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19 de março de 2026

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Segundo diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia, exame da Lp(a) deve ser feito pelo menos uma vez na vida

Crédito da imagem: Freepik

Lp(a): Por que esse biomarcador pode ser decisivo na saúde do coração?

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no mundo. Entre os fatores de risco para essas condições estão o colesterol ruim (LDL), a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, o sedentarismo e a obesidade. Mais recentemente, um novo biomarcador tem ganhado atenção da comunidade científica: a lipoproteína(a) ou Lp(a).

Estima-se que cerca de 20% a 30% da população global (uma em cada cinco pessoas) apresente níveis elevados de Lp(a) no sangue, mas, como não há sintomas relacionados, muitas pessoas desconhecem esses índices. Inclusive, é possível ter Lp(a) elevada mesmo mantendo um estilo de vida saudável e com os demais fatores de risco cardiovascular sob controle4.

A nova Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda que a Lp(a) seja dosada pelo menos uma vez na vida, por meio de exame de sangue.

Na dúvida, é fundamental conversar com o médico, especialmente em casos de histórico familiar ou pessoal de doença cardíaca precoce — antes dos 45 anos para homens e antes dos 55 anos para mulheres —, histórico familiar de Lp(a) elevada ou diagnóstico de hipercolesterolemia familiar (HF), condição hereditária em que o organismo apresenta altas quantidades de colesterol ruim (LDL).

O que é a Lp(a)

A Lp(a) é uma partícula semelhante ao colesterol ruim (LDL), porém acrescida de uma proteína chamada apolipoproteína(a), que a torna mais aterogênica e inflamatória. Diferentemente do colesterol, os níveis de Lp(a) são predominantemente determinados pela genética, manifestam-se ainda na infância e permanecem estáveis ao longo da vida”, esclarece o cardiologista Raul Santos, Pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein, Diretor da Unidade Clínica de Lípides do InCor – HC-FMUSP e Professor Associado no Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da USP.

Quando observamos alterações importantes no perfil lipídico, especialmente LDL persistentemente elevado, é fundamental investigar a possibilidade de dislipidemia genética. Muitas dessas condições são silenciosas e só são identificadas por meio de exames laboratoriais associados à avaliação da história familiar. A elevação da Lp(a) é uma condição geneticamente herdada e que também pode estar presente nesses casos”, complementa a endocrinologista e diretora de análises clínicas na Dasa, Maria Helane Gurgel.

Ação no organismo

A Lp(a) pode se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos como o colesterol ruim (LDL). Essas placas de gordura podem reduzir o fluxo sanguíneo para o coração e cérebro4. Segundo o médico, “esses depósitos podem crescer ao longo do tempo ou se romper repentinamente, bloqueando os vasos sanguíneos e levando a um Infarto do Miocárdio ou Acidente Vascular Cerebral (AVC)”. Além disso, pode levar também à calcificação da válvula aórtica, uma doença frequente em pessoas idosas.

Dados na população brasileira

Uma pesquisa inédita da farmacêutica Novartis com a Dasa (líder em medicina diagnóstica no país) analisou os níveis de Lp(a) em 115 mil pessoas de todas as regiões do país, utilizando dados reais de exames realizados entre 2016 e 20195. Cerca de 18% dos indivíduos apresentaram níveis elevados de Lp(a), acima de 50 mg/dL (ou 150 nmol/L), faixa considerada de alto risco cardiovascular5. A maioria dos participantes do estudo era mulher (61%), e elas apresentaram níveis médios de Lp(a) mais altos que os homens (13,90 mg/dL vs. 11,58 mg/dL)5. A mediana de idade dos participantes foi de 44 anos, abrangendo uma ampla faixa etária.

Segundo o cardiologista, “esses dados oferecem informações relevantes para auxiliar médicos na identificação de pacientes que devem ser acompanhados mais de perto, permitindo intervenções precoces para reduzir o risco de complicações cardiovasculares futuras”.

O que fazer a respeito

Embora dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos sejam fundamentais na prevenção das doenças cardiovasculares, essas medidas não reduzem os níveis de Lp(a).  Atualmente, ainda não há terapias aprovadas especificamente para redução da Lp(a) com indicação direcionada a esse alvo, mas novos tratamentos estão em desenvolvimento e apresentam resultados promissores3. “Enquanto essas terapias não estão disponíveis, o controle rigoroso dos demais fatores de risco — como LDL, pressão arterial e diabetes — é essencial para minimizar o risco cardiovascular”, conclui o especialista.

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