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17 de março de 2026

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Uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento pode levar à perda de massa muscular, alerta especialista

Crédito da foto: Freepik

Popularização dos medicamentos para perda de peso pode levar de um extremo a outro 

O aumento do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tem ampliado o debate sobre segurança e acompanhamento médico no tratamento da obesidade. Embora essas terapias tenham capacidade de trazer benefícios quando indicadas corretamente, especialistas alertam que o uso indiscriminado ou sem orientação adequada pode provocar efeitos indesejados. Entre eles, a perda significativa de massa muscular, condição conhecida como sarcopenia.

A sarcopenia é caracterizada pela redução progressiva da massa e da força muscular, comprometendo mobilidade, metabolismo e qualidade de vida. Embora seja mais comum com o envelhecimento, médicos destacam que o processo também pode ocorrer em pessoas mais jovens quando há perda rápida de peso sem acompanhamento nutricional e clínico adequado.

O tema ganha relevância diante do cenário da obesidade no Brasil. Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde no início deste ano aponta que 62,6% da população brasileira apresentava excesso de peso em 2024, enquanto a obesidade atingia cerca de 25,7% dos adultos, mais que o dobro do registrado em 2006. Os dados evidenciam o avanço do problema e ajudam a explicar a busca crescente por tratamentos para controle do peso.

Segundo o médico nutrólogo Dr. André Guanabara, o problema não está atrelado necessariamente aos medicamentos em si, mas à forma como ele é utilizado. O especialista explica que as canetas emagrecedoras podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade quando fazem parte de um plano terapêutico estruturado, mas alerta que o uso sem acompanhamento pode trazer riscos. “Quando o emagrecimento acontece de forma muito rápida e sem estratégias para preservar a massa muscular, o organismo pode acabar perdendo músculo junto com gordura”, afirma.

Além de afetar a força física e a funcionalidade do corpo, a perda de massa muscular também impacta diretamente o metabolismo. O tecido muscular desempenha papel importante no gasto energético e na regulação de processos metabólicos do organismo. Por isso, durante qualquer processo de perda de peso, preservar a massa magra é considerado um dos principais objetivos clínicos.

Para o Dr. André Guanabara, o tratamento da obesidade não deve focar apenas na redução do peso corporal. “O objetivo não é simplesmente perder peso, mas melhorar a composição corporal e preservar a saúde metabólica. Para isso, o tratamento precisa envolver acompanhamento médico, orientação nutricional adequada e estímulos à atividade física”, explica.

Diante da popularização dessas terapias em ambientes fora do contexto clínico, especialistas reforçam que a orientação profissional é fundamental para garantir segurança e resultados sustentáveis. Preservar a massa muscular, segundo o médico, é um dos pilares para manter o metabolismo ativo e evitar complicações ao longo do processo de emagrecimento.

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