em especial as que são as únicas responsáveis pela família, enfrentam mais barreiras no acesso a serviços públicos, às oportunidades de empregabilidade formal, aos espaços de participação social – ainda que tenham mais escolaridade do que os homens. Porém, quando oportunidades lhe são direcionadas com a devida atenção – como propiciando espaços seguros para que elas possam deixar seus filhos enquanto realizam o curso –, elas mostram o quanto agarram a chance de evoluírem em suas carreiras, promovendo ganhos de bem-estar e desenvolvimento de sua família e da comunidade em que estão inseridas.

“Muitas de nós, participantes do Empoderando Refugiadas, temos filhos, famílias, e é muito difícil equilibrar o tempo para tudo. A cada dia, é importante vencermos os desafios que não são postos. Eu mesma tenho duas formações e ainda não consegui que este conhecimento seja revalidado no Brasil, mas se eu precisar cursar novamente o mesmo curso e em outro idioma, vou fazer para alcançar meus objetivos”, disse a venezuelana Johanna, matriculada na turma do Empoderando Refugiadas que está acontecendo em Brasília.

Engajamento para promoção de oportunidades

Ao longo de 10 anos de existência, evidenciando o caráter permanente e de resultados positivos de transformação social, o Empoderando Refugiadas já formou mais de 600 profissionais de diferentes nacionalidades para o mercado de trabalho brasileiro. Em sinergia com este resultado, Adriana Wells, diretora de recursos humanos e ESG da Foundever, explica outro lado de quem também ganha com esse processo – o do setor privado.

“O que nos despertou para essa imensa oportunidade existente da contratação de profissionais refugiados foi dar o primeiro passo, ter uma vaga preenchida, com méritos, em um processo de seleção. A partir disso, aperfeiçoamos nosso programa de diversidade, envolvemos a liderança e estabelecemos metas audaciosas: chegamos a 600 postos atuais para profissionais de diferentes nacionalidades e queremos chegar a 1.000 postos em 2027, em razão dos ganhos advindos do comprometimento com o trabalho e dos resultados entregues”.

Adriana admite que a decisão tomada pela Foundever não é apenas de caráter social, de responsabilidade corporativa com os grupos mais vulnerabilizados, como se enquadram as pessoas refugiadas em sua maioria. É também uma decisão estratégica, que entrega resultados e gera ganhos duradouros para todas as equipes. “Ainda que haja muitos desafios, uma vez que a liderança abrace a causa por conta dos resultados, os esforços feitos mostram resultados”, conclui. As outras duas empresas que patrocinam o Empoderando Refugiadas 2025 são a Accor e Renner, cujos engajamentos com o projeto também transpassa o setor de recursos humanos e chega às lideranças.

Já para a Irmã Rosita Milesi, diretora da organização IMDH, instituição que faz o referenciamento das mulheres ao Empoderando Refugiadas, a esperança é o que motiva os trabalhos dos parceiros envolvidos.

“Quando a gente vê uma mãe chegando para o atendimento em nossa organização, trazendo com ela seus filhos, chegam também com uma grande esperança. Quando elas conseguem acessar ao Empoderando Refugiadas para fazer o curso, não estamos empoderando apenas a um grupo de mulheres, mas sim a toda uma sociedade onde elas atuam, onde elas vivem, onde reconstroem as suas vidas”, disse Rosita.

Portanto, empoderar é tornar possível que suas capacidades sejam postas em prática, favorecendo que os ganhos que elas teriam sejam levados aos ambientes por onde elas circulam. Desta forma, o empoderamento acontece quando seus sonhos são atingidos e novos sonhos, mais ousados, são despertados a partir da conquista de seus esforços.

 Sobre o Empoderando Refugiadas

O Empoderando Refugiadas é um projeto da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Pacto Global da ONU – Rede Brasil e ONU Mulheres criado em 2016 e que, desde então, já impactou a vida de mais de 600 mulheres. Juntamente a diversos parceiros da sociedade civil, setor público e privado, o projeto já formou turmas em Boa Vista, Brasília, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.

Os objetivos do projeto são capacitar as participantes para o mercado de trabalho brasileiro, facilitar a integração local e a adaptação laboral no país, promover a contratação formal de refugiadas e seu empoderamento econômico, além de fomentar a sensibilização do setor privado.

Entre os pilares do projeto estão a valorização da diversidade e da inclusão, incluindo mulheres com deficiências, cuidadoras de pessoas com deficiências, mulheres com mais de 50 anos e população LGBTIQA+.

Em 2025, 10 turmas do Empoderando Refugidas estão programadas com o objetivo de alcançar 230 mulheres refugiadas. As turmas serão oferecidas em seis cidades: Boa Vista (RR), Brasília (DF), Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).

A realização do Empoderando Refugiadas é viável às mulheres por meio do patrocínio das empresas Accor, Foundever e Renner.

Para saber mais, acesse empoderandorefugiadas.org.br

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