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No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, especialista chama atenção para produtos consumidos no dia a dia que podem elevar a ingestão de sódio sem que a pessoa perceba
No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, lembrado em 26 de abril, médicos reforçam um alerta que parece simples, mas ainda esbarra na rotina de milhões de brasileiros: o controle da pressão não depende apenas da medicação, mas também da alimentação. Entre os principais obstáculos estão alimentos industrializados e ultraprocessados que concentram grandes quantidades de sódio e costumam ser consumidos com frequência, muitas vezes sem associação imediata com o risco cardiovascular.
Segundo a especialista em nutrologia, Dra. Mariana Wogel, um dos equívocos mais comuns é restringir o problema ao sal usado no preparo da comida. “Muita gente acha que está se cuidando porque parou de colocar sal no prato, mas continua consumindo alimentos com alta carga de sódio ao longo do dia. O sal invisível, presente em produtos industrializados, é um dos maiores desafios para quem tem hipertensão”, afirma.
A relação entre consumo excessivo de sódio e aumento da pressão arterial é bem estabelecida em diretrizes nacionais e internacionais. A recomendação é limitar a ingestão a até 2 gramas de sódio por dia, o equivalente a cerca de 5 gramas de sal. No entanto, dados citados em diretrizes brasileiras indicam que o brasileiro costuma ingerir quantidade muito superior ao recomendado.
Entre os alimentos que mais exigem atenção estão embutidos, como presunto, salsicha, linguiça, bacon e salame; temperos prontos, caldos industrializados e molhos; além de macarrão instantâneo, salgadinhos, biscoitos salgados, conservas, fast food e refeições congeladas. Esses produtos podem concentrar muito sódio em pequenas porções e, quando entram com frequência na alimentação, dificultam o controle da doença.
“A hipertensão é silenciosa e, por isso mesmo, costuma ser negligenciada. Quando a pessoa mantém uma alimentação baseada em embutidos, produtos de pacote e preparações prontas, ela aumenta o consumo de sódio sem perceber. Isso interfere diretamente no controle da pressão”, diz Dra. Mariana Wogel.
Além do excesso de sal, a especialista alerta para o padrão alimentar como um todo. Segundo ela, reduzir ultraprocessados e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados é uma medida importante para quem já recebeu o diagnóstico ou quer prevenir a doença. Frutas, verduras, legumes, feijões, preparações caseiras e refeições com menos produtos industrializados tendem a favorecer melhor controle metabólico e cardiovascular.
O consumo de bebida alcoólica em excesso também merece atenção, por poder dificultar o controle da pressão e se associar a outros fatores de risco. “Não se trata apenas de cortar um ingrediente. O controle da hipertensão exige mudança de padrão, regularidade e leitura mais crítica daquilo que está sendo consumido todos os dias”, afirma a médica. A Dra. Mariana ressalta ainda que a mudança alimentar não deve ser encarada como medida isolada, mas como parte de um cuidado mais amplo. “Controlar a pressão envolve acompanhamento médico, uso correto da medicação quando indicada, atividade física, controle do peso e escolhas alimentares mais consistentes. A alimentação pode ajudar muito, mas precisa ser levada a sério”, conclui.
Sobre a Dra. Mariana Wogel
Médica nutróloga, especialista em Nutrologia pela ABRAN/AMB, com atuação em saúde feminina, emagrecimento, fertilidade e medicina integrativa. Autora de dois livros e criadora do Programa Ser Livre, atende em Três Rios e Itaipava com foco em cuidado integral, acompanhamento contínuo e saúde da mulher em diferentes fases da vida.



