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06 de março de 2026

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Startups fora das capitais ganham escala e redesenham o mapa da inovação no Brasil

Crédito da foto: Freepik

Expansão é puxada por maturidade dos negócios, proximidade com o mercado e menor custo de operação

O ecossistema de startups fora das grandes capitais vive uma fase de expansão e amadurecimento, com crescimento mais acelerado em regiões antes “periféricas” no mapa da inovação brasileira. Levantamentos recentes indicam que o Brasil já ultrapassou a marca de 20 mil startups ativas, com distribuição cada vez mais espalhada pelo território nacional e avanço consistente em cidades do interior com base econômica forte. 

Segundo mapeamentos do Sebrae e da Abstartups, o Nordeste já responde por algo entre 10% e 24% das startups, a depender da metodologia, e o Norte superou 5% de participação, sinalizando um deslocamento gradual do eixo exclusivo Sudeste–Sul.

Os dados mostram que a interiorização é mais robusta em regiões que já tinham indústria consolidada, agro estruturado ou cadeias de serviços relevantes antes da onda de inovação, como interior de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Em alguns recortes, São Paulo concentra cerca de 45% das startups do país, mas uma fatia crescente desse volume está em cidades como Campinas, Ribeirão Preto e São José dos Campos, apoiadas por universidades, parques tecnológicos e grandes empresas locais.

“O que se vê nesses polos é que a maturidade não vem só do volume de startups, mas da qualidade dos negócios”, afirma Marcelo Wagner, CEO do Founders Club. “As startups já nascem com mercado definido, faturamento recorrente e visão de escala. O interior que cresce é aquele em que a startup resolve uma dor real da economia local e rapidamente se conecta a mercados maiores”, completa.

No agro, esse padrão é ainda mais evidente, uma vez que boa parte dos principais hubs agtech do país está no interior, próxima ao produtor, às cooperativas e à agroindústria, o que acelera validação e tração. Já em segmentos B2B para indústria, logística, educação e saúde, regiões com base produtiva ou institucional forte também concentram parte relevante das novas empresas, reforçando a tese de que proximidade com o problema aumenta a chance de maturidade.

IA, redes online e gargalos de acesso
Relatórios nacionais indicam que o número de startups mapeadas pelo Sebrae Startups já passa de 18 mil cadastradas na plataforma, com mais de 100 mil atendimentos via programas, eventos e mentorias, muitos deles voltados a ecossistemas fora dos grandes centros. O avanço de tecnologias como a inteligência artificial reduziu o custo e o tempo para criar MVPs, validar soluções e estruturar operações, permitindo que founders lancem e testem negócios de qualquer cidade com mais velocidade e menos capital.

Ao mesmo tempo, iniciativas online e acessíveis, como a Founders Club, vêm conectando empreendedores de diferentes regiões em uma mesma rede de conteúdo, mentoria e negócios, diminuindo a dependência de estar fisicamente nas capitais. “Hoje, o diferencial não é mais estar na capital, mas estar conectado aos ambientes certos, com métricas claras e capacidade de execução. Quando você combina tecnologia, conteúdo acessível e uma rede qualificada, o CEP deixa de ser barreira e passa a ser contexto”, diz Wagner.

Apesar da expansão, a concentração de recursos ainda é alta: em muitos recortes, mais de 60% das startups seguem no Sudeste. O principal gargalo em cidades fora dos grandes polos continua sendo o acesso qualificado ao capital, grandes empresas como clientes e talentos especializados, fatores que ainda se concentram nos principais hubs.

Pesquisas apontam que a maioria das startups depende, em grande medida, de capital local e regional, com baixa participação de investimento internacional e de fundos sediados fora dos grandes centros. “O que mais aparece, tanto na prática quanto nos estudos, é a falta de rede qualificada. Rede de relacionamento, mentores com experiência real, acesso a investidores e a grandes empresas fazem mais diferença do que qualquer tecnologia isolada”, avalia o CEO do Founders Club.

Mitos sobre o interior 

Os dados ajudam a derrubar o mito de que founders do interior pensam pequeno: em segmentos como agro e B2B, muitas startups já nascem vendendo para fora da região e operando com visão nacional ou global. Outro mito é o de que inovação só acontece nas capitais; dados do Sebrae Startups Report Nordeste 2025 mostram crescimento expressivo em mais de 400 cidades brasileiras, com aumento de quase 3.500% no número de startups em algumas regiões do Nordeste em menos de dez anos.

Para Wagner, o desafio agora é fortalecer pontes entre universidades, startups, empresas e poder público e ampliar a visibilidade das startups fora dos eixos tradicionais. “Você não está fora do mapa, você só não está no radar de algumas redes. O ecossistema está mais aberto e distribuído do que nunca. Com execução, aprendizado rápido e conexão certa, a geografia pesa cada vez menos”, afirma.

Na avaliação do executivo, founders fora das grandes capitais precisam combinar profundidade no problema local com presença ativa em redes que projetem seus negócios para o Brasil e para fora. “Por muitas vezes, achamos que o networking só acontece de forma presencial, mas ele está onde você é ativo e tem presença. Fazer parte de canais que te dão visibilidade nacional e internacional é pensar fora da caixa. O Founders Club é um ótimo lugar para isso”, finaliza.

Sobre o Founders Club

Fundado em 2023 por Marcelo Wagner, Anderson Diehl, Bianca Six, Felipe Barão Otero de Abreu e Rafael Wainberg, o Founders Club é mais que uma edtech, é um hub de conexão e negócios que apoia o fundador em todas as etapas de sua trajetória durante os 365 dias do ano. Desde sua fundação, já foram mais de R$ 35 milhões em investimentos captados pelos membros. 

O ecossistema proporciona um ambiente único, entregando benefícios e descontos em ferramentas, acesso a uma rede de conexões com grandes empresas, mentores, investidores e outros atores relevantes do ecossistema de inovação. .

Já são mais de 1.100 empreendedores apoiados, liderando startups que juntas faturam mais de R$ 1,5 bilhão por ano, recebendo suporte para captar recursos, crescer e escalar seus negócios de forma sustentável. Diferente dos modelos tradicionais, o Founders Club adota um formato de suporte contínuo, sem ciclos fechados de início, meio e fim, promovendo um hub colaborativo e de aprendizado constante para founders em diferentes estágios, do early stage aos scale-ups.

Para saber mais, acesse https://foundersclub.com.br/.

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