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26 de abril de 2026

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Tecnologia gaúcha transformará resíduos da COP30 em adubo orgânico

Equipamento semelhante será instalado em Belém para compostar resíduos orgânicos da COP30 / Crédito da foto: divulgação Igapó

A Igapó, startup gaúcha dedicada ao tratamento eficiente e ambientalmente responsável de resíduos orgânicos, participará da COP30, conferência climática da ONU que ocorrerá em novembro, em Belém (PA). A empresa foi selecionada pelo Global Methane Hub, em parceria com o Instituto Pólis, para instalar no evento uma composteira de grande porte, com capacidade de processar até cinco toneladas de resíduos orgânicos por dia, totalizando cerca de 180 toneladas ao longo da conferência. O equipamento permanecerá na cidade como legado.

A composteira da COP30 está em fase de finalização e será transportada pré-montada em dois caminhões do Rio Grande do Sul até a capital paraense. Uma equipe técnica da startup acompanhará a instalação e operação no local. “Será um grande desafio logístico e também uma oportunidade histórica para mostrarmos o potencial da compostagem como alternativa sustentável e economicamente viável”, destaca o fundador da Igapó, Artur Ferrari.
 

Tecnologia própria e patenteada pela Igapó, a composteira trata resíduos orgânicos em duas etapas: compostagem termofílica (alta temperatura) e vermicompostagem (ação de minhocas). O sistema é totalmente mecanizado, desde a parte do tambor rotativo até a vermicompostagem, o que facilita o processo de transformar o resíduo em adubo orgânico de alta qualidade, reduzindo o envio a aterros e possibilitando a concretização da economia circular. Ela pode ser construída em módulos de acordo com a quantidade de resíduos a serem tratados.
 

Além da composteira para a COP30, a Igapó trabalha em outro desafio, o projeto da composteira no Parque da Redenção parque urbano de Porto Alegre, com cerca de 37,5 hectares que marca um passo inédito: será a primeira instalação da tecnologia em uma área pública aberta. Além de processar os resíduos orgânicos do parque, a iniciativa funcionará como um teste em ambiente real, permitindo avaliar o desempenho do equipamento em um local de grande circulação de pessoas.
 

“Escolhemos a Redenção por ser o coração de Porto Alegre e um espaço democrático, onde a iniciativa poderá impactar diretamente a comunidade. Mais do que tratar resíduos, queremos transformar o parque em um laboratório vivo de educação ambiental”, afirma o sócio da Igapó, Andreas Eduardo Buchholz.
 

A proposta tem duração de dois anos e foi autorizada pela Prefeitura de Porto Alegre como prova de conceito, envolvendo diferentes secretarias municipais. O projeto também prevê ações de educação ambiental, com oficinas, atividades de sensibilização e visitas de escolas públicas, reforçando o caráter social e pedagógico da iniciativa.

Sobre a Igapó 

Fundada em Porto Alegre, a Igapó já tratou mais de 250 toneladas de resíduos orgânicos, com composteiras em operação em instituições como a PUCRS, Hospital São Lucas e Prefeitura de Porto Alegre. A tecnologia, que vai de modelos escolares a equipamentos industriais de 150 toneladas/mês, alia impacto ambiental à viabilidade econômica, reduzindo custos de aterro e gerando receita com a produção de adubo.
 

Reconhecida em premiações como o BRDE Labs e o Acelera X, a startup participará como convidada, nos próximos meses, de eventos como a Eco Expo, em São Paulo, em outubro, apresentando seu case da COP30. A meta é atingir 10.080 toneladas/ano de capacidade instalada em dois anos e expandir para o Cone Sul, consolidando-se como referência latino-americana em valorização de resíduos orgânicos e economia circular.
 

Em 2024, a Igapó foi contemplada no edital Tecnova III, da FAPERGS, para avançar na automação de suas composteiras. O projeto prevê a instalação de sensores de temperatura, peso e emissões de CO₂, entre outros, permitindo integrar os equipamentos a bancos de dados de emissões de GEE e a plataformas de cidades inteligentes. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a EMBRAPII, por meio da unidade ITEC, vinculada à FURG. A previsão é que, até o início de 2026, o sistema esteja pronto para comercialização integrada às composteiras.

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